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          Autos Crimes de João Teixeira Gonsalves e outros
          BR SC TJSC TRRJ-28983 · Processo · 1845
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos crimes realizado na vila de Lages, na época sob a Comarca do Norte da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          A Justiça (autora);
          João Teixeira Gonsalves (réu);
          Manoel Teixeira Gonsalves (réu);
          Serafim Joze da Silva (réu).

          Resumo:
          Este processo se inicia com mandado para escolta de uma comitiva que estava indo em direção à província de São Paulo. Nela, estavam presentes os réus citados João Teixeira Gonsalves, Manoel Teixeira Gonsalves e Serafim Joze da Silva. A comitiva havia roubado três pessoas escravizadas – João, descrito como de nação Angola; e Roza e Luiz, descritos como “de nação” (africanos) – de Porto Alegre e fugido com mulheres e crianças. Eles estavam escondidos em um lugar denominado Curisco no momento da escolta e, de acordo com a justiça, pretendiam vender as pessoas roubadas quando chegassem ao destino. O processo contou com testemunhas. Durante a inquirição há depoimentos que se contradizem na questão de roubo ou não das pessoas escravizadas, e um dos suplicados afirma que eles eram libertos. Além disso, os escravizados afirmaram que os réus apresentaram uma nova proposta de trabalho para eles, sem seus senhores por perto, e que viram-se seduzidos pela sugestão. Ao decorrer do processo, é analisado que o crime de furto e sedução contou com circunstâncias agravantes, por ter sido premeditado. Com isso, os suplicados foram pronunciados ao Tribunal do Júri. Por unanimidade, foi determinado que houve furto das três pessoas, assim como o fato de que elas não eram libertas e foram manipuladas a estarem presentes na comitiva para São Paulo. Com isso, o juiz condena os réus à prisão com trabalho e a pagarem as custas do processo.

          Atuaram no processo:
          chefe de polícia Manoel José de Freitas Travassos;
          defensor e signatário Amancio José Ferreira;
          delegado major Antonio Saturnino de Souza e Oliveira;
          escrivão da delegacia Francisco Jose Pereira da Costa Medeiros;
          escrivão dos órfãos Generoso Pereira dos Anjos
          escrivão Mathias Gomes da Silva;
          inspetor do quarteirão Francisco Antonio das Neves;
          juiz municipal coronel Jeronimo Coelho Nilto;
          juiz municipal primeiro suplente alferes João Thomaz e Silva;
          juiz municipal Antonio Caetano Machado;
          promotor público Jacintho Jose Pacheco de Santos;
          signatário alferes Matheus Jose de Sousa;
          signatário Guilherme Ricken.

          Localidades relevantes:
          comarca do norte;
          Curisco;
          freguesia de Vacaria (atual município de Vacaria, Rio Grande do Sul);
          Porto Alegre;
          província de São Paulo (atual estado de São Paulo e parte do estado do Paraná);
          quarteirão dos Coritibanos (atual município de Curitibanos, Santa Catarina);
          vila de Lages (atual município de Lages, Santa Catarina);
          vila de Laguna (atual município de Laguna, Santa Catarina).

          Compõem o processo:
          auto de qualificação;
          carta citatória;
          contas;
          inquirição de testemunhas;
          libelo crime acusatório;
          ofício;
          passaporte;
          pronúncia;
          sentença;
          termo de declaração;
          termo de juramento.

          Inventário de Duarte Muniz Fogaça
          BR SC TJSC TRRJ-19967 · Processo · 1849-1867
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de inventário e partilha realizados na vila de Lages, na época sob a comarca do norte da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Duarte Muniz Fogaça (falecido)
          Francisco Muniz de Moura (testamenteiro e inventariante)
          Rita Maria Amaral (inventariante e herdeira)

          Herdeiros:
          Antonio Felippe Pessoa (co-herdeiro);
          Anna do Amaral;
          Altanario Sutil de Oliveira (co-herdeiro);
          Gertrudes (menor de idade);
          Jose Pereira Machado (co-herdeiro);
          Maria do Rozario;
          Maria d’Amaral.

