Escravidão

Área de elementos

Taxonomia

Código

Nota(s) de âmbito

    Nota(s) de fonte(s)

      Nota(s) de exibição

        Termos equivalentes

        Escravidão

          Termos associados

          68 Descrição arquivística resultados para Escravidão

          68 resultados diretamente relacionados Excluir termos específicos
          Arrecadação de Bens de Francisco de Quadros
          BR SC TJSC TRRJ-20540 · Processo · 1853
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Arrecadação de bens do africano liberto Francisco Quadros, feito em Desterro em 1854, parte da Primeira Comarca;

          Partes:
          Francisco de Quadros (arrecadado);

          Descrição:
          Arrecadação de bens do africano liberto Francisco Quadros, descrito como de “nação Benguela” e conhecido pelo apelido de Francisco Pombeiro. É válido destacar que o apelido indica a profissão de Francisco, possivelmente por ser um comerciante ambulante, mas o termo pode também fazer referência a comerciantes que auxiliavam os traficantes na África, ou que faziam buscas pelo interior à serviço da lei.
          Do falecido, foram listados os seguintes bens: três tabuleiros velhos (para a venda de produtos), mobília, vestimenta, caixas, um telheiro (também para vendas) em espaço alugado por dona Luiza Maria Barboza., uma pequena morada de casas na rua da Tronqueira.
          Aparecem, ao longo do processo, algumas dívidas acumuladas. Uma pessoa descrita como “preto liberto” de nome Feliciano dos Passos, pede restituição pelos gastos com o enterro de Francisco. Henrique Schutel, Luisa Maria e Maria Luiza Barboza, Laurentino Eloy de Medeiros, Joaquim José Varella e Amaro José Pereira são credores que, individualmente, alugaram uma morada ou um terreno para Francisco. Geralmente ele utilizava estes espaços para montar suas quitandas ou para plantação de alimentos. São citados também empréstimos não pagos, de Francisco José de Oliveira e de Candida Maria da Encarnação. Explica-se que, com sua gradual debilitação, ele se tornou incapaz de pagar estas dívidas.
          Decide-se que a casa, inicialmente tomada pela Fazenda, deveria ser arrematada junto com os demais bens para o pagamento das dívidas.

          Atuaram no processo:
          juiz Sergio Lopes Falcão;
          escrivão Jose Honorio de Souza Medeiros;
          escrivão; solicitador da Fazenda Candido Gonçalves d’Oliveira;
          curador Caetano d’Araujo Figueiredo Mendonça Furtado;
          avaliador José Porfirio Machado;
          avaliador José Oliveria de Souza;
          avaliador Antonio Cardoso Guimarães;
          avaliador João Correia de Fraga;
          pregoeiro Lucas Rodrigues de Jesus;
          procurador fiscal da tesouraria Polidoro do Amaral e Silva;

          Localidades relevantes:
          Desterro;
          Rua da Palma;
          Rua da Paz;
          Rua da Tronqueira (atual General Bittencourt);
          Rua do Senado (atual Felipe Schmidt);
          Primeira Comarca;

          Compõem o processo:
          Termo de juramento;
          Avaliação de bens;
          Pregão;
          Variação de nome:
          Contratos;

          Assignação de dez dias de José Pereira da Cruz
          BR SC TJSC TRRJ-16662 · Processo · 1851-1852
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Assignação de dez dias realizada na vila de São Miguel, na época sob a primeira comarca da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Angelica Joaquina de Jesus (autora);
          José Pereira da Cruz (réu).

          Resumo:
          Neste processo, Angélica Joaquina de Jesus requer o pagamento de uma dívida por parte do capitão José Pereira da Cruz. A autora afirma que o réu lhe deve valores referentes ao inventário de seu falecido marido, Manoel Leite da Silva, e pede ainda que seja estipulado prazo de dez dias para o réu pagar ou se defender. A quantia disputada é de 79$641 (setenta e nove mil, seiscentos e quarenta e um réis), proveniente do valor referente aos bens adjudicados à autora durante a meação e também de algumas despesas feitas durante a antiga ação.

