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          Testamento de José Coelho Vieira
          BR SC TJSC TRRJ-77271 · Processo · 1851-1864
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Testamento realizado na vila de São José, na época sob a segunda comarca da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          José Coelho Vieira (testador);
          Marcelino José da Silveira (testamenteiro);
          Vicente Coelho (testamenteiro);
          Joaquim Coelho (testamenteiro).

          Herdeira:
          Albina.

          Resumo:
          Neste testamento, o testador José Coelho Vieira, filho de Francisco Cardoso Vieira e Maria da Encarnação, dispôs suas últimas vontades. Nomeou Marcellino José da Silveira e, também, aos seus sobrinhos Vicente Coelho e Joaquim Coelho, para que atuassem como seus testamenteiros.

          Em seguida, o José declarou seus bens: uma porção de terras; uma casa; um engenho de farinha; um oratório; utensílios; e 2 homens escravizados, de nomes Germano e José, ambos designados como “crioulos”.

          Além disso, José atestou dar, na forma de esmola, o escravizado Germano ao casal Felisberto Garcia e Alexandra Roza de Jesus, os quais cuidaram do testador durante suas enfermidades; e instituiu, como única herdeira, sua afilhada Albina, filha do primeiro testamenteiro Marcellino José da Silveira..

          Ao final do processo, o juiz responsável notificou Marcelino para assinar o termo de testamentaria; o testamenteiro aceitou e se tornou responsável pelo encargo do cumprimento das contas e demais disposições da lei.

          Atuaram no processo:
          escrivão e tabelião David do Amaral e Silva;
          juiz municipal de capelas e residência João Francisco de Souza.

          Localidades mencionadas:
          distrito do Aririú (atual bairro no município de Palhoça, Santa Catarina);
          vila de São José (atual município de São José, Santa Catarina);
          segunda comarca.

          Compõem o processo:
          contas;
          correição;
          provação;
          termo de abertura;
          termo de aceite de testamentaria.

          Variação de nome:
          testamenteiro Marcelino José da Silveira.

          Testamento de João Bitencourt Correia de Caravalho
          BR SC TJSC TRRJ-9101 · Processo · 1860
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Testamento de João Bitencourt Correia de Carvalho realizado em Vila de São José, Segunda Comarca

          Partes do Processo:
          João Bitencourt Correia de Carvalho (testador);
          Maria Constância Severina Xavier de Oliveira (testamenteira);
          João Francisco de Sousa (testamenteiro);
          Luis Ferreira do Nascimento e Mello (testamenteiro).

          Herdeiro:

          Resumo: Testamento declarava que 4 pessoas escravizadas, pardos, fossem libertos e alforriados de ventre livre. São citados os escravizados de nome: Julia; Candida; Germano e Francisca. Deixado valores em reis para pagar dividas e pessoas, assim como doações para pessoas pobres.

          Atuaram no Processo:
          escrivão e tabelião David do Amaral e Silva;
          escrivão Leonardo Jorge Campos;
          juiz municipal Francisco José de Souza Lopes;

          Localidades Relevantes:
          Vila de São José;
          Segunda Comarca.

          Testamento de Gabriel José da Cunha
          BR SC TJSC TRRJ-75331 · Processo · 1852
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Testamento realizado no distrito de Picadas do Sul, da vila de São José, na época sob a segunda comarca da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Gabriel José da Cunha (testador);
          Duarte Vieira da Cunha (herdeiro e testamenteiro);
          Miguel Vieira da Cunha (herdeiro e testamenteiro).

          Resumo:
          Este testamento foi realizado por Gabriel José da Cunha, casado com Thereza Antonia de Jesus, com quem teve 6 filhos, mas apenas 2 ainda vivos de nomes Duarte Vieira da Cunha e Miguel Vieira da Cunha. Eles foram designados como legítimos herdeiros e testamenteiros.

