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          BR SC TJSC TRRJ-67935 · Processo · 1852
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Lages - 1852 - José Coelho de Ávila e José Riosca (Translado).

          Autor: A Justiça.
          Réus: José Coelho de Ávila e José Riosca.
          Homicídio.
          Vítima: Preto Forro Reginaldo.
          Vila de Lages, Segunda Comarca da Provincia de Santa Catarina.
          Juiz: José Joaquim de Magalhães Menezes.
          Delegado de polícia: Guilherme Riken.
          Escrivão interino: Anjos Júnior.
          Escrivão interino: Generoso Pereira dos Anjos Júnior.
          Escrivão: José Luiz Pereira.

          Juiz Antônio Pereira dos Santos.
          Coronel Manoel Rodrigues de Souza.
          Major Antônio Benedito dos Santos.
          Tenente Coronel Souza.

          Outros locais:
          Campos da Chácara do Tenente Coronel Souza, além da Ponte Grande, no subúrbio desta vila.
          Província de São Pedro do Sul.
          Província de São Paulo.
          Província de Minas Gerais.
          "Lapa" (talvez a Lapa no PR, fronteira com SC).
          Chácara de Tenente Coronel Manoel Rodrigues de Souza.
          Cidade de Curitiba, então província de São Paulo.

          Outros nomes:
          José Coelho d"Avila.
          Capitão Manoel Leite.
          João Ferreira da Maia.
          Antônio Castanheiro.
          Manoel José de Sant'Ana.
          Manoel Correia de Oliveira.
          Preto Clemente Paulo Maria.
          Antônio Riken de Amorin.
          João Nunes de Sequeira.
          Mulher de nome Clara que mora no "Quarteirão dos Índios".
          Leandro de Matos.
          João Ferreira de Maia.
          Clemente Paulo Maria.
          Manoel Barriga Verde.

          Obs.: translado utilizou-se dos dois lados da folha. A tinta ferrogálica transpassa o processo e, por vezes, dificulta a leitura.

          Tribunal da Relação do Rio de Janeiro
          Testamento de Joaquim José Ribeiro do Amaral
          BR SC TJSC TRRJ-31518 · Processo · 1860
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Testamento feito na Comarca de Lages

          Partes do testamento: Joaquim José Ribeiro do Amaral (falecido); Elizeo José Ribeiro do Amaral (testamenteiro);

          Descrição: O processo consiste na apresentação de um testamento para ser validado o processo de partilha. Na escrita do testamento, o falecido determinou seu filho, Elizeo José Ribeiro do Amaral como testamenteiro. Entre os bens listados no testamento, há a menção de pagamento de quantias de dinheiro, dívidas; e a alforria de dois escravizados, Firmiana e Adão. O restante do processo consiste na validação do testamento apresentado, contando com diferentes testemunhos para dar inicio ao processo de partilha.

          Ex-Escravizados: Firmiana; Adão;

          Localidades: Lages; Desterro; Santo Antônio da Patrulha; Província do Rio Grande do Sul;

          Atuaram no processo: Escrivão Theodorio José Corrêa; Tabelião Joaquim do Amaral e Silva Ferrão; Advogado Polidoro do Amaral e Silva; Promotor Antonio Ricken de Amorim; Juiz José Nicolau Pereira dos Santos;

          Variação de nome: Elizio José Ribeiro;

          Tribunal da Relação do Rio de Janeiro
          Sumário crime do escravizado Silverio
          BR SC TJSC TRRJ-20365 · Processo · 1851-1864
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de sumário crime de ferimento realizados na vila de Lages, na época sob a segunda comarca da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          A Justiça (autora);
          Silverio (réu);
          Joze Elias Monteiro (vítima).

          Resumo:
          Neste processo, A Justiça move um sumário crime contra o réu Silverio (descrito alternadamente como “mulato”, “preto” e “negro”), por ter agredido Joze Elias Monteiro. O fato criminoso ocorreu no dia 9 de agosto de 1851, durante uma viagem de Curitiba à comarca de Lages.

          O processo se inicia com um documento através do qual o inspetor de quarteirão participa (informa) ao delegado de polícia que recebeu uma denúncia, feita por Pedro Pereira Bueno. Na denúncia, Silverio foi acusado de ter dado duas machadadas na cabeça de Joze Elias Monteiro. O ferimento não resultou na morte da vítima, mas a deixou gravemente ferida.

          O informe do inspetor ainda diz que, no dia seguinte (10 de agosto de 1851), a vítima esteve acompanhada de Antonio Alves Cardozo, João Vicente, e Jenoario Alves. Jenoario, por sua vez, trouxe mais três pessoas consigo: Pedro Pereira Bueno, o escravizado Fidencio (descrito como “pardo”), e um menino de 12 anos de idade, de nome Saturnino Pinto da Silva (ex-escravizado liberto, descrito como “pardo”). Fidencio era escravizado por Felissimo Monteiro, irmão de José Monteiro; José alugou o escravizado de seu irmão. O texto do informe, embora incoerente, menciona armas, roupas, e a “aparição” de jóias de ouro. O documento conclui dizendo que a vítima, Joze Elias Monteiro, encontrava-se na casa de Antonio Rodrigues Morais, e que o réu foi encaminhado à prisão.

          Na sequência, foi realizado um auto de exame e corpo de delito, onde foi examinada a condição física de Joze Elias Monteiro após os ferimentos nele imprimidos. Foram nomeados dois peritos para a realização do exame. No exame, identificaram três ferimentos, feitos com o “olho” do machado. A arma do crime já estava confiscada, em poder do delegado polícia.

          Depois disso, foram citadas 5 testemunhas para oferecerem seus depoimentos.

          A primeira testemunha, na pessoa de Pedro Pereira Bueno, disse que era camarada da vítima Joze Elias Monteiro, que por sua vez era seu patrão. Estavam retornando juntos da província de São Paulo para a vila Lages. Traziam consigo o garoto Saturnino, e também os escravizados Fidencio e Silverio, escravizados por Joze Elias Monteiro. Durante a viagem, pousaram em Curitibanos, onde montaram acampamento.