          Ao decorrer do processo, o réu requer um embargo de nulidade afirmando que provará alguns pontos, como a informação da autora não ter anexado documentos válidos para comprovação da dívida e somente ter extraído-os do inventário. Além disso, o embargante conta que o valor da dita pendência já teria sido ultrapassado no pagamento de advogados e agentes da justiça.

          Em réplica ao embargo, a autora afirma que deu dinheiro em moeda para o réu fazer o pagamento das despesas judiciais em que foi incumbido, contrariando a versão do embargante que alegou ter gasto seu próprio dinheiro. Uma cópia dos autos de inventário e partilha de bens do falecido foi anexada, para observar os bens adjudicados na meação.

          O réu anexou recibos de seus gastos com o processo (tabelião, advogado, oficiais de justiça, entre outros) através de um auto de justificação. Durante o depoimento das testemunhas e leitura dos documentos, é citado que 5 pessoas escravizadas estavam inseridas no inventário e adjudicação para a meação: Luiz, Faustina, Jacintho, Manoela e Maria, descritos como crioulos.

          Além disso, é revelado que o réu era o antigo procurador da autora no inventário de seu marido. Os testemunhos se dividem entre a autorização ou não que o réu teria para fazer as despesas judiciais na conta da autora, assim como se algumas pessoas escravizadas citadas teriam permanecido ou não na casa do réu por um longo período de tempo.

          O juiz julga o processo por sentença, em que condena o réu ao pagamento do valor pedido pela autora e requer que sejam exibidas as escrituras que corroboram com a intenção da ação, por parte da suplicante.

          Atuaram no processo:
          escrivão do juízo de paz Alexandre Gonçalves da Luz;
          escrivão interino Antonio Francisco de Medeiros;
          juiz de paz José Francisco Mafra;
          juiz municipal primeiro suplente Joaquim da Rocha Linhares;
          juiz municipal terceiro suplente Luiz Coelho Machado;
          oficial de justiça José Thomé dos Santos;
          pregoeiro dos auditórios Hylario José da Silva;
          procurador Francisco José da Silva;
          procurador Luis Antonio Gomes.

          Localidades relevantes:
          primeira comarca;
          vila de São Miguel (atual município de Biguaçu, Santa Catarina).

          Compõem o processo:
          autos de justificação;
          contas;
          cópia de inventário;
          correição;
          dilação de vinte dias;
          embargo de nulidade;
          petições;
          procurações;
          recibos;
          reconvenção;
          réplica;
          sentença;
          testemunhos.

          Variação de nome:
          Biguassú;
          Joze Pereira da Cruz.

          Auto de Inventário de Felício José de Fraga
          BR SC TJSC TRRJ-18425 · Processo · 1853-1863
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Inventário realizado na villa de São Miguel, na época chamada da Comarca do Norte da Província de Santa Catarina, e no decorrer do processo se chama a Primeira Comarca da Província de Santa Catarina.

          Partes:
          Felicio José de Fraga (inventariado);
          Joaquim da Silva Ramalho Mellado (inventariante).

          Herdeiros:
          Maria Joaquina de Jesus;
          Eufrazia Rosa de Jesus;
          Anna Constantina, herdeira;
          Joaquina (menor);
          Isidora Constantina de Jesus (menor);
          Felicia (menor);
          Perpetua (menor).

          Co-Herdeiros:
          Victorino Antonio;
          Eufrazino da Silva.