          O testador declara ser proprietário de 2 pessoas escravizadas; um homem chamado Manoel, e uma mulher chamada Joanna. Em sua última vontade, foi garantida a liberdade aos escravizados após três anos de serviços prestados aos filhos do testador, após seu falecimento. Ficou estipulado que o testamenteiro passaria cartas de liberdade a ambos os escravizados.

          Foi também declarado o pagamento de esmolas de meia "dobla" (antiga moeda) a suas três afilhadas de nome Luiza e Alexandrina. O testador deixou, ainda, um oratório e uma cômoda a seu neto e afilhado Manoel, filho de Miguel, sob a condição de que ambos rezassem juntos perante o móvel ao longo de suas vidas.

          Doações em dinheiro foram encaminhadas às entidades religiosas do Senhor Bom Jesus, da Nossa Senhora do Rosário, da Nossa Senhora das Dores, da Nossa Senhora do Parto, do Senhor Morto, e ao Senhor do Bom Fim. Foram também dadas esmolas às obras da capela do Senhor do Bom Fim. Outra quantia em dinheiro foi designada em esmola réis à Santa Casa da Caridade da Cidade de Desterro; e mais uma soma foi destinada a ser repartida em igualdade por viúvas, órfãos, pobres e necessitados.

          Ao final do processo, o primeiro testamenteiro, Miguel Vieira da Cunha, aceitou o encargo da testamentaria, adquirindo a responsabilidade e obrigação de prestar contas em juízo sob os prazos da lei. E pelo fato de o testador não deixar nada em dinheiro a Miguel, ele protestou pela sua vintena (remuneração a ser paga ao testamenteiro)

          Localidades relevantes:
          Capela do Senhor do Bom Fim;
          distrito de Picadas do Sul.

          Compõem o processo:
          contas;
          termo de abertura;
          termo de aceite.

          Atuaram no processo:
          juiz municipal João Francisco de Sousa;
          tabelião Davi do Amaral Silva.

          Testamento de Caetana Miguelina de Souza
          BR SC TJSC TRRJ-75980 · Processo · 1851
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Testamento realizado na vila de São José, na época sob a Segunda Comarca.

          Partes:
          Caetana Miguelina de Souza (falecida);
          Luiz Coelho Vieira (testamenteiro).

          Herdeiras:
          Maria;
          Caetana.

          Resumo: O juiz João Francisco de Souza determina o termo de abertura do testamento de Caetana Miguelina de Souza. O testamento contém os bens a serem repartidos entre as pessoas e entidades citadas, aos quais consta quantias em dinheiro (esmolas) para as entidades religiosas Senhor do Bomfim, Nossa Senhora das Dores, Divino Espirito Santo, Nossa Senhora do Parto, Senhor Bom Jesus, Senhor Morto, Casa de Caridade dos Pobres e valor para pobres e necessitados. Quantia em dinheiro (esmolas) para filha Maria e netos. Quantia em dinheiro (esmolas) para escravizados de nomes Maria "Pequena", Maria Luiza, Rita, Antonio e Ignes, descrita como preta. A escravizada de nome Maria, designada no processo enquanto crioula, foi deixada liberta e forra através do testamento.

          Atuantes do processo:
          juiz municipal João Francisco de Souza;
          escrivão Francisco Xavier D'Oliveira Camara;
          signatário Joaquim Francisco de Assis e Passos;
          tabelião David do Amaral e Silva.

          Localidades relevantes:
          Vila de São José
          Segunda comarca da província de Santa Catarina.

          Compõem o processo:
          Termo de abertura;
          Termo de Aceite;
          Aprovação.

          Tribunal da Relação do Rio de Janeiro
          Testamento de Anna Genoveva de Jesus
          BR SC TJSC TRRJ-83264 · Processo · 1853 - 1854
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Testamento realizado na vila de São José, na época sob a segunda comarca da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Anna Genoveva de Jesus (testadora);
          Manoel Joaquim da Silva (testamenteiro e herdeiro).