          Resumo:
          Neste processo, foi notificada Rita Maria Amaral, esposa do falecido Duarte Muniz Fogaça, para que no período de 48 horas comparecesse ao juízo da vila de Lages, a fim de assinar termo de inventário. No entanto, Rita, por ser uma pessoa com deficiência, não pôde assinar como inventariante. Durante o processo Rita é chamada de “paralítica”, “aleijada”, e descrita como “sem poder falar”. Em seguida, o irmão do falecido, Francisco Muniz de Moura, além de testamenteiro do casal, foi nomeado como inventariante.

          Ao decorrer do processo, o curador Manoel Cavalheiro Leitão foi impedido de prosseguir como atuante no inventário de Duarte, por ser cunhado do inventariado e irmão de Rita, esposa do falecido.

          No testamento, são citadas 8 pessoas escravizadas, inclusas como bens. 5 eram mulheres: Joanna, designada como de nação Benguela; Joaquina, Roza, Antonia e Anna, designadas como crioulas. 3 eram homens: Francisco, designado como de nação Moçambique; Francisco, designado como de nação Cabinda, e Bento, designado como crioulo. No entanto, dentre eles, Francisco (de nação Moçambique) foi dado como forro (alforriado).

          Os bens presentes no inventário do falecido foram casas, animais, roupas, utensílios, prataria, armas brancas, armas de fogo, ferramentas e meios de transporte, descritos como “carros”. Havia também dívidas ativas e passivas.

          Durante o processo, foram pagas aos credores as quantias em dinheiro requeridas. Na partilha, foi efetuado pagamento a um órfão de nome João e ao forro Francisco (de nação Moçambique). Além disso, foi efetuada a partilha dos bens entre os herdeiros.

          Ademais, é nomeado como tutor da herdeira Gertrudes o curador e tio da dita órfã, Manoel Cavalheiro Leitão, que posteriormente também tornou-se o responsável pelos bens de sua irmã, mãe de Gertrudes, Rita Maria do Amaral.

          Na sequência, o curador Manoel Leitão foi substituído por outro; e, em requerimento, pediu que o atual curador enviasse, através do escrivão, uma certidão em que constasse o que teria restado de saldo na conta corrente de Maria Rita do Amaral.

          Em uma petição feita por Francisco Franco Fogaça, alforriado da família do falecido Duarte, o peticionário pediu que sua esposa Joanna (de nação Benguela) recebesse sua carta de alforria, por conta de sua idade avançada e por ter prestado serviços em sua vida inteira ao dito casal. Foi expedido pelo suplicante um pedido ao curador, para que aceitasse o valor estipulado por Francisco, a fim de que sua esposa fosse liberta, bem como seus filhos e mais outros escravizados que ainda estão em posse da família do falecido.

          Porém, o curador, em sua carta, respondeu que não havia como entregar carta de alforria pelo valor estipulado pelo suplicante, e que também a liberdade de Joanna e seus filhos deveria constar no inventário do falecido. Por não constar, a alternativa que sobrou foi a de pagar a mais do valor que foi oferecido para que assim sejam libertos.

          Assim, foi pago pelo suplicante o valor referido e, de acordo com a resposta do curador, seria expedido no dia em que a carta de alforria de sua esposa Joanna fosse enviada.

          Atuaram no processo:
          avaliador Ricardo Alves da Silva;
          avaliador Francisco Gomes da Silva Coelho;
          curador e tutor Manoel Cavalheiro Leitão;
          curador geral Ignacio Nunes;
          curador major Amancio José Ferreira;
          curador José Machado;
          curador João Antunes Sobrinho;
          escrivão geral e de órfãos Mathias Gomes da Silva;
          escrivão Generoso Pereira dos Anjos;
          juiz de órfãos terceiro substituto capitão José Marcelino Alves de Sá;
          juiz de órfãos Guilherme Ricken;
          oficial de justiça Joze Antonio de Oliveira;
          procurador major Antonio Saturnino de Oliveira;
          partidor Jorge Trueter;
          partidor Francisco Gomes da Silva Coelho;
          procurador Vicente Eufrasio da Silva Abreu;
          signatário Antonio Vicente dos Santos;
          signatário João Luis de Andrade.

          Localidades relevantes:
          Sorocaba;
          vila de Lages (atual município de Lages, Santa Catarina);
          província de São Paulo (atual estado de São Paulo);
          segunda comarca.