          Resumo: Após o falecimento de Felício José de Fragam se é iniciado o auto de inventário, com avaliação e partilha dos bens do mesmo. A esposa do finado já havia falecido anteriormente, com o inventário ficando a cargo de seus testamenteiros; O inventário conta com herdeiros maiores e menores. Entre os bens avaliados constam: utensílios, mobília, ferramentas, ferro, cobre, prata, ouro, "carros", canoas, engenhos de mandioca; engenhos de cana; engenhos de farinha; animais, arma de fogo, roças, terras, sítio, dividas ativas e passivas, além de múltiplas pessoas escravizadas.

          São citadas 17 pessoas escravizadas, de nomes: Cressencia, descrita como parda; Adão, Anna, Antonio, Candido, Custódia, Eva, Francisca, Gracianna, Joaquina, Jozé, Justina, Luiza, Maria, Rufino e Theodoro, todos descritos como "crioulos"; e João, descrito como originário de nação Monjollo.

          O processo segue com a realização da avaliação e partilha dos bens, havendo o pagamento e cobrança de dívidas e aos agentes da justiça. Posteriormente são anexados diferentes processos, entre os quais incluem um "Alvará de licença para casamento"; "Autos de apreensão e arrecadação" dos bens do falecido; "Autos de suspeição" instituído ao juiz por conflitos referentes a herança, sendo este seguido por um abitramento; Sendo ao fim seguido por um "Auto de justificação" requerido pelo procurador Joaquim José Dias de Siqueira, alegando irregularidades referentes ao processo de inventário dos bens do falecido Felício. Todos os autos são dados como conclusos, com as custas sendo devidamente pagas.

          Atuaram no processo:
          escrivão Amancio José Ferreira;
          escrivão João José Vieira N.;
          escrivão interino João Francisco Regis;
          escrivão interino Luiz Antonio Gomes;
          escrivão eclesiástico João Luiz do Livramento;
          tabelião Antonio Francisco de Medeiros;
          tabelião José Manoel de Araújo Roslindo;
          signatário Francisco Gonçalves da Luz;
          signatário Joaquim Silvanio Pereira;
          signatário Domingos Dias da Silveira;
          primeiro testamenteiro Joaquim da Silva Ramalho Mellado;
          segundo testamenteiro Alexandre José Varella;
          terceiro testamenteiro Vicente Rodrigues Pereira;
          tutor Albano Luiz de Souza;
          curador João Antonio Guimarães;
          curador doutor José Maria do Valle Junior;
          avaliador João de Deos da Silva;
          avaliador Jacintho Gonçalves da Luz;
          partidor Manoel Joaquim da Costa Junior;
          partidor Jacintho José Pacheco dos Santos;
          vigário Joaquim Serrano;
          oficial de justiça Paulino Jozé de Mello;
          procurador Joaquim José Dias de Siqueira;
          procurador Jozé Severiano da Silva;
          procurador Luiz Antonio Gomes;
          procurador Salvador Cavalheiro;
          procurador advogado Manoel do Nascimento Ramos;
          coletor de rendas Antonio Carlos de Carvalho;
          juiz Joaquim da Rocha Linhares;
          juiz doutor Sergio Lopes Falcão;
          juiz de órfãos primeiro suplente Alexandre Eloy d'Azevedo Coutinho;
          juiz de órfãos primeiro suplente Antonio Gonçalves Franco;
          juiz de órfãos terceiro suplente Luiz Coelho Machado;
          juiz arbitro Candido Machado Severino;
          juiz corregedor Jozé Christiano Garção Stockler.

          Localidades mencionadas:
          São Miguel (atualmente parte da cidade de Biguaçu);
          Desterro;
          Tijuca Grande;
          Tijuquinhas;
          Praia Grande;
          Porto Bello;
          freguesia de Penha;
          "fazenda do Jordão".

          Compõem o processo:
          Traslado de testamento;
          Relação de herdeiros;
          Juramento ao curador;
          Termo de responsabilidade;
          Termo de louvação dos avaliadores;
          Juramento aos avaliadores;
          Custas, despesas e dívidas;
          Recibos;
          Declarações;
          Juramento;
          Auto de partilha;
          Exordia de partilha;
          Pagamentos;
          Tutela;
          Alvará de licença para casamento;
          Autos de apreensão e arrecadação;
          Autos de "suspeição";
          Arbitramento;
          Termo de desistencia;
          Procuração;
          Autos de justificação.
          Testemunhos.