          Resumo:
          Este processo é composto pelo testamento da falecida Anna Genoveva de Jesus, em que deixou por escrito suas últimas vontades. No documento, é revelado que a finada foi casada com Manoel Joaquim da Silva, nomeado para ser seu testamenteiro; é citado que esse matrimônio seria sua “segunda núpcias”, pois seu primeiro marido havia falecido.

          Além disso, a testadora declara a alforria de duas mulheres escravizadas, de nome Joaquina, descrita como crioula, e Ofrazia, descrita como parda. Por não ter filhos, seu marido se tornou o único herdeiro. O processo foi concluído com a assinatura de um termo por parte de Manoel Joaquim, que aceitou o encargo da testamentaria e se responsabilizou por prestar as contas da ação.

          Atuaram no processo:
          escrivão David do Amaral e Silva;
          juiz municipal João Francisco de Souza;
          signatário Florencio Gomes de Castro Campos;
          signatário João Luis de Andrade.

          Localidades relevantes:
          Poço Fundo;
          segunda comarca;
          Santo Antônio;
          vila de São José (atual município de São José, Santa Catarina).

          Compõem o processo:
          contas;
          correição;
          termo de aceite.

          Testamento Clemencio Mario de Jesus
          BR SC TJSC TRRJ-8994 · Processo · 1856-1861
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Testamento realizado na vila de São José, à época sob a Segunda Comarca.

          Partes do Processo:
          Clemencia Maria de Jezus (testadora);
          Joaquim Lourenço de Souza Medeiros (testamenteiro);
          João Lourenço de Medeiros (testamenteiro);

          Herdeiros:
          João Lourenço de Medeiros;
          Maria;
          Anna Antonia de Medeiros;
          Clemencia;
          José;
          Joaquim Lourenço de Medeiros;
          Laurindo José de Souza Medeiros;
          Antonio;
          José;
          Anna;
          Maria;
          Vicente.

          Resumo: É apresentado e verfiicados os dados referentes ao testamento de Clemencia Maria de Jezus, no qual ela cita seus filhos e netos herdeiros, além de prever a realização de doação, pagamento de quantia de dinheiro e entrega de dois escravizados aos herdeiros, cujos são: Francisco, descrito como pardo, e Maria, descrita como crioula. É aberto após alguns anos a carta de testamento.

          Atuaram no processo:
          escrivão dos órfãos Francisco Xavier d'Oliveira Camara;
          escrivão dos órfãos David do Amaral e Silva;
          signatário Luis Ferreira do Nascimento e Mello;
          juiz municipal segundo suplente Frederico Affonço de Barros.

          Localidades relevantes:
          vila de São José;
          Segunda Comarca.

          Compõem o processo:
          Petição inicial;
          Declaração;
          Doações;
          Aprovação;
          Termo de abertura.

          Sumário crime do escravizado Silverio
          BR SC TJSC TRRJ-20365 · Processo · 1851-1864
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de sumário crime de ferimento realizados na vila de Lages, na época sob a segunda comarca da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          A Justiça (autora);
          Silverio (réu);
          Joze Elias Monteiro (vítima).

          Resumo:
          Neste processo, A Justiça move um sumário crime contra o réu Silverio (descrito alternadamente como “mulato”, “preto” e “negro”), por ter agredido Joze Elias Monteiro. O fato criminoso ocorreu no dia 9 de agosto de 1851, durante uma viagem de Curitiba à comarca de Lages.

          O processo se inicia com um documento através do qual o inspetor de quarteirão participa (informa) ao delegado de polícia que recebeu uma denúncia, feita por Pedro Pereira Bueno. Na denúncia, Silverio foi acusado de ter dado duas machadadas na cabeça de Joze Elias Monteiro. O ferimento não resultou na morte da vítima, mas a deixou gravemente ferida.