          Compõem o processo:
          auto de tomada de contas;
          conta;
          juramento ao tutor;
          partilha;
          quitação;
          recibos;
          recibos de compra de escravizados;
          termo de juramento de inventariantes nomeados;
          testamento;
          termo de juramento aos louvadores;
          termo de juramento aos procuradores;
          termo de juramento aos partidores;
          termos de juramento aos curadores.

          Variações de nome:
          Rita Cavalheira do Amaral;
          Rita do Amaral Cavalheiros.

          BR SC TJSC TRRJ-24819 · Processo · 1850 - 1852
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Inventário realizado na cidade de Desterro, na época sob a primeira comarca da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Francisco Caetano Soares (falecido);
          Custodea Francisca Soares (falecida);
          Francisco Caetano Soares (inventariante e herdeiro).

          Herdeiros:
          Antonio de Camara Soares;
          Felizarda Amalia Soares (ausente);
          Laurentino Caetano Soares;
          João Caetano Soares (ausente);
          João Pereira Cordio (co-herdeiro);
          Jose Custodio Soares;
          Samuel Esteves Soares (ausente).

          Resumo:
          Francisco Caetano Soares abre um processo de inventário após o falecimento de seus pais, Francisco Caetano Soares e Custodea Francisca Soares. Como o casal deixou filhos menores de idade, a ação contou com a nomeação de um curador.

          No início da ação, os filhos que não residiam em Desterro foram notificados para estarem presentes no inventário; dentre os locais de residência dos ausentes, é citado um local incerto em "uma província do norte". Os bens inventariados foram mobílias, caixas, uma moenda de cana, utensílios de cozinha, um ferro de engomar roupa, casas, terrenos e um engenho de fazer farinha. São citadas dívidas ativas e passivas deixadas pelos falecidos. Constam na ação duas pessoas escravizadas: Joanna, de nação Benguela, e Maria, de nação Angola.

          Após avaliados, os bens passaram por um processo de partilha, em que parte do patrimônio foi separada para pagamento das dívidas. Mais tarde, o herdeiro Antonio de Camara Soares abre uma petição requerendo revisão do pagamento de sua legítima parte, por desarranjos criados sobre um terreno que dividiu com João Caetano Soares e as suas divisas. Com isso, uma vistoria e uma demarcação das terras em questão foram realizadas, seguidas de um auto de emenda da partilha anterior.

          O juiz julga a ação por sentença, requerendo que os acréscimos da petição e demarcação fossem pagos pelas partes interessadas, além de pedir ao herdeiro João Caetano Soares que assinasse termo de tutoria para os bens dos filhos menores e ausentes.

          Atuaram no processo:
          avaliador Antonio José Feliciano;
          avaliador Benigno Bento;
          avaliador Francisco Pereira;
          avaliador Umbelino José Serpa;
          curador Candido Gonçalves d’Oliveira;
          demarcador Carlos Schlappal;
          escrivão José Honorio de Souza Medeiros;
          juiz municipal e de órfãos suplente e comendador Agostinho Leitão d’Almeida;
          juiz municipal e de órfãos Sergio Lopes Falcão;
          partidor João Narcizo da Silveira;
          partidor Joaquim José Varella;
          signatário Augusto da Silva Machado;
          signatário João Alberto Pinto;
          signatário Pedro Antonio de Paixão.

          Localidades relevantes:
          Caputera;
          cidade de Desterro (atual município de Florianópolis, Santa Catarina);
          Estreito (atual bairro Estreito, de Florianópolis);
          Itacoroby (atual bairro Itacorubi, de Florianópolis);
          primeira comarca;
          província de São Paulo (atuais estados de São Paulo e Paraná);
          província do sul (atual estado do Rio Grande do Sul);
          rua da Praia de Fora.

          Compõem o processo:
          auto de emenda da partilha;
          auto de exame e vistoria;
          auto de partilha;
          contas;
          correição;
          petição;
          sentenças;
          termo de tutoria;
          termos de juramento;
          termos de louvação.

          Inventário de João Baptista Xavier
          BR SC TJSC TRRJ-19979 · Processo · 1842
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Inventário realizado na Vila de Lages, na época sob a Comarca do Norte.

          Partes do processo:
          João Baptista (inventariante);
          João Baptista Xavier (falecido);
          Gaspar Teixeira da Rocha (testamenteiro);
          José de Sousa Araujo Guimaraens (testamenteiro);
          Felisberto da Silva (testamenteiro).

