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Crime de José Verícimo Pereira
BR SC TJSC TRPOA-24380 · Processo · 1885
Parte de II - Tribunal da Relação de Porto Alegre

Partes:
José Verícimo Pereira (réu);
Jacintha Rosa da Conceição (vítima);
A Justiça por seu promotor (autor).

Menor; defloramento que gerou uma criança; promessa de casamento; sambaqui; distrito da Freguesia de Nossa Senhora das Necessidades de Santo Antônio; denuncia improcedente. Caligrafia na capa, em 1886.

Felisberto Montenegro, juiz municipal.
Leandro Jorge de Campos, escrivão.

Tribunal da Relação de Porto Alegre
Crime de João Valerio dos Santos
BR SC TJSC TRRJ-30531 · Processo · 1872
Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

Crime realizado na cidade de Lages, na época sob a comarca da capital da província de Santa Catarina.

Partes do processo:
Valerianno de Sousa Machado (autor);
escravizado André (vítima);
João Valerio dos Santos (acusado).

Resumo:
Este processo se inicia com Joaquim Serafim do Amaral contatando o inspetor do quarteirão de Serrito, Valerianno de Sousa Machado, após André — menino escravizado, descrito como crioulo — ter desaparecido da propriedade de Elisio Ribeiro do Amaral, que o escravizava. André foi encontrado sem vida, perto da casa de Elisio, com marcas de golpes na cabeça.

A vítima foi enterrada no cemitério do quarteirão. O juiz ordenou a exumação do corpo para que fosse realizado o auto de corpo de delito; durante esta ação, os peritos determinaram que André foi morto após ter recebido três golpes na cabeça com um instrumento de ponta, semelhante a uma pedra. O subdelegado julgou procedente o resultado do exame dos peritos.

Diferentes pessoas que presenciaram o crime foram testemunhas. José Ribeiro de Amaral declarou que havia muitas pessoas buscando por André, que foi encontrado falecido no dia seguinte; além disso, contou que uma mulher escravizada do nome Joaquina tinha avistado uma pessoa se esconder próximo da costa de uma taipa (parede feita de barro e areia, cruzada por ripas). Quando interrogada posteriormente, Joaquina confirmou a história de José.

José Ribeiro de Amaral, complementando o relato de Joaquina, afirmou que pensou ser João dos Santos (mais tarde chamado de João Valerio dos Santos) aquele que estava se escondendo, e que ele havia jurado se vingar de André por conta de uma desavença pessoal. Após isso, João dos Santos foi inquirido sobre as acusações e as negou. A partir das informações coletadas do interrogatório, o promotor público requereu o mandado de prisão para o acusado, assim como a intimação de testemunhas para depor.

O acusado foi preso na cadeia pública de Lages, indiciado pelo crime de homicídio. Um curador foi nomeado para representá-lo ao decorrer da ação, já que era menor de idade. Testemunhas foram chamadas para depôr sobre o crime, sendo foi declarado que a vítima havia saído para o quintal da propriedade para colher pêssegos e não voltou, então Joanna, mãe de André — e mulher escravizada por Elisio —, começou a procurá-lo pela vizinhança. Já no dia seguinte, a vítima foi encontrada ao lado da casa. Joanna alegou que não foi ali que o mataram, por já ter procurado por ele naquele lugar.

Ainda na inquirição das testemunhas, o acusado foi chamado para participar dos depoimentos, onde em seu interrogatório alegou que não estava presente quando o crime ocorreu, estando na casa de Antonio Maria, e que poderia provar sua inocência. Durante os depoimentos, foi dito que Elisio havia confidenciado ao vizinho, Firmino, que achava que o desaparecimento de André era “negócio das negras”. Por fim, o juiz julgou improcedente a acusação contra João dos Santos, e que as custas deveriam ser pagas pela municipalidade.

Atuaram no processo:
carcereiro e signatário Domingos Leite;
curador Pedro Paulino dos Santos;
escrivão interino Joaquim Rodrigues de Athaydes;
escrivão Jose Luis Pereira;
inspetor Valerianno de Sousa Machado;
juiz municipal suplente tenente Antonio Ribeiro dos Santos;
juiz municipal suplente Vicente Jose de Oliveira e Costa;
oficial de justiça Casiano Jose Ferreira;
perito Belisario Lopes de Haro;
perito e signatário Antonio José Garcia;
perito tenente coronel Manoel Pinto de Lemos;
promotor público Francisco Victorino dos Santos;
promotor público interino Jose Joaquim da Cunha Passos;
signatário Jeremias Ribeiro do Amaral;
subdelegado de polícia Manoel Ferreira de Sousa Machado.

Localidades relevantes:
Chapada;
cidade de Lages;
comarca da capital;
quarteirão do Serrito;
Santa Cruz;
Serra.