          O informe do inspetor ainda diz que, no dia seguinte (10 de agosto de 1851), a vítima esteve acompanhada de Antonio Alves Cardozo, João Vicente, e Jenoario Alves. Jenoario, por sua vez, trouxe mais três pessoas consigo: Pedro Pereira Bueno, o escravizado Fidencio (descrito como “pardo”), e um menino de 12 anos de idade, de nome Saturnino Pinto da Silva (ex-escravizado liberto, descrito como “pardo”). Fidencio era escravizado por Felissimo Monteiro, irmão de José Monteiro; José alugou o escravizado de seu irmão. O texto do informe, embora incoerente, menciona armas, roupas, e a “aparição” de jóias de ouro. O documento conclui dizendo que a vítima, Joze Elias Monteiro, encontrava-se na casa de Antonio Rodrigues Morais, e que o réu foi encaminhado à prisão.

          Na sequência, foi realizado um auto de exame e corpo de delito, onde foi examinada a condição física de Joze Elias Monteiro após os ferimentos nele imprimidos. Foram nomeados dois peritos para a realização do exame. No exame, identificaram três ferimentos, feitos com o “olho” do machado. A arma do crime já estava confiscada, em poder do delegado polícia.

          Depois disso, foram citadas 5 testemunhas para oferecerem seus depoimentos.

          A primeira testemunha, na pessoa de Pedro Pereira Bueno, disse que era camarada da vítima Joze Elias Monteiro, que por sua vez era seu patrão. Estavam retornando juntos da província de São Paulo para a vila Lages. Traziam consigo o garoto Saturnino, e também os escravizados Fidencio e Silverio, escravizados por Joze Elias Monteiro. Durante a viagem, pousaram em Curitibanos, onde montaram acampamento.

          Em certo momento, Pedro Bueno foi tomar banho em uma lagoa, na companhia de Saturnino e Fidencio. Joze Monteiro e Silverio ficaram sozinhos; Joze ficou na barraca, enquanto Silverio picava lenha com o machado. Alguns momentos depois, Pedro Bueno relatou que Silverio foi até a lagoa enquanto ele testemunha e os outros estavam tomando banho; e disse que Silverio o chamou para ver o seu companheiro, pois ele o havia matado. O depoente alegou que Silverio lhe apareceu munido de uma pistola, duas facas e um relho de estoque que Pedro Bueno reconheceu pertencerem a Joze Monteiro. Essa cena deixou Pedro horrorizado, pois ele não tinha trazido nenhuma arma para a viagem, logo estava indefeso. Em seguida, Pedro foi até a barraca, enquanto Silverio pulou no lombo de um cavalo encilhado e fugiu.

          Ao chegar na barraca, junto com Fidencio e Saturnino, Pedro Bueno viu seu patrão Joze Monteiro estirado no chão, inconsciente e ensanguentado, e acreditou que ele estava morto. Pedro foi relatar o acontecido ao inspetor de quarteirão de Curitibanos; ao retornar, percebeu que a vítima ainda estava viva.

          Além disso, o depoimento de Pedro Bueno esclarece o que ficou nebuloso no informe do inspetor, referente às roupas e ao ouro: Silverio, quando fugiu, levou consigo algumas onças de ouro e roupas de Joze Monteiro.

          O terceiro depoente narrou que um homem, descrito como “mulato”, apareceu à porta de sua casa com um cavalo, cansado. Ele pediu ao depoente se ele tinha um cavalo disponível para troca, ao que o depoente lhe respondeu que não dispunha. Porém, sem desconfiar, tampouco saber do fato criminoso naquele momento, não deu muita atenção ao homem. Apesar disso, notou que o homem a cavalo tinha uma pistola na cintura, e que ele estava apressado.

          O quinto depoente relatou que Fidencio foi à sua casa e lhe contou do crime, dizendo que Silverio havia fugido após cometer o delito. Nesse momento, ele confirmou que também viu Silverio com armas, acessórios e roupas de José Monteiro. O depoente imediatamente montou em seu cavalo e foi à cena do crime, onde se deparou com Pedro Bueno e o garoto Saturnino, que tentavam mover a vítima, José Monteiro, para uma cama que haviam improvisado. O testemunhante levou José Monteiro para sua casa, onde permaneceu alguns dias, até ser levado para a casa de Fermina de tal.