          Resumo:
          Neste processo, em que João Baptista é o inventariante, há o recebimento dos bens de seu falecido pai João Baptista Xavier. Devido o inventariante ser o único herdeiro, ficou em sua responsabilidade o pagamento das dívidas. Dentre os bens havia móveis, utensílios, animais, uma arma de fogo e roupas. Além disso, consta um escravizado de nome José (designado como crioulo) e uma escravizada de nome Rita. Jozé recebeu alforria no testamento, que se tornou válida após o falecimento do inventariado. Ao final do processo houve a cobrança do pagamento dos selos.

          Atuaram no processo:
          avaliador Antonio Felipe Pessoa;
          avaliador Joze Pedroso do Amaral;
          juiz João Thomas e Silva;
          coletor major Joaquim Fernandes da Fonsêca;
          credor/reverendo Vigário João Vicente Fernandes;
          escrivão Manoel Francisco Silva;
          escrivão José Joaquim da Cunha Passos;
          escrivão/tabelião Felisberto Olimpio Caldeira;
          escrivão/tabelião Generoso Pereira dos Anjos;
          juiz municipal Matheus José de Souza;
          partidor José Joaquim da Cunha;
          partidor Gonzaga d´Almeida;
          signatário João Manoel Soares da Rocha;
          signatário Guilherme Ricken.

          Localidades relevantes:
          Igreja Matriz de Nossa Senhora dos prazeres de Lages;
          Mato Castelhano;
          Província de São Paulo;
          Passo Fundo;
          Vila de São José de Mogi Mirim (atual cidade de Mogi Mirim).

          Compõem o processo:
          Descrição de bens;
          Certidão de casamento;
          Traslado de testamento;
          Auto de partilha.

          Variações de nome:
          Gonzaga de Almeida.

          Inventário e partilha de Anna Joaquina Boenavides
          BR SC TJSC TRRJ-19969 · Processo · 1847-1848
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de inventário e partilha realizados na vila de Lages, na época sob a comarca do norte da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Anna Joaquina Boenavides (falecida);
          Generoso Pereira dos Anjos (inventariante e testamenteiro);
          Felisberto Joaquim do Amarante (inventariante e herdeiro).

          Herdeiros:
          Anna Maria de Boenavides;
          Antonio do Amarante Bicudo;
          Diogo Bicudo do Amarante;
          Felisberto Joaquim do Amarante;
          Francisco Bicudo do Amarante;
          Generosa;
          Henrique Pais de Farias (co-herdeiro);
          Joaquim Bicudo do Amarante;
          Maria;
          Vasco Bicudo do Amarante.

          Resumo:
          Neste processo, o inventariante e testamenteiro Generoso Pereira dos Anjos peticionou que, para que pudesse dar seguimento às disposições testamentárias da falecida Anna Joaquina Boenavides, fossem citados os herdeiros ausentes. Generoso tinha conhecimento de apenas dois herdeiros que estavam em Lages na época; outros herdeiros haviam se ausentado na província do Sul (Rio Grande do Sul) e na província de São Paulo. Além disso, Generoso não tinha conhecimento de todos os bens.

          O herdeiro Felisberto Joaquim do Amarante foi notificado para ser inventariante do inventário da falecida Anna. Desse modo, a atuação de a Generoso é limitada ao papel de testamenteiro no processo, não mais atuando como inventariante e escrivão.

          O testamenteiro pediu, em requerimento, que o escrivão de resíduos passe a certidão do testamento da falecida. No testamento da falecida Anna, são deixados 3 escravizados de nomes Eufrasio, Fidellis (menor de idade), e Lucidoro. Eles são destinados para seus dois filhos, Joaquim e Francisco, e para sua neta Generosa. Foi também deixada uma quantia em dinheiro para as obras da igreja matriz da vila de Lages, bem como para seus netos.

          Em requerimento, o herdeiro Felisberto disse que não poderia ser o inventariante do inventário de sua mãe, pois morava longe da vila de Lages e estava em uma viagem de negócios. Desse modo, o testamenteiro Generoso foi nomeado como inventariante.

          O tabelião Mathias Gomes da Silva decidiu afastar-se de suas funções no processo por conta de contestações feitas pelos herdeiros. Ele foi substituído pelo escrivão de paz José Antonio Botelho.