          Em certo momento, Pedro Bueno foi tomar banho em uma lagoa, na companhia de Saturnino e Fidencio. Joze Monteiro e Silverio ficaram sozinhos; Joze ficou na barraca, enquanto Silverio picava lenha com o machado. Alguns momentos depois, Pedro Bueno relatou que Silverio foi até a lagoa enquanto ele testemunha e os outros estavam tomando banho; e disse que Silverio o chamou para ver o seu companheiro, pois ele o havia matado. O depoente alegou que Silverio lhe apareceu munido de uma pistola, duas facas e um relho de estoque que Pedro Bueno reconheceu pertencerem a Joze Monteiro. Essa cena deixou Pedro horrorizado, pois ele não tinha trazido nenhuma arma para a viagem, logo estava indefeso. Em seguida, Pedro foi até a barraca, enquanto Silverio pulou no lombo de um cavalo encilhado e fugiu.

          Ao chegar na barraca, junto com Fidencio e Saturnino, Pedro Bueno viu seu patrão Joze Monteiro estirado no chão, inconsciente e ensanguentado, e acreditou que ele estava morto. Pedro foi relatar o acontecido ao inspetor de quarteirão de Curitibanos; ao retornar, percebeu que a vítima ainda estava viva.

          Além disso, o depoimento de Pedro Bueno esclarece o que ficou nebuloso no informe do inspetor, referente às roupas e ao ouro: Silverio, quando fugiu, levou consigo algumas onças de ouro e roupas de Joze Monteiro.

          O terceiro depoente narrou que um homem, descrito como “mulato”, apareceu à porta de sua casa com um cavalo, cansado. Ele pediu ao depoente se ele tinha um cavalo disponível para troca, ao que o depoente lhe respondeu que não dispunha. Porém, sem desconfiar, tampouco saber do fato criminoso naquele momento, não deu muita atenção ao homem. Apesar disso, notou que o homem a cavalo tinha uma pistola na cintura, e que ele estava apressado.

          O quinto depoente relatou que Fidencio foi à sua casa e lhe contou do crime, dizendo que Silverio havia fugido após cometer o delito. Nesse momento, ele confirmou que também viu Silverio com armas, acessórios e roupas de José Monteiro. O depoente imediatamente montou em seu cavalo e foi à cena do crime, onde se deparou com Pedro Bueno e o garoto Saturnino, que tentavam mover a vítima, José Monteiro, para uma cama que haviam improvisado. O testemunhante levou José Monteiro para sua casa, onde permaneceu alguns dias, até ser levado para a casa de Fermina de tal.

          As outras testemunhas alegaram ter ficado sabendo do fato criminoso por ouvirem dizer, mas sem tê-lo presenciado. Em seguida, o juiz ordenou que o escravizado Fidencio e o menino Saturnino fossem intimados pelo escrivão para prestar depoimentos, na forma de testemunhas informantes.

          Saturnino disse que, na hora em que estavam acampados, foi buscar água em um arroio mato adentro, de modo que não tinha como ver a barraca. José Monteiro estava sentado no acampamento no momento da saída de Saturnino. Quando o garoto voltou com um recipiente cheio de água, viu José Monteiro estirado no chão e com muito sangue vertido; nesse ínterim, Silverio apareceu, vindo do mato, e ordenou a Saturnino que ficasse calado, ameaçando-o de morte caso desobedecesse.

          Fidencio, por sua vez, corrobora os relatos anteriores em que foi dito que ele e Pedro Bueno estavam tomando banho na lagoa no momento em que Silverio apareceu, armado, e anunciou ter matado José Monteiro. O testemunhante, ao ouvir as palavras de Silverio, disse a Pedro: “Também vou matar este diabo!”, referindo-se a Silverio; porém, Pedro Bueno lhe disse: “Não ‘sejes’ tolo, não vê que está todo armado, e que a ti também te pode matar?” (página 32 da digitalização). Apesar de desarmado e dos avisos de Pedro Bueno, Fidencio perseguiu Silverio. O depoente disse que encontrou Silverio pegando o machado, no intuito de agredir José Monteiro novamente. Fidencio gritou, alertando aos outros; Silverio então largou o machado e, com uma faca, cortou a cinta de José Monteiro, coletando-a para si. Silvério também pegou dinheiro de José Monteiro. O réu fugiu da cena antes que Fidêncio pudesse interceptá-lo.

          Terminados os depoimentos, o juiz convocou a vítima José Monteiro e ofereceu-lhe a oportunidade para prestar declarações. A convocação foi feita no dia 1º de setembro, em que a vítima já se encontrava sã o suficiente para prestar declarações. José Monteiro não quis prestar declarações.

          O juiz prosseguiu e, na sentença, julgou que os depoimentos reuniram provas o suficiente para enquadrar Silverio como incurso nos crimes aos quais foi atribuído. O réu foi sentenciado à prisão e livramento, e um mandado foi expedido para a execução da sentença. Silverio, porém, estava foragido.

          Depois da expedição de sentença, o promotor público da comarca desejava que a pena fosse agravada, tornando-se pena de morte. O promotor se baseou no art. 1º da lei nº4 de 10 de junho de 1835, que entre outras coisas previa pena de morte aos escravizados que ferissem gravemente ou matassem seus senhores. Para tal, o promotor público moveu um libelo acusatório.

          O libelo foi admitido, efetivamente aumentando a pena de Silverio. O juiz ordenou que fossem expedidas cartas precatórias para as províncias de São Paulo e Rio Grande do Sul, para localizar e capturar Silverio.

          Atuaram no processo:
          escrivão interino do geral e do júri Generoso Pereira dos Anjos Junior;
          inspetor de quarteirão Egidio Alves da Silva Roza;
          juiz Antonio do Amaral Grugel;
          juiz corregedor Joaquim José Henriques;
          juiz municipal José Nicolau Pereira dos Santos;
          juiz municipal 2º suplente Laurentino José da Costa;
          juiz municipal, juiz de órfãos e delegado de polícia Guilherme Ricken;
          perito João Ferreira da Maia;
          perito Venancio Joze Ribeiro Pires;
          promotor público Antonio Ricken de Amorim;
          promotor público Francisco Honorato Cidade;
          signatário Jorge Trueter;
          signatário Jorge Xavier Vasconcellos;
          signatário Matheus José de Souza;
          subdelegado de polícia Antonio Fellipe Pessoa.