          As outras testemunhas alegaram ter ficado sabendo do fato criminoso por ouvirem dizer, mas sem tê-lo presenciado. Em seguida, o juiz ordenou que o escravizado Fidencio e o menino Saturnino fossem intimados pelo escrivão para prestar depoimentos, na forma de testemunhas informantes.

          Saturnino disse que, na hora em que estavam acampados, foi buscar água em um arroio mato adentro, de modo que não tinha como ver a barraca. José Monteiro estava sentado no acampamento no momento da saída de Saturnino. Quando o garoto voltou com um recipiente cheio de água, viu José Monteiro estirado no chão e com muito sangue vertido; nesse ínterim, Silverio apareceu, vindo do mato, e ordenou a Saturnino que ficasse calado, ameaçando-o de morte caso desobedecesse.

          Fidencio, por sua vez, corrobora os relatos anteriores em que foi dito que ele e Pedro Bueno estavam tomando banho na lagoa no momento em que Silverio apareceu, armado, e anunciou ter matado José Monteiro. O testemunhante, ao ouvir as palavras de Silverio, disse a Pedro: “Também vou matar este diabo!”, referindo-se a Silverio; porém, Pedro Bueno lhe disse: “Não ‘sejes’ tolo, não vê que está todo armado, e que a ti também te pode matar?” (página 32 da digitalização). Apesar de desarmado e dos avisos de Pedro Bueno, Fidencio perseguiu Silverio. O depoente disse que encontrou Silverio pegando o machado, no intuito de agredir José Monteiro novamente. Fidencio gritou, alertando aos outros; Silverio então largou o machado e, com uma faca, cortou a cinta de José Monteiro, coletando-a para si. Silvério também pegou dinheiro de José Monteiro. O réu fugiu da cena antes que Fidêncio pudesse interceptá-lo.

          Terminados os depoimentos, o juiz convocou a vítima José Monteiro e ofereceu-lhe a oportunidade para prestar declarações. A convocação foi feita no dia 1º de setembro, em que a vítima já se encontrava sã o suficiente para prestar declarações. José Monteiro não quis prestar declarações.

          O juiz prosseguiu e, na sentença, julgou que os depoimentos reuniram provas o suficiente para enquadrar Silverio como incurso nos crimes aos quais foi atribuído. O réu foi sentenciado à prisão e livramento, e um mandado foi expedido para a execução da sentença. Silverio, porém, estava foragido.

          Depois da expedição de sentença, o promotor público da comarca desejava que a pena fosse agravada, tornando-se pena de morte. O promotor se baseou no art. 1º da lei nº4 de 10 de junho de 1835, que entre outras coisas previa pena de morte aos escravizados que ferissem gravemente ou matassem seus senhores. Para tal, o promotor público moveu um libelo acusatório.

          O libelo foi admitido, efetivamente aumentando a pena de Silverio. O juiz ordenou que fossem expedidas cartas precatórias para as províncias de São Paulo e Rio Grande do Sul, para localizar e capturar Silverio.

          Atuaram no processo:
          escrivão interino do geral e do júri Generoso Pereira dos Anjos Junior;
          inspetor de quarteirão Egidio Alves da Silva Roza;
          juiz Antonio do Amaral Grugel;
          juiz corregedor Joaquim José Henriques;
          juiz municipal José Nicolau Pereira dos Santos;
          juiz municipal 2º suplente Laurentino José da Costa;
          juiz municipal, juiz de órfãos e delegado de polícia Guilherme Ricken;
          perito João Ferreira da Maia;
          perito Venancio Joze Ribeiro Pires;
          promotor público Antonio Ricken de Amorim;
          promotor público Francisco Honorato Cidade;
          signatário Jorge Trueter;
          signatário Jorge Xavier Vasconcellos;
          signatário Matheus José de Souza;
          subdelegado de polícia Antonio Fellipe Pessoa.