          Durante o processo é feita arrematação em praça pública dos escravizados de nome Bento, Benevides e Jeremias, e são pagos os autos de praça pelo inventariante Generoso. Além disso, também são pagas aos credores as somas em dinheiro reivindicadas por eles.

          No final, foi realizada a partilha dos bens entre os herdeiros e efetuado o pagamento aos legatários. Por sentença, o juiz aprovou a partilha.

          Atuaram no processo:
          avaliador Jose Candido Coimbra Mayer;
          coletor Luiz Gonzaga de Almeida;
          curador major Antonio Saturnino de Souza e Oliveira;
          escrivão Joaquim Anacleto da Fonseca;
          escrivão geral, tabelião e signatário Mathias Gomes da Silva;
          escrivão de Paz José Antonio Botelho.
          juiz de paz capitão Generoso Pereira dos Anjos;
          juiz municipal, de órfãos e de ausentes Guilherme Ricken;
          partidor Antonio Ricken de Amorim;
          procurador Claudiano de Oliveira Roza;
          procurador Generoso Pereira dos Anjos Júnior;
          procurador tenente-coronel Manoel Rodrigues de Souza;
          reverendo vigário Camillo de Lelis Nogueira;
          signatário Antonio Rodrigues Lima;
          signatário e partidor Jorge Trueter;
          tabelião Joaquim Ribeiro e Silva.

          Localidades relevantes:
          Botucaraí;
          freguesia de Ponta Grossa (atual município de Ponta Grossa, Paraná);
          vila de Lages (atual município de Lages);
          vila da Senhora Sant’Anna de Castro (atual município de Castro);
          cidade de São Paulo;
          igreja matriz da vila de Lages;
          província de São Paulo;
          província do Rio Grande do Sul;
          comarca de Paranaguá e Curitiba;
          comarca do norte.

          Compõem o processo:
          auto de colação;
          carta precatória de 60 dias;
          contas;
          contas de testamento;
          extrato de conta corrente;
          juramento aos bastidores;
          partilhas;
          petições;
          recibos;
          relação da conta;
          sentença;
          termos de aceite;
          termos de declaração;
          termo de juramento ao curador;
          termo de juramento aos louvados;
          termo de louvação;
          termo de substabelecimento;
          título de herdeiros.

          Variações de nome:
          Anna Eufrasia Boenavides;
          Francisco Bicudo d’Assunção
          Joaquim Bicudo;
          Joaquim José do Amarante;
          Vasco Bicudo;
          Vasco Joaquim do Amarante;
          Botucarahy;
          vila de Castro;
          província do Sul.

          Libelo cível de Francisco Borges do Amaral e Castro
          BR SC TJSC TRRJ-77531 · Processo · 1845
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de libelo cível de reivindicação realizados na vila de Lages, na época sob a comarca do norte da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Francisco Borges do Amaral e Castro (autor);
          Joaquim da Costa Varella (réu).

          Resumo:
          O sargento mor e major Francisco Borges do Amaral e Castro moveu um processo de libelo civil contra o réu Joaquim da Costa Varella. A ação foi iniciada a fim de tratar uma dívida pelo mau uso da propriedade do autor.

          De acordo com seu testemunho, o autor havia viajado para a província de São Paulo e deixou sua fazenda de criar animais sob responsabilidade do réu. Além disso, o suplicante havia pedido para o suplicado tutelar seis pessoas escravizadas que viviam em sua casa.

          Quando voltou para casa, o autor notou a falta de alguns animais no terreno. Como não foi possível fazer uma conta exata da despesa, o suplicante abriu o processo inicialmente para tentar se conciliar amigavelmente com o réu, mas sem sucesso. Ao decorrer da ação, foi exposto que o réu praticou maus tratos a dois escravizados do autor, Antonio e Eufrazia, designados como "de nação" (africanos). Essas violências resultaram na morte das duas pessoas, em decorrência de espancamentos.

          Um valor foi proposto para representar a despesa, requerendo que o réu fosse citado para pagá-la junto às custas do processo. O juiz aceitou o libelo e as recomendações de ação.

          O autor desistiu do processo ao afirmar que as duas partes se conciliaram amigavelmente, sendo condenado a pagar as custas da ação iniciada. Posteriormente, o processo foi visto em correição, e foi requerido o pagamento do selo em dois documentos anexados.