Compõem o processo:
auto de corpo de delito;
auto de exumação;
auto de qualificação
autos de perguntas;
contas;
interrogatórios;
sentença;
termo de confrontação;
termo de exumação;
termo de juramento.

Variação de nome:
João Valerio dos Santos;
Joaquim Ribeiro do Amaral;
Simiterio.

Crime de João Jesuíno e Jose Christino d’Arruda
BR SC TJSC TRRJ-79618 · Processo · 1847
Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

Autos crimes de justificação realizados na vila de Lages, na época sob a comarca do norte da província de Santa Catarina.

Partes do processo:
Amancio Jose Domingues (justificante);
Manoel Joaquim Correia (justificante);
João Jesuíno (justificado);
Jose Christino d’Arruda (justificado).

Resumo:
Neste processo, o cabo João Jesuíno e o oficial de justiça Jose Christino foram intimados para comparecerem aos autos crime de justificação referentes à morte de Domingos Jose d’Oliveira.
Os justificantes, Amancio Jose Domingues e Manoel Joaquim Correia, filho e genro do falecido, afirmaram que os justificados estavam presentes no momento de sua morte. A família do falecido alegou ter ouvido gritos vindos da roça, e quando foram verificar o que aconteceu, encontraram Domingos sem vida, ao lado de sua mulher. Ela disse que esse ato havia sido um homicídio seguido do roubo de três doblas de prata. Este ato de força contou com uma tropa de 15 homens, capitaneados pelo tenente coronel Manoel Rodrigues de Souza, em nome do governo provincial. As partes foram citadas para depor sobre a morte, sob pena de desobediência e revelia caso não estivessem presentes.
No processo, consta a cópia de uma ordem enviada um ano antes de sua morte. O autor, Antero José Ferreira de Brito, o então presidente da província de Santa Catarina, ordenou Domingos para que este derrubasse imediatamente as cercas que ele havia construído próximo à estrada, causando confusões com quem passava pela área, sem autorização. Em seguida, o presidente da província redigiu outro documento, em que liberou uma quantia em munição de pistola para as tropas, para se movimentarem até a sua casa e o desalojarem. Em sua justificação, Jose Christino afirma que o falecido desobedeceu a ordem de prisão três vezes, com uma faca na mão e uma pistola na cintura, sendo necessário bordear sua mão e atirar em seu corpo. Após o homicídio, foram apreendidas onze armas de fogo, uma lança, uma espada e uma porção de cartuchos.
Foram chamadas testemunhas ex officio, que corroboraram com a versão oficial dos policiais e afirmaram desconhecer a alegação de roubo da prata por parte das tropas. O juiz declarou que a ação da escolta se deu para evitar males maiores, concluindo como justificado o procedimento do cabo e do oficial de justiça.
O processo foi visto em correição, em que o juiz responsável afirmou que certos procedimentos, como a formalização da culpa e do caráter do crime sem serem ouvidas as defesas das partes no tribunal, excederam a natureza de um processo sumário. Com isso, foi ordenado que o processo fosse cessado, para que a próxima autoridade que analise a ação não exceda novamente os limites existentes e prescritos pela lei.

Atuaram no processo:
comandante do distrito de Lages e major Antonio Saturnino de Souza e Oliveira;
escrivão geral Mathias Gomes da Silva;
juiz municipal e delegado Guilherme Ricken;
juiz municipal e de órfãos Antonio Caetano Machado;
presidente da província Antero José Ferreira de Brito;
procurador Jose Neny da Silva;
signatário José da Silva Furtado;
signatário Manoel Jose de Santa Anna;
signatário Matheus Jose de Souza.

Localidades relevantes:
Braço do Norte (sertão localizado no caminho para Lages);
Passo do Rio;
estrada do Imaruhi;
freguesia do Imaruhi (entre as cidades de São José e Palhoça);
vila de Lages (atual cidade de Lages, Santa Catarina).

Compõem o processo:
autos crimes de justificação;
autos de testemunhas;
cópia de requerimento;
petição de queixa.

Variações de nome:
Manoel Joaquim Corrêa.
estrada do Imaruí;
freguesia do Imaruí.

Crime de João Cabinda
BR SC TJSC TRRJ-38591 · Processo · 1863
Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

Crime realizado na cidade de Lages, na época sob a comarca de São José da província de Santa Catarina.

Partes do processo:
escravizado João (réu);
escravizada Bernarda (vítima).

Resumo:
Esta ação tem início com a intimação de testemunhas para comporem a acusação contra João, um homem escravizado descrito como preto, por homicídio de sua esposa Bernarda, também escravizada e designada como preta. Durante a análise do crime pelo inspetor do lugar denominado “quarteirão de pelotinhas”, foram detalhadas mais informações sobre o evento.