          Variação de nome:
          escravizada Faustina (crioula);
          escravizado Rofino (crioulo);
          localidade Tyjucas Grandes;
          localidade Tyjuquinhas:
          localidade "Retiro do Jordão";

          Autos de arrecadação de Anselmo de Andrade Castro
          BR SC TJSC TRRJ-25175 · Processo · 1851 - 1852
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de arrecadação realizados na cidade do Desterro, na época sob a primeira comarca da província de Santa Catarina.

          Partes:
          A Justiça (autora);
          Anselmo de Andrade Castro (falecido).

          Resumo:
          O processo informa que Anselmo de Andrade Castro, descrito como preto liberto, foi encontrado morto na estrada pública. É revelado que o finado era novo na cidade, e tinha uma pequena venda. Um auto de corpo de delito foi realizado, mas não houve vestígio referente a um possível assassinato.

          Na véspera de sua morte, Anselmo participou de um terço do Senhor Bom Jesus, vestindo calça e jaqueta e carregando consigo uma faca de prata. Apesar disso, o finado foi encontrado sem pertences ou vestimentas. O subdelegado da freguesia de Canasvieiras realizou uma relação dos bens que estavam na casa do falecido, afirmando também que, pelo local não ser seguro, ele não se responsabilizaria pelo patrimônio.

          Dentre os bens inseridos na relação, destacam-se: carne de charque, potes de açúcar, café, fumo, utensílios domésticos, uma quantia em dinheiro, temperos, mobília, tecidos, vestimentas e animais. Além disso, o falecido deixou algumas dívidas. Após relacionados, o patrimônio do finado passou por um processo de arrematação. A ação se conclui com termo de recebimento e comprovante de pagamento das dívidas deixadas pelo finado.

          Atuaram no processo:
          avaliador Anastácio Silveira de Souza;
          avaliador Thomas dos Santos;
          curador interino dos defuntos e ausentes Candido Gonçalves d’Oliveira;
          escrivão José Honório de Souza Medeiros;
          juiz municipal Agostinho Leitão d’Almeida;
          juiz municipal e de órfãos Sérgio Lopes Falcão;
          pregoeiro Lucas Rodrigues de Jesus;
          procurador fiscal Polidoro Amaral e Silva;
          subdelegado José Henriques da Cunha;
          tesoureiro Laurentino Eloy de Medeiros;

          Localidades relevantes:
          cidade do Desterro (atual município de Florianópolis, Santa Catarina);
          estrada pública;
          freguesia de Canasvieiras (atual bairro de Canasvieiras, Florianópolis);
          primeira comarca;
          província da Bahia (atual estado da Bahia).

          Compõem o processo:
          arrecadação de bens;
          comprovante de débito;
          contas;
          petições;
          pregões;
          relação de bens;
          sentença;
          termo de juramento;
          termo de recebimento.

          Autos de arrecadação de João da Cunha Bitancourt
          BR SC TJSC TRRJ-45266 · Processo · 1852
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de arrecadação realizados na vila de Porto Bello, na época sob a primeira comarca da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          João da Cunha Bitancourt (suplicante);
          Agostinho Alves Ramos (suplicado);
          Ana Maria Ramos (falecida).

          Resumo:
          O coletor das rendas provinciais João da Cunha Bitancourt abre o processo para notificar Agostinho Alves Ramos, viúvo inventariante de Ana Maria Ramos. A ação tem como objetivo a cobrança de impostos não pagos à Fazenda Provincial, em razão do inventário da falecida; para tal, são requeridas arrematações de bens em praça pública, com um prazo de 5 dias para o suplicado tornar-se presente.