          Atuaram no processo:
          coletor Antonio Saturnino de Souza e Oliveira;
          escrivão do juízo de paz Constancio Xavier de Souza;
          escrivão e tabelião Mathias Gomes da Silva;
          juiz corregedor Joaquim Joze Henriques;
          juiz João Thomas e Silva;
          juiz municipal Antonio Caetano Machado;
          oficial de justiça Joze Antonio Pinheiro.

          Localidades relevantes:
          província de São Paulo (atual estado de São Paulo);
          vila de Lages (atual município de Lages, Santa Catarina);
          comarca do norte.

          Compõem o processo:
          contas;
          correição;
          documento de demarcação;
          sentença;
          termo de audiência;
          termo de desistência e composição amigável.

          Sumário crime do escravizado Silverio
          BR SC TJSC TRRJ-20365 · Processo · 1851-1864
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de sumário crime de ferimento realizados na vila de Lages, na época sob a segunda comarca da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          A Justiça (autora);
          Silverio (réu);
          Joze Elias Monteiro (vítima).

          Resumo:
          Neste processo, A Justiça move um sumário crime contra o réu Silverio (descrito alternadamente como “mulato”, “preto” e “negro”), por ter agredido Joze Elias Monteiro. O fato criminoso ocorreu no dia 9 de agosto de 1851, durante uma viagem de Curitiba à comarca de Lages.

          O processo se inicia com um documento através do qual o inspetor de quarteirão participa (informa) ao delegado de polícia que recebeu uma denúncia, feita por Pedro Pereira Bueno. Na denúncia, Silverio foi acusado de ter dado duas machadadas na cabeça de Joze Elias Monteiro. O ferimento não resultou na morte da vítima, mas a deixou gravemente ferida.

          O informe do inspetor ainda diz que, no dia seguinte (10 de agosto de 1851), a vítima esteve acompanhada de Antonio Alves Cardozo, João Vicente, e Jenoario Alves. Jenoario, por sua vez, trouxe mais três pessoas consigo: Pedro Pereira Bueno, o escravizado Fidencio (descrito como “pardo”), e um menino de 12 anos de idade, de nome Saturnino Pinto da Silva (ex-escravizado liberto, descrito como “pardo”). Fidencio era escravizado por Felissimo Monteiro, irmão de José Monteiro; José alugou o escravizado de seu irmão. O texto do informe, embora incoerente, menciona armas, roupas, e a “aparição” de jóias de ouro. O documento conclui dizendo que a vítima, Joze Elias Monteiro, encontrava-se na casa de Antonio Rodrigues Morais, e que o réu foi encaminhado à prisão.

          Na sequência, foi realizado um auto de exame e corpo de delito, onde foi examinada a condição física de Joze Elias Monteiro após os ferimentos nele imprimidos. Foram nomeados dois peritos para a realização do exame. No exame, identificaram três ferimentos, feitos com o “olho” do machado. A arma do crime já estava confiscada, em poder do delegado polícia.

          Depois disso, foram citadas 5 testemunhas para oferecerem seus depoimentos.

          A primeira testemunha, na pessoa de Pedro Pereira Bueno, disse que era camarada da vítima Joze Elias Monteiro, que por sua vez era seu patrão. Estavam retornando juntos da província de São Paulo para a vila Lages. Traziam consigo o garoto Saturnino, e também os escravizados Fidencio e Silverio, escravizados por Joze Elias Monteiro. Durante a viagem, pousaram em Curitibanos, onde montaram acampamento.

          Em certo momento, Pedro Bueno foi tomar banho em uma lagoa, na companhia de Saturnino e Fidencio. Joze Monteiro e Silverio ficaram sozinhos; Joze ficou na barraca, enquanto Silverio picava lenha com o machado. Alguns momentos depois, Pedro Bueno relatou que Silverio foi até a lagoa enquanto ele testemunha e os outros estavam tomando banho; e disse que Silverio o chamou para ver o seu companheiro, pois ele o havia matado. O depoente alegou que Silverio lhe apareceu munido de uma pistola, duas facas e um relho de estoque que Pedro Bueno reconheceu pertencerem a Joze Monteiro. Essa cena deixou Pedro horrorizado, pois ele não tinha trazido nenhuma arma para a viagem, logo estava indefeso. Em seguida, Pedro foi até a barraca, enquanto Silverio pulou no lombo de um cavalo encilhado e fugiu.