Clara Maria dos Santos, que escravizava a vítima, afirma ter acordado com o som de pancadas em sua porta, percebendo que outras mulheres escravizadas que dormiam na varanda da casa foram assustadas pelo barulho. Levantou-se da cama para averiguar sua origem, onde encontrou Bernarda no chão; a vítima havia recebido diversos golpes espalhados por todo o corpo, além de ter sua garganta cortada, a impossibilitando de falar.

Ainda no depoimento, Clara afirma que Bernarda ainda estava com vida quando foi encontrada e, por meio de acenos, deu a entender que seu marido teria cometido o crime. Segundo o inspetor, o réu havia fugido, já que não se encontrava na cena do crime durante a inspeção do corpo da finada.

Além disso, o marido de Clara Maria, Leandro Luis Vieira, a acompanhou na noite do crime, porém já era falecido quando a ação foi iniciada. Sendo assim, ela e seu filho, Prudente Luis Vieira — que posteriormente atuou como testemunha informante —, foram responsáveis por dar seguimento à ação. Um curador foi nomeado para representar o réu no decorrer do processo.

Após o juramento do curador, as testemunhas convocadas para depôr responderam as perguntas feitas pelo delegado de polícia. Os depoimentos corroboram com a versão dada por Clara, de que a vítima teria se dirigido até a porta do quintal onde foi encontrada. Nesta ação, o réu foi referido como João Cabinda.

O juiz julgou a ação como procedente e, a partir do depoimento das testemunhas, pronunciou o réu como sujeito à prisão e Clara Maria como responsável pelo pagamento das custas da ação. A ação é concluída com um libelo crime após a prisão do réu; neste documento, o crime foi dito ser “revestido de circunstâncias agravantes” por conta de suas particularidades, como o fato de definir uma “superioridade em sexo” e “abuso da confiança” do réu.

Atuaram no processo:
curador major Antonio Saturnino de Souza e Oliveira;
delegado de polícia capitão Gabriel de Souza Guedes;
escrivão interino do crime Generoso Pereira dos Anjos;
escrivão interino Polidoro José dos Santos;
inspetor Firmino da Cunha;
juiz municipal e delegado de polícia José Nicolau Pereira dos Santos;
juiz municipal substituto Antonio Felipe Pessoa;
oficial de justiça Antonio Pereira dos Santos;
oficial de justiça Cariano Jose Fernandes;
promotor público Antonio Ricken de Amorim.

Localidades relevantes:
cidade de Lages;
comarca de São José;
fazenda da trindade;
Limoeiro;
quarteirão de Pelotinha.

Compõem o processo:
contas;
libelo crime;
sentença;
termo de juramento;
testemunhas.

Variação de nome:
João Cambinda.

BR SC TJSC TRRJ-20186 · Processo · 1852
Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

Autos de crime de injúria realizados na vila de Lages, na época sob a Segunda Comarca.

Partes do processo:
A justiça (autora);
Manoel José de Sant'Anna (réu);
João Nunes (réu).

Resumo:
O juiz mandou prender João Nunes e Manoel José de Sant'Anna (conhecido por Felisberto de tal, Serafim de tal e Serafim Dedinho) sob acusação de crime de injúria. Nesse momento, só Manoel foi encontrado. Segundo consta, os réus haviam acusado as autoridades locais de terem sido subornadas para abafar um caso de assassinato de um homem chamado Reginaldo, identificado como preto forro. O réu João também teria dito que o assassinato foi cometido por José Coelho de Avila. A sentença condenou o réu Manoel a dois meses de prisão simples e pagamento de multa, mas a multa foi extinta por ele ser pobre. João foi encontrado e interrogado após a soltura de Manoel, mas o processo não continuou.

Atuaram no processo:
juiz e delegado Guilherme Ricken;
signatário delegado Domingos Leite;
escrivão Generoso Pereira dos Anjos Junior;
oficial de justiça Manuel de Oliveira Gomes.

Compõem o processo:
Mandado de prisão;
Depoimentos;
Autos de qualificação;
Sentença;
Alvará de soltura;

Variações de nome:
réu Manoel José de Santanna, Felisberto de tal, Serafim de tal, Serafim Dedinho;
réu João Nunes de Siqueira.

Tribunal da Relação do Rio de Janeiro
Crime de Ignácio Ribeiro Gomes
BR SC TJSC TRPOA-31237 · Processo · 1885
Parte de II - Tribunal da Relação de Porto Alegre

Partes:
Ignácio Ribeiro Gomes (réu); José Manoel de Oliveira Branco (vítima)

Furto; Invadia a propriedade usando uma espingarda e um cão para roubar porcos; Gados; Usava uma canoa para transporte; Latrocínio; Localidade; Costa do Rio Caveiras; Quarteirão de Amola facas; Distrito de Baguais; Auto de desistência da ação;

Escrivão e Tabelião José Luís Pereira; Juiz Laurindo Carneiro Leão; Procurador Pedro José Leite Júnior; Promotor Público José Joaquim de Cordova Passos;

15 Folhas.

Tribunal da Relação de Porto Alegre