          Localidades relevantes:
          quarteirão dos Curitibanos (atual município em Santa Catarina);
          Vila Nova do Príncipe (atual município de Lapa, Paraná);
          vila de Curitiba (atual município no Paraná);
          vila de Lages (atual município em Santa Catarina);
          província do Rio Grande do Sul (atual estado do Rio Grande do Sul);
          província do Paraná (atual estado do Paraná);
          província de São Paulo (atual estado de São Paulo);
          segunda comarca.

          Compõem o processo:
          auto de exame e corpo de delito;
          contas;
          correição;
          libelo acusatório;
          mandados de intimação;
          participação do inspetor de quarteirão;
          sentença;
          testemunhos.

          Variação de nome:
          quarteirão dos Coritibanos;
          vila de Coritiba.

          Sumário crime do escravizado Militão
          BR SC TJSC TRRJ-10332281 · Processo · 1845
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de sumário crime realizado na vila de Lages, à época sob a comarca do norte da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Justiça (autora);
          Militão (réu).

          Resumo:
          O inspetor Luciano da Silva Palhano abre um processo de Sumário Crime a fim de realizar um corpo de delito em Militão, escravizado de Izaias Pacheco de Quadros. O crime cometido foi uma castração, e o principal suspeito foi Antonio Rodrigues de Andrade, denunciado pelo escravizado em uma inquirição.

          Os examinadores do corpo de delito acharam feridas em sua genitália e em sua cabeça, ambas feitas com faca. O réu encontrava-se em um estado em que não conseguia executar tarefas básicas do dia-a-dia, como montar a cavalo.

          Militão foi avistado com dois escravizados de Antonio Rodrigues de Andrade nos campos, e no caminho foi pego pelo senhor. De acordo com seu depoimento, Andrade colocou uma faca em cima de sua cabeça, o ameaçando de morte se ele reagisse. Após isso, ele deu ordens para que Militão fosse castrado; todavia, os depoimentos divergem sobre quem efetivamente executou as ordens de Andrade. O escravizado conseguiu fugir, mas em estado grave de debilitação.

          O processo contou com testemunhas, em que algumas souberam das violências cometidas contra Militão por ver ou ouvir, e outras disseram não ter conhecimento sobre o ocorrido. Em um dos depoimentos, é alegado que o filho de Andrade culpou outro escravizado pela castração de Militão.

          Foi anexado ao processo o mandado de prisão a Antonio Rodrigues de Andrade. No documento, é mostrado que ele estava em Pelotas na primeira tentativa de prisão.

          O delegado e o juiz municipal responsável pelo processo alegaram que a ação tinha provas insuficientes, e que as testemunhas eram improcedentes por não levarem a uma conclusão. O escravizado Militão foi dado como ausente da província de Santa Catarina, e a municipalidade foi condenada a pagar metade das custas da ação.

          Localidades relevantes:
          Cruz Alta;
          Ilha;
          Pelotas;
          freguesia de Passo Fundo das Missõens (região onde hoje se encontra o atual município de Passo Fundo, Rio Grande do Sul);
          província do Sul (atual estado do Rio Grande do Sul).

          Compõem o processo:
          auto de corpo de delito direto;
          contas;
          correição;
          mandado de prisão;
          sentença;
          testemunhas.

          Atuaram no processo:
          delegado sargento mór Antonio Saturnino de Souza e Oliveira;
          escrivão Constancio Xavier de Souza;
          escrivão de polícia Mathias Gomes da Silva;
          examinador Antonio Jose Vieira;
          examinador tenente coronel Manoel Rodrigues de Sousa;
          inspetor do quarteirão da ilha Luciano da Silva Palhano;
          juiz corregedor Joaquim Jose Henriques;
          juiz municipal primeiro suplente alferes João Thomas Silva;
          juiz de paz e subdelegado Joaquim Rodrigues de Oliveira e Costa;
          signatário Francisco Propicio de Souza;
          signatário Laurentino Jose da Costa;
          signatário Mauricio Jose Pereira da Silva.

          Variação de nome:
          freguesia de Passo Fundo das Missões.

          Ofício de legado de Fermiano Antunes
          BR SC TJSC TRRJ-10766596 · Processo · 1844 - 1850
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de ofício de legado realizados na vila de Lages, na época sob a comarca do norte da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Fermiano Antunes Pereira (falecido);
          Maria Joaquina de Assumpção (favorecida);
          Joaquim (escravizado).

          Resumo:
          Neste processo, o escravizado Joaquim apareceu como parte de uma arrematação após o falecimento de Fermiano Antunes Pereira, seu proprietário. Ele foi avaliado e passou por um processo de pregão em praça pública, arrematado por Daniel Vieira Pedrozo, o qual não foi mencionado novamente no processo após esta etapa. Ao final do processo, Joaquim passou a constar como sendo propriedade de Maria Joaquina de Assumpção.

          Além disso, foi mencionada a expedição de uma "partida" de 30 homens a Campos Novos para combater Fermiano Antunes Pereira e seu irmão Jacinto Antunes Pereira, incriminados como "assassinos", meses antes de seu falecimento. Com a afirmação de que o falecido Fermiano era um criminoso e tinha auxílio de membros de sua família, o escravizado Joaquim foi entregue ao juízo de ausentes.

          Ao decorrer do processo, Jorge Trueter, Joaquim Xavier Nunes e José Jacintho de Oliveira moveram justificações que foram anexadas ao processo. Cientes de que uma quantia em dinheiro oriunda do arrecadamento de Joaquim estava disponível, eles afirmaram que o finado havia deixado dívidas e requerem pagamento. Após a presença de testemunhas e análise de documentos (como cartas e uma conta corrente de despesa), o juiz acatou as petições e requereu que uma parte da quantia fosse separada para que fossem pagas as pendências.