          Ao chegar na barraca, junto com Fidencio e Saturnino, Pedro Bueno viu seu patrão Joze Monteiro estirado no chão, inconsciente e ensanguentado, e acreditou que ele estava morto. Pedro foi relatar o acontecido ao inspetor de quarteirão de Curitibanos; ao retornar, percebeu que a vítima ainda estava viva.

          Além disso, o depoimento de Pedro Bueno esclarece o que ficou nebuloso no informe do inspetor, referente às roupas e ao ouro: Silverio, quando fugiu, levou consigo algumas onças de ouro e roupas de Joze Monteiro.

          O terceiro depoente narrou que um homem, descrito como “mulato”, apareceu à porta de sua casa com um cavalo, cansado. Ele pediu ao depoente se ele tinha um cavalo disponível para troca, ao que o depoente lhe respondeu que não dispunha. Porém, sem desconfiar, tampouco saber do fato criminoso naquele momento, não deu muita atenção ao homem. Apesar disso, notou que o homem a cavalo tinha uma pistola na cintura, e que ele estava apressado.

          O quinto depoente relatou que Fidencio foi à sua casa e lhe contou do crime, dizendo que Silverio havia fugido após cometer o delito. Nesse momento, ele confirmou que também viu Silverio com armas, acessórios e roupas de José Monteiro. O depoente imediatamente montou em seu cavalo e foi à cena do crime, onde se deparou com Pedro Bueno e o garoto Saturnino, que tentavam mover a vítima, José Monteiro, para uma cama que haviam improvisado. O testemunhante levou José Monteiro para sua casa, onde permaneceu alguns dias, até ser levado para a casa de Fermina de tal.

          As outras testemunhas alegaram ter ficado sabendo do fato criminoso por ouvirem dizer, mas sem tê-lo presenciado. Em seguida, o juiz ordenou que o escravizado Fidencio e o menino Saturnino fossem intimados pelo escrivão para prestar depoimentos, na forma de testemunhas informantes.

          Saturnino disse que, na hora em que estavam acampados, foi buscar água em um arroio mato adentro, de modo que não tinha como ver a barraca. José Monteiro estava sentado no acampamento no momento da saída de Saturnino. Quando o garoto voltou com um recipiente cheio de água, viu José Monteiro estirado no chão e com muito sangue vertido; nesse ínterim, Silverio apareceu, vindo do mato, e ordenou a Saturnino que ficasse calado, ameaçando-o de morte caso desobedecesse.

          Fidencio, por sua vez, corrobora os relatos anteriores em que foi dito que ele e Pedro Bueno estavam tomando banho na lagoa no momento em que Silverio apareceu, armado, e anunciou ter matado José Monteiro. O testemunhante, ao ouvir as palavras de Silverio, disse a Pedro: “Também vou matar este diabo!”, referindo-se a Silverio; porém, Pedro Bueno lhe disse: “Não ‘sejes’ tolo, não vê que está todo armado, e que a ti também te pode matar?” (página 32 da digitalização). Apesar de desarmado e dos avisos de Pedro Bueno, Fidencio perseguiu Silverio. O depoente disse que encontrou Silverio pegando o machado, no intuito de agredir José Monteiro novamente. Fidencio gritou, alertando aos outros; Silverio então largou o machado e, com uma faca, cortou a cinta de José Monteiro, coletando-a para si. Silvério também pegou dinheiro de José Monteiro. O réu fugiu da cena antes que Fidêncio pudesse interceptá-lo.

          Terminados os depoimentos, o juiz convocou a vítima José Monteiro e ofereceu-lhe a oportunidade para prestar declarações. A convocação foi feita no dia 1º de setembro, em que a vítima já se encontrava sã o suficiente para prestar declarações. José Monteiro não quis prestar declarações.

          O juiz prosseguiu e, na sentença, julgou que os depoimentos reuniram provas o suficiente para enquadrar Silverio como incurso nos crimes aos quais foi atribuído. O réu foi sentenciado à prisão e livramento, e um mandado foi expedido para a execução da sentença. Silverio, porém, estava foragido.