          Localidades relevantes:
          quarteirão dos Curitibanos (atual município em Santa Catarina);
          Vila Nova do Príncipe (atual município de Lapa, Paraná);
          vila de Curitiba (atual município no Paraná);
          vila de Lages (atual município em Santa Catarina);
          província do Rio Grande do Sul (atual estado do Rio Grande do Sul);
          província do Paraná (atual estado do Paraná);
          província de São Paulo (atual estado de São Paulo);
          segunda comarca.

          Compõem o processo:
          auto de exame e corpo de delito;
          contas;
          correição;
          libelo acusatório;
          mandados de intimação;
          participação do inspetor de quarteirão;
          sentença;
          testemunhos.

          Variação de nome:
          quarteirão dos Coritibanos;
          vila de Coritiba.

          Sumário Crime de Mathias Alves dos Santos
          BR SC TJSC TRRJ-29729 · Processo · 1854-1863
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Sumário Crime realizado na vila de Lages, na época sob a segunda comarca da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Mathias Alves dos Santos (réu);
          A Justiça (autora).

          Resumo:
          Mathias Alves dos Santos, designado como pardo, foi preso na Cadeia Pública da vila de Lages por ameaçar Maria Borges e seu irmão de morte, com o objetivo de “desinquietar” uma mulher escravizada por Maria.

          Testemunhas foram chamadas para depôr, onde foi alegado que o réu costumava ameaçar Maria durante a noite enquanto rodeava sua casa, invadindo o seu quintal com “intenções criminosas”.

          O delegado de polícia, considerando os depoimentos, condenou o réu a dois meses de prisão simples e a pagar uma multa correspondente às custas da ação. Por esse motivo, foi nomeado um árbitro para realizar a liquidação da multa.

          O processo foi visto em correição, requerendo que a sentença fosse realizada pelo juiz municipal, contando com a presença de um promotor público. O pedido foi atendido, e a sentença foi apelada pelo promotor, com o argumento que o “crime inteiramente particular” não cobriu a denúncia de Maria, de forma com que se julgue nesta ação seu crime a partir de outro artigo da Lei.

          O juiz julgou a apelação, determinando que não iria produzir efeito algum a anulação da ação após o réu ter cumprido a sentença. Após isso, ele requereu o pagamento das custas.

          Atuaram no processo:
          árbitro Generoso Pereira dos Anjos;
          delegado de polícia Guilherme Ricken;
          escrivão Generoso Pereira dos Anjos Junior;
          juiz de direito Joaquim José Henriques;
          juiz municipal José Nicolau Pereira dos Santos;
          promotor público Antonio Ricken de Amorim;
          signatário Antonio Rodrigues Lima;
          signatário Carlos Rodrigues Lima;
          signatário major Antonio Saturnino de Sousa e Oliveira.

          Localidades relevantes:
          fazenda do Cajurú;
          segunda comarca;
          vila de Lages (atual município de Lages, Santa Catarina).

          Compõem o processo:
          contas;
          correição;
          petição;
          qualificação;
          sentença;
          termo de apelação;
          termo de juramento.

          Sumário Crime de Manoel Antunes de Sousa
          BR SC TJSC TRRJ-28991 · Processo · 1849-1859
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Sumário Crime realizado na vila de Lages, na época sob a Comarca do Norte.

          Partes do processo:
          A Justiça (autor);
          Manoel Antunes de Sousa (réu);
          Pedro Manoel de Aguessa Ayres (vítima).

          Resumo: Neste processo o acusado Manoel Antunes de Sousa teria cometido homicídio contra a pessoa de Pedro Manoel, que foi atacado com cinco facadas e tiros de pistola. Há também uma pessoa escravizada citada no processo, de nome Benedito, que prestou testemunhos sobre o ocorrido. A sentença define que o réu foi incurso no rol de culpados.

          Atuaram no processo:
          escrivão Mathias Gomes da Silva;
          escrivão Antonio Ricken de Amorim;
          escrivão Constâncio Xavier de Souza;
          escrivão Generoso Pereira dos Anjos;
          escrivão José Luis Pereira;
          juiz/delegado Antônio Saturnino de Souza e Oliveira;
          juiz/delegado Guilherme Ricken;
          juiz José Marcelino Alves de Sá;
          juiz José Nicolau Pereira dos Santos;
          juiz municipal Laurentino José da Costa;
          juiz municipal Manoel Rodrigues de Souza;
          juiz corregedor Joaquim Joze Henriques;
          promotor público José Francisco de Souza.