          A parte favorecida na ação, representada por seu procurador, quitou as dívidas mediante a assinatura de um termo de quitação, mas o processo terminou sem sentença final. Este processo, iniciando-se em 1844, foi autuado sob a comarca do norte da província de Santa Catarina; porém, encerrando-se em 1850, passou a ser autuado pela segunda comarca da província.

          Localidades relevantes:
          Campos Novos;
          província de São Pedro do Rio Grande do Sul (atual estado do Rio Grande do Sul);
          vila de Lages (atual município de Lages, Santa Catarina);
          comarca do norte;
          segunda comarca.

          Compõem o processo:
          auto de arrematação;
          autos de justificação;
          avaliação;
          bilhete de praça;
          conta corrente de receita e despesa;
          contas;
          correição;
          procuração;
          quitação;
          sentenças dos autos de justificação;
          termo de juramento.

          Atuaram no processo:
          avaliador Claudiano de Oliveira;
          avaliador Manoel José de Andrade Pereira;
          coletor Luiz Gonzaga de Almeida;
          coletor e delegado major Antonio Saturnino de Souza e Oliveira;
          curador padre João Vicente Fernandez;
          escrivão de órfãos Mathias Gomes da Silva;
          escrivão de órfãos e procurador Generoso Pereira dos Anjos;
          juiz Antonio Caetano Machado;
          juiz de órfãos Guilherme Ricken;
          juiz municipal e de órfãos primeiro suplente alferes João Thomas e Silva;
          pregoeiro dos auditórios Caciano José Ferreira;
          procurador Antonio Caetano;
          procurador Antonio Novais Coutinho;
          procurador Jorge Trueter;
          procurador Manoel Caetano do Amaral.

          Variação de nome:
          pregoeiro dos auditórios Cassiano José Ferreira.

          Libelo Cível de Joanna
          BR SC TJSC TRRJ-45807 · Processo · 1845
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Libelo Cível realizado na Vila de São José, na época sob a Comarca do Sul da Província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Joanna (autora);
          Joaquim de Souza da Costa (réu).

          Resumo:
          Neste processo, a autora Joanna, designada como ""preta forra"" e de nação Benguela, em seu requerimento pede liberdade por sua filha Rita ,designada como crioula, por ela ser menor de idade e também disputa sua guarda com o réu Joaquim de Souza da Costa, designado como “preto”.

          Durante o processo o procurador da autora, Eleutherio Francisco de Souza por meio de um termo de substabelecimento passa seus poderes para Apolinario da Silva.

          Além disso, ocorre que na delação de vinte dias a autora não pôde apresentar suas provas, sendo assim pedido por ela uma segunda delação para que ela possa as apresentar.

          Segundo as testemunhas, Joanna teria sido escravizada por Joaquim Ferreira e que o réu Joaquim de Souza teria pedido dinheiro emprestado para pagar a liberdade da autora. No entanto, ao ser liberta não havia recebido sua carta de alforria. Desse modo, Joanna vai para a residência de João Antonio d’Azevedo e lhe presta serviços para conseguir pagar a emissão do documento. Joanna estava grávida e próxima de dar à luz quando começou a prestar esses serviços.

          Ademais, as testemunhas não sabem ao certo se Joanna teve seu parto na casa do réu ou na casa de João d’Azevedo, mas afirmam que a criança teria sido vendida por João a Joaquim de Souza. Afirmam também que a criança havia sido batizada e apadrinhada por um casal de escravizados cujos nomes não são citados no depoimento.

          De acordo com o depoimento de João Antonio d’Azevedo a autora teria lhe pedido para que a comprasse e que ele havia concordado, tendo pego a obrigação documental com José Antonio Garcia. Ele afirma também ter vendido a filha de Joanna para o réu, o qual era escravizado por Jacinto Garcia. E que Joaquim de Souza teria mandado uma quantia em dinheiro para que Joanna fosse libertada. Ele alega também que Joanna teria saído de sua residência e por isso vendeu a sua filha. As testemunhas alegam que o réu é um homem bom e de boa fé.

          A autora em seu requerimento chama o réu e João Antonio d’Azevedo para uma audiencia em que se conciliem e libertem sua filha, pois a venda da mesma foi feita de modo ilegal. É decidido pelo juiz a conversão da conciliação em sentença, o réu aceita a conciliação e é decretada a liberdade da filha da autora, bem como cobrado um valor específico para indenizar Joanna.

          O procurador do réu apresenta suas disposições, justificando os motivos pelo qual não aceita a sentença feita. Em resposta, na conclusão e sentença fica decretada a liberdade da filha da autora e é rebatida todas as acusações do procurador do réu, bem como apresentadas provas para garantir que Joanna e sua filha Rita são consideradas livres.

          Atuaram no processo:
          escrivão Joaquim Francisco d’Assiz e Passos;
          escrivão de Paz Domingos Antonio Guimarães;
          curador Manoel de Freitas Sampaio;
          curador Marcelino Soares de Sousa;
          juiz municipal e órfãos suplente Luiz Ferreira do Nascimento Mello;
          juiz municipal suplente João Francisco de Souza;
          juiz de paz José da Silva Ramos;
          oficial de justiça Manoel Ignacio Borges;
          oficial de justiça Affonso Pereira;
          procurador Mariano José Coelho;
          procurador Eleutherio Francisco de Souza;
          procurador Marianno José Coelho;
          pregoeiro Joaquim Afonso Pereira;
          reverendo vigário Bernardo da Cunha Bruchado;
          signatário e procurador Apolinario da Silva;
          signatário José Ventura da Silva;

          Localidades relevantes:
          Barreiros;
          Distrito de Rossado (atual bairro de Roçado);
          Picadas do Norte;
          Província do Sul;

          Compõem o processo:
          Juramento ao curador;
          Publicação;
          Termo de substabelecimento;
          Termo de obrigação;

          Variação de nome:
          Joanna Benguela;
          pregoeiro Joaquim Afonço Pereira.

