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              BR SC TJSC TRRJ-16719 · Processo · 1829-1852
              Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

              Execução de sentença realizada na cidade do Desterro, na época sob a comarca da Ilha de Santa Catarina.

              Partes do processo:
              Anacleto José Pereira da Silva (exequente);
              Eugenia Rosa de Jesus (executada);
              Alexandre Jose Varella (curador representante da executada).

              Resumo:
              Este processo se trata de uma execução de sentença referente a um libelo cível anterior — datado em 1826 —, anexado em forma de traslado. Na ação original, dona Eugenia Rosa de Jesus é nomeada como viúva devedora, em referência ao falecimento de Anacleto Luis Ignacio da Costa e as dívidas deixadas por ele. Essas pendências se originaram no momento em que o chamado Costa se estabeleceu em terras do autor, Anacleto José Pereira da Silva, e atrasou parcelas dos impostos sobre o bem de raiz e as pessoas escravizadas.

              Com isso, o objeto de disputa no libelo era o valor de 911$062 (novecentos e onze mil, sessenta e dois réis), quantia essa que já havia sido resultado de ajustes por conta do falecimento de Costa. Ao decorrer do processo, dona Eugenia é descrita como “demente”, “louca” e “desavisada”, tendo um curador para representá-la. As contas correntes do autor e do falecido foram anexadas como prova da dívida; com isso, o juiz requereu o pagamento integral da pendência e das contas do libelo, por parte da viúva.

              Apesar do país já ser independente de Portugal, a época existia certa divisão administrativa entre a Justiça da Terra e a de Fora, como evidenciado na página virtual de número 42: “[...] o author, lançado demais prova, tanto da terra quanto de fora, a inquirição aberta e pública [...]”.

              Já no processo de execução da sentença, em 1829, um auto de penhora nos bens do casal devedor é iniciado, visando o pagamento da quantia requerida e das custas do processo anterior. Os bens avaliados, que constavam na lista de herança do falecido, foram moradas de casas, oratórios de madeira com imagens religiosas, jóias, mobília, caixas e covados (antiga unidade de medida) de tecidos coloridos. Constam duas pessoas escravizadas no arrolamento: Rita, mulher descrita como preta de nação Cabinda, e seu filho Damião, designado como crioulo.

              Durante o processo, algumas alterações de nomenclatura acontecem: a freguesia de São Miguel da Terra Firme é elevada à categoria de “vila de São Miguel”, e a comarca da llha de Santa Catarina passa a se chamar de “Comarca do Norte”. Outros credores do falecido abrem petição para requererem seus respectivos pagamentos.

              Após avaliada, parte da herança foi arrematada em hasta pública. O processo é concluído com o reconhecimento dos pagamentos advindos da arrematação, a partir de recibos e traslados de conhecimento de siza. A ação é julgada por sentença, em que foi requerido pelo juiz o rateio do valor entre os credores.

              Atuaram no processo:
              advogado José Joaquim Bernardes de Moraes;
              avaliador alferes José Francisco da Silva Serpa, alferes;
              avaliador Vicente Francisco Pereira;
              coletor Antonio Ignacio Pereira;
              curador da herança Alexandre Gonçalves da Luz;
              curador da herança e procurador Jose Joaquim da Costa;
              credor major José Pereira da Silva;
              credora Maria Rosa dos Serafins;
              escrivão de órfãos Amancio José Ferreira;
              escrivão José Manoel de Araújo Roslindo;
              escrivão Manoel Antonio de Souza Medeiros;
              juiz de fora major Floriano Eloy de Medeiros;
              juiz de fora major Francisco Antônio Cardoso;
              juiz de fora Manoel Moreira de Souza Meirelles;
              juiz de órfãos Jose Fernandes Jorge;
              juiz Henrique de Azevedo Leão Coutinho;
              juiz João de Amorim Pereira;
              juiz municipal José Joaquim Jorge Gonçalves;
              meirinho Antonio Silveira de Souza;
              porteiro dos auditórios e pregoeiro Epifanio Ferreira dos Santos;
              porteiro dos auditórios e pregoeiro João Ignácio da Silva;
              procurador Antonio Pinheiro Guedes;
              procurador Jose Joaquim Dias;
              procurador Luiz Antônio de Souza;
              procurador Luiz da Silva;
              tabelião Polidoro d’Amaral e Silva.

              Localidades relevantes:
              cidade do Desterro (atual município de Florianópolis, Santa Catarina);
              cidade do Rio de Janeiro;
              comarca da Ilha de Santa Catarina;
              freguesia de São Miguel da Terra Firme (atual município de Biguaçu, Santa Catarina);
              rio Bÿguaçú (rio Biguaçu, Santa Catarina);
              rua da praia.

              Compõem o processo:
              auto de penhora;
              autos de praça;
              carta precatória;
              contas;
              correição;
              petições;
              procurações;
              recibos;
              sentenças;
              termo de declaração;
              termo de obrigação;
              termo de substabelecimento;
              termos de avaliação;
              termos de juramento;
              traslado de libelo cível;
              traslados de conhecimento da siza.

              Variação de nome:
              comarca do norte;
              vila de São Miguel.