          Depois da expedição de sentença, o promotor público da comarca desejava que a pena fosse agravada, tornando-se pena de morte. O promotor se baseou no art. 1º da lei nº4 de 10 de junho de 1835, que entre outras coisas previa pena de morte aos escravizados que ferissem gravemente ou matassem seus senhores. Para tal, o promotor público moveu um libelo acusatório.

          O libelo foi admitido, efetivamente aumentando a pena de Silverio. O juiz ordenou que fossem expedidas cartas precatórias para as províncias de São Paulo e Rio Grande do Sul, para localizar e capturar Silverio.

          Atuaram no processo:
          escrivão interino do geral e do júri Generoso Pereira dos Anjos Junior;
          inspetor de quarteirão Egidio Alves da Silva Roza;
          juiz Antonio do Amaral Grugel;
          juiz corregedor Joaquim José Henriques;
          juiz municipal José Nicolau Pereira dos Santos;
          juiz municipal 2º suplente Laurentino José da Costa;
          juiz municipal, juiz de órfãos e delegado de polícia Guilherme Ricken;
          perito João Ferreira da Maia;
          perito Venancio Joze Ribeiro Pires;
          promotor público Antonio Ricken de Amorim;
          promotor público Francisco Honorato Cidade;
          signatário Jorge Trueter;
          signatário Jorge Xavier Vasconcellos;
          signatário Matheus José de Souza;
          subdelegado de polícia Antonio Fellipe Pessoa.

          Localidades relevantes:
          quarteirão dos Curitibanos (atual município em Santa Catarina);
          Vila Nova do Príncipe (atual município de Lapa, Paraná);
          vila de Curitiba (atual município no Paraná);
          vila de Lages (atual município em Santa Catarina);
          província do Rio Grande do Sul (atual estado do Rio Grande do Sul);
          província do Paraná (atual estado do Paraná);
          província de São Paulo (atual estado de São Paulo);
          segunda comarca.

          Compõem o processo:
          auto de exame e corpo de delito;
          contas;
          correição;
          libelo acusatório;
          mandados de intimação;
          participação do inspetor de quarteirão;
          sentença;
          testemunhos.

          Variação de nome:
          quarteirão dos Coritibanos;
          vila de Coritiba.

          BR SC TJSC TRRJ-67935 · Processo · 1852
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Lages - 1852 - José Coelho de Ávila e José Riosca (Translado).

          Autor: A Justiça.
          Réus: José Coelho de Ávila e José Riosca.
          Homicídio.
          Vítima: Preto Forro Reginaldo.
          Vila de Lages, Segunda Comarca da Provincia de Santa Catarina.
          Juiz: José Joaquim de Magalhães Menezes.
          Delegado de polícia: Guilherme Riken.
          Escrivão interino: Anjos Júnior.
          Escrivão interino: Generoso Pereira dos Anjos Júnior.
          Escrivão: José Luiz Pereira.

          Juiz Antônio Pereira dos Santos.
          Coronel Manoel Rodrigues de Souza.
          Major Antônio Benedito dos Santos.
          Tenente Coronel Souza.

          Outros locais:
          Campos da Chácara do Tenente Coronel Souza, além da Ponte Grande, no subúrbio desta vila.
          Província de São Pedro do Sul.
          Província de São Paulo.
          Província de Minas Gerais.
          "Lapa" (talvez a Lapa no PR, fronteira com SC).
          Chácara de Tenente Coronel Manoel Rodrigues de Souza.
          Cidade de Curitiba, então província de São Paulo.

          Outros nomes:
          José Coelho d"Avila.
          Capitão Manoel Leite.
          João Ferreira da Maia.
          Antônio Castanheiro.
          Manoel José de Sant'Ana.
          Manoel Correia de Oliveira.
          Preto Clemente Paulo Maria.
          Antônio Riken de Amorin.
          João Nunes de Sequeira.
          Mulher de nome Clara que mora no "Quarteirão dos Índios".
          Leandro de Matos.
          João Ferreira de Maia.
          Clemente Paulo Maria.
          Manoel Barriga Verde.

          Obs.: translado utilizou-se dos dois lados da folha. A tinta ferrogálica transpassa o processo e, por vezes, dificulta a leitura.

          Tribunal da Relação do Rio de Janeiro