          Justificação de Liandro Gonçalves Pereira e outros
          BR SC TJSC TRRJ-10920 · Processo · 1846 - 1847
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Justificação realizada na vila de São Miguel, na época sob a comarca do norte da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Antonia Pereira (justificante);
          Antonio Pereira de Carvalho (justificante);
          Bernardina Pereira (justificante);
          Constantino Gonçalves dos Reis (justificante);
          Constança Pereira (justificante);
          Carlota Pereira (justificante);
          Escolastica Pereira (justificante);
          Gabriel Gonçalves Pereira (justificante);
          José Gonçalves dos Reis (justificante);
          José Pedro dos Santos Fraga (justificante);
          Liandro Gonçalves Pereira (justificante);
          Matildes Pereira (justificante);
          Maximiana Pereira (justificante);
          Maria Pereira do Amorim (justificante);
          Pedro dos Santos Fraga (justificante);
          Propicia Pereira (justificante);
          Venancio dos Santos Fraga (justificante);
          Zeferina Pereira (justificante);
          Alexandre Gonçalves da Luz (justificado e curador);
          Felisberto Gonçalves Pereira (justificado).

          Resumo:
          Neste processo, é feito o pedido de criação do inventário de Felisberto Gonçalves Pereira, por estar ausente há mais de 30 anos, sem dar notícias à sua família; além disso, não deixou herdeiros e não era casado. O justificado viajou à província do Sul entre os anos de 1811 e 1812 para participar da Primeira Campanha Cisplatina, que ocorreu no vice-reino espanhol do Rio da Prata, região da Cisplatina (atual Uruguai).

          Como o justificado se encontrava ausente, os justificantes abrem o processo a fim de terem acesso a bens provenientes da herança dos seus falecidos pais, comprovando seus parentescos com ele por meio de documentações. Durante a ação, é apresentada a sua certidão de batismo, revelando que Felisberto era natural da vila de Iguape, bispado de São Paulo. Além disso, um curador é nomeado para representar o ausente ao decorrer da justificação.

          Em traslado do inventário e partilha dos falecidos pais, é revelado que o bem adjudicado foi uma casa edificada na rua do Príncipe. Além disso, constam na legítima parte do justificado duas pessoas escravizadas: Thomaz, descrito como mulato, e Agostinho, designado como de menor e crioulo. O processo contou com testemunhas, que corroboram com o fato do justificado ter ido à província do Sul, ter falecido sem matrimônio ou herdeiros e possuir parentesco com os justificantes. Além disso, é revelado que Felisberto fazia parte da primeira linha do batalhão da província de Santa Catarina.

          O processo é julgado por sentença, em que o juiz ordena a entrega provisória do patrimônio, afirmando que, caso o ausente apareça, não sofra míngua no capital de seus bens; além disso, o agente requer pagamento das custas de maneira pro rata.

          Atuaram no processo:
          coletor das rendas nacionais Antonio Ignacio Pereira;
          curador do ausente Alexandre Gonçalves da Luz;
          curador dos menores e procurador Antonio Pereira de Carvalho;
          escrivão de órfãos e ausentes Amancio José Ferreira;
          escrivão eclesiastico Joaquim Caetano da Silva;
          escrivão e tabelião Francisco de Paula Lacé;
          escrivão Manoel Antonio de Souza;
          juiz José Luis Coelho Ramos;
          juiz municipal e curador Antonio de Souza e Cunha;
          juiz municipal e de órfãos quarto suplente Joaquim da Silva Ramalho Mellado;
          partidor Jacintho José Pacheco dos Santos;
          partidor Mathias Gomes da Silva;
          procurador Pedro dos Santos Fraga.

          Localidades relevantes:
          bispado de São Paulo;
          cidade do Desterro (atual município de Florianópolis, Santa Catarina);
          igreja matriz de São José;
          província do Rio Grande de São Pedro do Sul (atual estado do Rio Grande do Sul);
          rua do Príncipe (atual rua Conselheiro Mafra, Florianópolis);
          vila de Iguape (atual município de Iguape, São Paulo);
          vila de Paranaguá (atual município de Paranaguá, Paraná);
          vila de São Miguel (atual município de Biguaçu, Santa Catarina).

          Compõem o processo:
          certidão de batismo;
          contas;
          petições;
          procurações;
          sentença;
          termo de substabelecimento;
          termos de juramento;
          testemunhos;
          traslado de inventário e partilha.

          Inventário e partilha de Anna Joaquina Boenavides
          BR SC TJSC TRRJ-19969 · Processo · 1847-1848
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de inventário e partilha realizados na vila de Lages, na época sob a comarca do norte da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Anna Joaquina Boenavides (falecida);
          Generoso Pereira dos Anjos (inventariante e testamenteiro);
          Felisberto Joaquim do Amarante (inventariante e herdeiro).

          Herdeiros:
          Anna Maria de Boenavides;
          Antonio do Amarante Bicudo;
          Diogo Bicudo do Amarante;
          Felisberto Joaquim do Amarante;
          Francisco Bicudo do Amarante;
          Generosa;
          Henrique Pais de Farias (co-herdeiro);
          Joaquim Bicudo do Amarante;
          Maria;
          Vasco Bicudo do Amarante.

          Resumo:
          Neste processo, o inventariante e testamenteiro Generoso Pereira dos Anjos peticionou que, para que pudesse dar seguimento às disposições testamentárias da falecida Anna Joaquina Boenavides, fossem citados os herdeiros ausentes. Generoso tinha conhecimento de apenas dois herdeiros que estavam em Lages na época; outros herdeiros haviam se ausentado na província do Sul (Rio Grande do Sul) e na província de São Paulo. Além disso, Generoso não tinha conhecimento de todos os bens.

          O herdeiro Felisberto Joaquim do Amarante foi notificado para ser inventariante do inventário da falecida Anna. Desse modo, a atuação de a Generoso é limitada ao papel de testamenteiro no processo, não mais atuando como inventariante e escrivão.

          O testamenteiro pediu, em requerimento, que o escrivão de resíduos passe a certidão do testamento da falecida. No testamento da falecida Anna, são deixados 3 escravizados de nomes Eufrasio, Fidellis (menor de idade), e Lucidoro. Eles são destinados para seus dois filhos, Joaquim e Francisco, e para sua neta Generosa. Foi também deixada uma quantia em dinheiro para as obras da igreja matriz da vila de Lages, bem como para seus netos.