          Uma das taxas requeridas era o imposto sobre a compra de Emilia, mulher escravizada designada como crioula. Dentre os bens indicados para a quitação da dívida, constam uma Ilhota de nome “Volta Franzina”, terrenos para edificação e um iate chamado “Sete de Abril”. Alguns recibos são anexados ao decorrer do processo, como comprovante de adjudicação do patrimônio.

          Após a publicação dos editais de praça, os bens foram colocados para arrematação por meio de pregões públicos. O iate e os terrenos obtiveram lances, e os arrematadores tornaram-se presentes para assinar termo de depósito, sendo a ação julgada por sentença pelo juiz. Ao final do processo, é revelado que a ilhota não havia recebido nenhum lançador, sendo necessário notificar o suplicante.

          Atuaram no processo:
          avaliador Francisco Pereira;
          avaliador Jozé Pereira;
          coletor de rendas Mauricio Luis de Campos;
          depositário Antonio José de Medeiros;
          depositário e escrivão Manoel Joaquim Rebello;
          escrivão Antonio Ramos Martins;
          escrivão Cÿpriano Ramos Martins;
          juiz municipal e de órfãos José da Silva Mafra;
          oficial de justiça João Alexandre Teixeira;
          oficial de justiça e pregoeiro dos auditórios José Maria Nunes.

          Localidades relevantes:
          freguesia do Santíssimo Sacramento;
          Itajahi (atual município de Itajaí, Santa Catarina);
          primeira comarca;
          rio Itajaí Mirim;
          vila de Porto Bello (atual município de Porto Belo, Santa Catarina).

          Compõem o processo:
          autos de arrematação;
          autos de praça;
          cópias de editais de praça;
          petições;
          pregões;
          recibos;
          sentença;
          termo de depósito;
          termos de juramento.

          Autos de inventário de Francisco Antonio Adão de Souza
          BR SC TJSC TRRJ-10387855 · Processo · 1851 - 1869
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de inventário realizado na vila de Porto Bello, na época sob a primeira comarca da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Francisco Antonio Adão de Souza (falecido);
          Antonio Pereira Malheiros (segundo testamenteiro e inventariante).

          Resumo:
          Este processo se inicia com o falecimento de Francisco Adão de Souza, sem matrimônio ou filhos. Como o finado deixou somente irmãos ausentes, residentes no Reino de Portugal, a ação contou com a nomeação de um curador para representá-los. Em testamento anexado, consta uma mulher escravizada chamada Catharina, de nação Mina, que deveria ser considerada forra após o falecimento do inventariado. Além disso, é revelado que o inventariado havia falecido em um contexto epidêmico de “caimbras de sangue”, o que pode ser condizente com uma epidemia de cólera ocorrida na época.

          Ao decorrer da ação, o testamenteiro Manoel Antonio Pereira Malheiros abre petição para ordenar a entrega de todos os bens do falecido, retirando eles do depósito e arrecadação judicial. Com isso, ele é considerado competente para ser nomeado como inventariante, dando prosseguimento à ação. O patrimônio entregue ao suplicante foi uma quantia em ouro, em réis, em pesos mexicanos e moedas espanholas, assim como uma caixa com livros e papéis.

          Os bens inventariados foram uma quantia em dinheiro, mobília, objetos de armazenamento (baú, caixas e alqueire), açúcar, armas de fogo, latas de pólvora, chumbo, uma balança, candeeiros, uma guitarra, peças de vestuário, ferramentas, espelhos, equipamentos de montaria, um ferro de engomar, utensílios de cozinha, fechaduras e dobradiças, canivetes, sabão, louça, pentes, tábuas, tecidos, cartas, livros, terrenos e casas. Mesmo após a demanda presente no testamento, de que Catharina deveria ser considerada liberta, os avaliadores a incluem no inventário. São citadas dívidas ativas e passivas deixadas pelo finado, assim como títulos de compra e crédito.