          Localidades relevantes:
          Campos Novos;
          Picada Nova;
          Distrito de Coritibanos;
          Cidade de Sorocaba;
          Vila de Itapetininga;
          Ponta Grossa;
          Campos Guarda-mór.

          Compõe o processo:
          Corpo de delito;
          Libelo crime acusatório;
          Mandado de prisão.

          Variação de nome:
          Pedro Agueira Aires.

          Sumário Crime de Feliz José Caetano e outros
          BR SC TJSC TRRJ-20357 · Processo · 1851
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de Sumário Crime realizado na Vila de Lages, na época sob a Segunda Comarca.

          Partes do processo:
          A Justiça (autor);
          José Elias Monteiro (vítima);
          Feliz José Caetano (réu);
          Joze Antonio Branco (réu);
          Gabriel de Lima dos Anjos (réu);
          Francisco Franco (réu);
          Silverio (réu).

          Resumo: Neste processo são feitos os autos de sumário crime de 4 diferentes réus, acusados todos de serem cúmplices na tentativa de homicídio e agressão a José Elias Monteiro, por parte de seu escravizado, Silverio. O crime original é narrado através de testemunhos, no qual se tratou da tentativa de homicídio efetuada por Silverio contra seu senhor, na qual ele desferiu diversos golpes de machado na cabeça do mesmo, causando-lhe múltiplos ferimentos graves, após o ataque feito, Silverio realiza o furto de diversos bens e roupas de seu senhor, além de uma alta quantia de ouro. Com base nos relatos de testemunhas são então acusados os réus Feliz José Caetano, Joze Antonio Branco, Gabriel de Lima dos Anjos e, posteriormente, Francisco Franco, entre os quais um deles é descrito como aleijado (com deficiência). É afirmado que o réu Feliz José Caetano, abordou o escravizado Silverio afirmando ter feito ferimentos mortais em seu proprietário, com o réu tentando negociar 02 cavalos com o escravizado. Dado a vistoria na casa do réu em busca do escravizado, foram encontrados também vestimentas, ouro e pistola pertencentes à vítima. Seguindo as investigações foram encontrados mais bens da vítima sob mãos do outro réu Joze Antonio Branco. Silverio foi encontrado na propriedade de Gabriel de Lima dos Anjos, acusado por abrigar o foragido. Em contrapartida, no depoimento da vítima, foi apenas acusado Silverio como culpado pelos ferimentos e roubo, mas tendo-os distribuídos entre os outros réus e Francisco Franco em acordo prévio. Houve a condenação dos réus, e absolvição de Gabriel de Lima dos Santos e Joze Antonio Branco.

          Atuaram no processo:
          escrivão interino Generoso Pereira dos Anjos Junior;
          signatário Antonio Ricken de Amorim;
          signatário Jorge Xavier de Vasconcellos;
          signatário Joze Coelho de Avilla;
          signatário Antonio Rodrigues de Lima;
          porteiro e signatário Domingos Leite;
          procurador defensor Antonio Saturnino de Ramos de Oliveira;
          promotor Fernando Machado Vieira;
          promotor Frederico Xavier de Souza;
          oficial de justiça Gregorio Antonio;
          juiz municipal e delegado Guilherme Ricken;
          juiz de direito doutor Francisco Vieira da Costa.

          Localidades relevantes:
          Quarteirão dos Curitibanos;
          Cachorros;
          Rio dos Cachorros;
          Curitiba.

          Compõem o processo:
          Petição inicial;
          Testemunhos;
          Interrogatório;
          Libelo acusatório;
          Sentença;
          Conclusão;
          Tomada de contas.

          Variação de nome:
          Felix José Caetano;
          Caxorros;
          Coritiba.