          Em requerimento, o herdeiro Felisberto disse que não poderia ser o inventariante do inventário de sua mãe, pois morava longe da vila de Lages e estava em uma viagem de negócios. Desse modo, o testamenteiro Generoso foi nomeado como inventariante.

          O tabelião Mathias Gomes da Silva decidiu afastar-se de suas funções no processo por conta de contestações feitas pelos herdeiros. Ele foi substituído pelo escrivão de paz José Antonio Botelho.

          Durante o processo é feita arrematação em praça pública dos escravizados de nome Bento, Benevides e Jeremias, e são pagos os autos de praça pelo inventariante Generoso. Além disso, também são pagas aos credores as somas em dinheiro reivindicadas por eles.

          No final, foi realizada a partilha dos bens entre os herdeiros e efetuado o pagamento aos legatários. Por sentença, o juiz aprovou a partilha.

          Atuaram no processo:
          avaliador Jose Candido Coimbra Mayer;
          coletor Luiz Gonzaga de Almeida;
          curador major Antonio Saturnino de Souza e Oliveira;
          escrivão Joaquim Anacleto da Fonseca;
          escrivão geral, tabelião e signatário Mathias Gomes da Silva;
          escrivão de Paz José Antonio Botelho.
          juiz de paz capitão Generoso Pereira dos Anjos;
          juiz municipal, de órfãos e de ausentes Guilherme Ricken;
          partidor Antonio Ricken de Amorim;
          procurador Claudiano de Oliveira Roza;
          procurador Generoso Pereira dos Anjos Júnior;
          procurador tenente-coronel Manoel Rodrigues de Souza;
          reverendo vigário Camillo de Lelis Nogueira;
          signatário Antonio Rodrigues Lima;
          signatário e partidor Jorge Trueter;
          tabelião Joaquim Ribeiro e Silva.

          Localidades relevantes:
          Botucaraí;
          freguesia de Ponta Grossa (atual município de Ponta Grossa, Paraná);
          vila de Lages (atual município de Lages);
          vila da Senhora Sant’Anna de Castro (atual município de Castro);
          cidade de São Paulo;
          igreja matriz da vila de Lages;
          província de São Paulo;
          província do Rio Grande do Sul;
          comarca de Paranaguá e Curitiba;
          comarca do norte.

          Compõem o processo:
          auto de colação;
          carta precatória de 60 dias;
          contas;
          contas de testamento;
          extrato de conta corrente;
          juramento aos bastidores;
          partilhas;
          petições;
          recibos;
          relação da conta;
          sentença;
          termos de aceite;
          termos de declaração;
          termo de juramento ao curador;
          termo de juramento aos louvados;
          termo de louvação;
          termo de substabelecimento;
          título de herdeiros.

          Variações de nome:
          Anna Eufrasia Boenavides;
          Francisco Bicudo d’Assunção
          Joaquim Bicudo;
          Joaquim José do Amarante;
          Vasco Bicudo;
          Vasco Joaquim do Amarante;
          Botucarahy;
          vila de Castro;
          província do Sul.

          BR SC TJSC TRRJ-29009 · Processo · 1844 - 1864
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de inventário e corpo de delito realizados na vila de Lages, na época sob a comarca do norte da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Francisco Fernandes Lemos (falecido);
          Anna Maria do Amaral (inventariante).

          Herdeiro:
          João.

          Resumo:
          Anna Maria do Amaral abre um processo de inventário após o falecimento de seu marido, Francisco Lemos Fernandes. Como o falecido deixou um filho menor de idade, a ação contou com a nomeação de um curador. Os bens inventariados foram animais e ferramentas. Além disso, são citadas dívidas ativas e passivas deixadas pelo finado. Consta no processo uma menina escravizada de nome Anna, designada como crioula, em que é requerida escritura de compra e venda de sua pessoa por parte da Fazenda Provincial.

          Após avaliados, os bens passaram por um processo de partilha, e parte do patrimônio foi separada para pagamento das pendências. O juiz julga a ação por sentença e notifica Duarte Munis Fogaça, o avô do herdeiro menor, para assinar termo de tutoria. Ao decorrer da ação, é anexado um inventário provisório com data anterior ao inventário principal; nele, constam bens como créditos em dinheiro, receita da compra de uma fazenda, instrumentos de equitação, prataria, vestimentas e outros animais.

          Além do inventário, foi anexado um corpo de delito direto para o finado. É revelado que Francisco foi enlaçado nas pernas e no pescoço no momento de seu falecimento, além de ter sido encontrado com assaduras no corpo. O processo contou com testemunhas, que afirmam seu desaparecimento durante uma comitiva e seu falecimento causado por um acidente, caindo de seu cavalo e sendo arrastado por ele enquanto era atado por seu próprio laço.

          Mais tarde, o tutor do herdeiro menor falece e é substituído por Antonio Munis de Moura. A ação foi julgada por sentença, em que o juiz liquida as contas do ex-tutor e as passa para o novo representante. O processo é concluído com uma nova nomeação para tutoria em Athanazio Subtil de Oliveira.

          Atuaram no processo:
          avaliador e procurador alferes Antonio Felipe Pessoa;
          avaliador Ricardo Alves da Silva;
          coletor tenente Luiz Gonzaga de Almeida;
          curador geral padre João Vicente Fernandes;
          depositário perito e signatário Domingos Rodrigues Nunes;
          escrivão da correição e de órfãos Generoso Pereira dos Anjos;
          escrivão do juízo de paz José Prestes Guimarães;
          escrivão do juízo João Chrysostomo de Oliveira;
          escrivão Mathias Gomes da Silva;
          juiz de direito em correição Joaquim Jose Henriques;
          juiz de órfãos e ausentes Antonio Rodrigues Pereira;
          juiz de órfãos Guilherme Ricken;
          juiz de paz Bernardo Castanho da Rocha;
          juiz de paz e signatário Bernardo Castanho da Rocha;
          juiz municipal e de órfãos Antonio Caetano Machado;
          juiz municipal e de órfãos primeiro suplente alferes João Thomas e Silva;
          partidor Generoso Pereira dos Anjos Junior;
          partidor Lionel Caetano Machado;
          perito Bento José Labre;
          procurador major Antonio Saturnino de Sousa e Oliveira;
          signatário Domingos Leite.

          Localidades relevantes:
          comarca de missões;
          comarca do norte;
          distrito de Cruz Alta (atual município de Cruz Alta, Rio Grande do Sul);
          província do Rio Grande de São Pedro do Sul (atual estado de Rio Grande do Sul);
          vila de Lages (atual município de Lages, Santa Catarina);
          vila do Espirito Santo.

          Compõem o processo:
          auto de partilha;
          autos de contas;
          autos de inventário provisório;
          autos de tomada de contas do tutor;
          contas;
          correições;
          declaração;
          escritura de compra e venda;
          termo de inventário provisório;
          termo de louvação;
          termos de juramento;
          termos de tutoria.

          Variação de nome:
          Francisco Lemos Fernandes;
          juiz municipal e de órfãos Antonio Caetano Maxado;
          partidor Lionel Caetano Maxado.

          Inventário de Victoria Maria de Jesus
          BR SC TJSC TRRJ-13352 · Processo · 1848-1857
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Inventário realizado na vila de São José, na época sob a comarca do sul da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Victoria Maria de Jesus (falecida, inventariada);
          Francisco Lourenço de Medeiros (inventariante e herdeiro).

          Herdeiros:
          Francisco Antonio da Cunha;
          Joaquina Rosa de Medeiros;
          Joaquim Marques;
          José Antonio de Medeiros;
          Lauriana Rosa de Jesus;
          Felizarda;
          Maria;
          Silvana;
          Eleutherio Jose de Andrade e Passos (co-herdeiro);
          Florencio Gomes de Castro Campos (co-herdeiro);
          Francisco Pereira d’Avila (co-herdeiro);
          Joaquim de Quadros (co-herdeiro);
          João de Souza Freitas (co-herdeiro);
          José Lopes do Nascimento (co-herdeiro);
          Mathias Silveira de Matos (co-herdeiro);
          Theodoro de Quadros (co-herdeiro);
          Lourenço Duarte de Medeiros (ausente);
          Angelica Maria (falecida);
          Marcio Antonio de Medeiros (falecido).

          Herdeiros (netos da inventariada):
          Manoel (filha de Lourenço Duarte de Medeiros);
          Clara (filha de Lourenço Duarte de Medeiros);
          Delfina (filha de Lourenço Duarte de Medeiros);
          Domingos (menor de idade, filho de Lourenço Duarte de Medeiros);
          Elizia (menor de idade, filha de Lourenço Duarte de Medeiros);
          Maria (filha de Lourenço Duarte de Medeiros);
          Jezuina (filha de Lourenço Duarte de Medeiros);
          Laurindo Antonio de Medeiros (filho de Lourenço Duarte de Medeiros);
          Bernardina (filha de Angelica Maria);
          Francisco Antonio da Cunha (filho de Angelica Maria);
          Luisa (filha de Angelica Maria);
          Bernardina (filha de Marcio Antonio de Medeiros);
          Luisa (filha de Marcio Antonio de Medeiros);
          Luiz (menor de idade, filho de Lourenço Duarte de Medeiros);
          Maria (filha de Marcio Antonio de Medeiros).

          Resumo:
          Neste inventário, foram inventariados os bens da falecida Victoria Maria de Jesus por seu filho, o inventariante Francisco Lourenço de Medeiros. Victoria faleceu sem deixar testamento, e seus bens estavam dispersos.

          Entre os herdeiros, foram incluídos os netos dos herdeiros de nomes Angelica Maria, Marcio Antonio de Medeiros, Lourenço Duarte de Medeiros, que eram já falecidos quando da autuação deste inventário.

          A primeira descrição de bens do inventário (páginas 11 a 19 da digitalização) é constituída de talheres de prata; um forno, ferramentas e utensílios domésticos de cobre; mobília, dentre as quais foram também incluídos um oratório com imagens religiosas, um tear e um carro; uma plantação, descrita como uma “roça” de mandioca; dois animais (um boi de serviço e um porco); e, por fim, dívidas ativas e passivas. Há também 9 escravizados, homens e mulheres, listados entre os bens: Antonio, Januario, João, José, Inocencio (que possui um ferimento na virilha e na região genital), Laurindo, Paulina, Vicencia, e Thereza. Em segunda avaliação de bens, todos os escravizados são descritos como “crioulos” (páginas 73 a 75). Por fim, são listadas uma casa, uma propriedade de terras e um engenho de farinha, todos situados nas localidades de Cubatão e nas proximidades do rio Cubatão.

          Depois desta primeira avaliação, a herdeira Joaquina Rosa de Medeiros, irmã do inventariante, afirmou que o inventariante esqueceu de incluir uma propriedade de terras para a descrição e avaliação dos bens, e requereu (páginas 23 a 24) que este bem fosse incluído no inventário. A propriedade fazia frentes na rua da Esperança, situada na vila de São José, e foi logo descrita e avaliada.

          Em seguida, o curador de órfãos Manoel de Freitas Sampaio pediu vista da avaliação de bens (páginas 30 a 32 da digitalização), dizendo que o avaliador João Marcos Pereira de Andrade era compadre e amigo próximo do inventariante; logo, a sua avaliação teria sido tendenciosa, e tal avaliador deveria ser considerado suspeito por parcialidade. Como exemplo, ele acusou o avaliador de ter diminuído indevidamente o valor de um boi de serviço, cotando-o em apenas 24.000 réis (24$000), sendo que ele deveria valer talvez o dobro daquele preço. O curador também afirmou que os escravizados tiveram seus valores subestimados na avaliação (exceto por Antonio e Inocencio).

          Após isso, o inventariante Francisco Lourenço de Medeiros apresentou um requerimento (páginas 38 a 40) onde contrapôs estas demandas de sua irmã e do curador de órfãos. Respondendo à irmã, Francisco afirmou que ela sequer poderia requisitar a inclusão de seu bem no inventário, pois já estava em posse dele há dez anos. O inventariante foi além, dizendo que a herdeira nem mesmo poderia constar dentro do rol de herdeiros, pois previamente já possuía participação nos bens inventariados, comprovado mediante uma escritura de quitação e pagamento (“escritura de quita e paga”). Alegou, ainda, que a sua adesão ao título de herdeiros poderia configurar fraude e prejuízo aos outros irmãos herdeiros.

          Na sequência, Joaquina respondeu ao seu irmão inventariante (páginas 51 a 53), onde afirmou que não desistiria de seu direito à posição de herdeira. Ela alegou que a escritura era inválida e de efeitos nulos; isso porque as terras possuíam, na escritura, 23 braças de frente — mas, atualmente, Joaquina desfrutava apenas de 21,5 braças, pois uma estrada foi aberta pelo então fiscal da comarca da vila de São José, alterando as dimensões da propriedade.

          Outros herdeiros foram convocados (páginas 53 a 66) para se manifestar sobre a situação, e dividiram-se entre os que apoiaram e os que se opuseram ao direito de Joaquina participar do inventário. Depois disso, o curador de órfãos se manifestou, dizendo que a autuação do inventário não era o lugar adequado para resolver esta disputa, que deveria ser encaminhada à via ordinária. Desse modo, ele decidiu por manter a herdeira no rol dos herdeiros e deu seguimento ao inventário. Foram então nomeados novos avaliadores pelo curador de órfãos, para dar seguimento à nova avaliação (páginas 67 a 77). A avaliação descreveu os mesmos bens anteriormente listados, atribuindo-lhes novos valores.

          Após a segunda avaliação, o inventariante atesta que o herdeiro Lourenço Duarte de Medeiros estava ausente há muitos anos, em lugar incógnito. Assim, requereu a nomeação de um curador para representá-lo; o juiz decidiu nomear o curador de órfãos Manoel de Freitas Sampaio para ser incumbido dessa função.

          As despesas do tratamento da inventariada, enferma durante seu leito de morte e cuidada pelo seu genro Mathias Silveira de Matos, foram incluídas no inventário. O curador, aprovando a segunda avaliação, anulou sua impugnação do processo (páginas 91 a 92).

          Os bens procederam, então, ao auto de partilha (páginas 101 a 161), onde foram distribuídos os quinhões dos herdeiros. Sem oposição de parte alguma, o juiz passou a sentença (páginas 165 a 166), em que aprovou a partilha e cobrou do inventariante o pagamento das custas do processo. O juiz também reservou aos herdeiros o direito de questionar a partilha em caso de discrepâncias.

          O processo contém um juramento de tutela (página 170), em que o inventariante Francisco Lourenço de Medeiros jurou bem e fielmente exercer o cargo. A tutela tem o intuito de prover para os herdeiros menores de idade.

          Em seguida, Luiza Antonia dos Santos, viúva de Antonio Lourenço Duarte de Medeiros, veio a juizo para tratar da tutela de seus filhos menores Elizia e Luiz. Por ser muito pobre, ela peticionou para prestar contas de suas despesas com a subsistência de seus filhos e de um escravo que possuía (páginas 173 a 178).

          Ao final, com o inventário visto em correições (páginas 180 e 189), nas quais o juiz corregedor apontou algumas irregularidades referentes à colação dos bens durante as partilhas, mas sem prejuízo aos efeitos do processo.

          Atuaram no processo:
          avaliador Antero Silveira de Souza;
          avaliador Antonio José Martins;
          avaliador Florentino José d’Espindola;
          avaliador João Marcos Pereira de Andrade;
          avaliador José Antonio de Pinho;
          avaliador José da Silva Ramos;
          avaliador José Pereira de Medeiros;
          avaliador e signatário Constancio José da Silva Pessoa;
          curador de órfãos Manoel de Freitas Sampaio;
          escrivão de órfãos Francisco Xavier d’Oliveira Camara;
          juiz Patricio Marques Linhares;
          juiz corregedor João José de Andrade Bento;
          juiz municipal de órfãos suplente João Francisco de Souza;
          juiz de órfãos suplente Domingos José da Costa Sobrinho;
          juiz de órfãos Francisco Honorato Cidade;
          partidor Duarte Vieira da Cunha;
          partidor Joaquim Lourenço de Souza Medeiros;
          tabelião público do judicial e de notas João Antonio Lopes Gondim;
          vigário Joaquim Gomes de Oliveira Paiva.

          Localidades relevantes:
          rua da Esperança (situada na vila de São José);
          Cubatão (atual bairro da Guarda do Cubatão, Palhoça, Santa Catarina);
          Forquilhas (atual bairro em São José, Santa Catarina);
          Sertão do Maruim (atual localidade no município de São José, Santa Catarina);
          Várzea do Braço de São João;
          freguesia nova do Triunfo (atual município de Triunfo, Rio Grande do Sul);
          freguesia de São José (atual município de São José, Rio Grande do Sul);
          vila de São José (atual município de São José, Rio Grande do Sul);
          cidade de Laguna (atual município de Laguna, Santa Catarina);
          província de São Pedro do Sul (atual estado do Rio Grande do Sul);
          continente do Rio Grande do Sul (atual estado do Rio Grande do Sul);
          comarca do sul.

          Compõem o processo:
          auto de contas tomadas;
          auto de partilha;
          certidão de batismo;
          conta;
          correições;
          descrição e avaliação dos bens;
          petições;
          recibos;
          requerimentos;
          segunda avaliação dos bens;
          sentença;
          termo de desistência;
          termo de juramento de curador de órfãos;
          termo de juramento de partidores;
          termo de juramento de tutor;
          termo de obrigação;
          termos de avaliação;
          termos de declaração;
          termos de juramento de avaliadores;
          título de herdeiros;
          traslado de escritura pública de quitação e pagamento de herança.

          Variações de nome:
          Francisco Antonio de Medeiros (inventariante);
          Vitoria Maria de Jesus (falecida);
          avaliador João Marcos Pereira d’Andrade;
          Cubatam;
          Sertão de Maruhy;
          Varzia do Braço de Sam João;
          vila de Sam José;
          provincia de Sam Pedro do Sul."