          Após avaliação, são abertos editais de arrematação em praça pública de alguns bens. O curador dos ausentes anexa petição afirmando que somente os bens móveis foram colocados no edital, requerendo então que os bens de raiz, ferragens, itens de armarinho e louça fossem incluídos; nos argumentos do curador, após a ação, parte do valor deveria ser utilizado para abater as dívidas e taxas, enquanto a outra parcela poderia ser utilizada no pagamento da coletoria e curadoria. Os herdeiros ausentes receberam suas legítimas partes, guardadas no Cofre da Fazenda Provincial, e, com isso, deram-se início às arrematações.

          Uma nova petição do curador dos ausentes é anexada, requerendo uma reavaliação dos bens de raiz que estavam incluídos na arrematação. Com isso, é assinado termo de desistência de alguns pregões anteriores e uma avaliação é realizada novamente. Após a ação, o procurador de um credor abre petição pelo fato de que não foram separados bens para o pagamento do suplicante, o que foi atendido.

          Ao longo da ação, o curador interino afirma que a janela de sua casa havia sido arrombada e que alguns recibos de pendências tratadas no processo não se encontravam mais no local. Além disso, o dinheiro pertencente aos herdeiros ausentes também havia sido roubado; o agente afirma que o fato não ocorreu por negligência própria, já que o patrimônio estava guardado conforme os cuidados necessários. Essa justificação é dada por conta do artigo 27 do Regulamento de 9 de maio de 1842, que determina o dever de indenizar, por parte dos funcionários, o Tesouro Nacional, caso haja prejuízos em causas.

          Um auto de corpo de delito é anexado à ação, em que peritos e testemunhas averiguam a casa do curador suplicante. O arrombamento seguido de furto é confirmado, sendo feito através de um instrumento cortante para a abertura das fechaduras, e o corpo de delito é julgado como procedente. Quinze anos após o início da ação, é afirmado que houve pouca atenção aos deveres da lei; o curador, já falecido no momento desta correição, deveria ter prestado contas de sua administração, assim como o novo nomeado após o falecimento seria encarregado de cobrar as dívidas e quinhões dos ausentes – o que não foi feito.

          Ainda em correição, o artigo 11 do mesmo regulamento citado é utilizado; ele afirma o dever e responsabilidade do juiz a respeito de quais indivíduos administrariam o patrimônio arrecadado por falecidos que não possuem herdeiros naturais, cônjuges ou ascendentes. É alegado que esse dever foi confiado primeiramente ao depositário, e não ao curador responsável, como deveria acontecer. Entre outras afirmações, é explicitado também que o direito dos ausentes não foi garantido, já que seus quinhões teriam sido reduzidos à dívidas na partilha.

          Em relação ao furto ocorrido, o juiz corregedor afirma que a ação não poderia ser sancionada sem o pagamento de uma quantia que suprisse o dinheiro levado; com isso, é requerido que esse valor seja cobrado pelos meios competentes. Um novo curador foi nomeado para prestar juramento e declaração das dívidas pendentes, notificando também o testamenteiro para prestar contas. O processo termina com a designação de um prazo de 48 horas para a devida declaração das pendências, por parte do curador. Após isso, é requerido que o escrivão tivesse a responsabilidade de dar continuidade aos procedimentos legais da ação em juízo da correição.

          Atuaram no processo:
          administrador Luiz Francisco de Souza e Conceição;
          avaliador e signatário Antonio Mancio da Costa;
          avaliador Francisco José Ferreira Silva;
          avaliador João Antonio da Costa Junior;
          avaliador José Antonio de Oliveira Costa;
          avaliador José Pereira Malheiros;
          coletor das rendas provinciais João da Cunha Bitancourt;
          curador Antonio José Pereira;
          curador José Mendes da Costa Rodrigues;
          delegado de polícia João Correia Rebello;
          delegado e depositário João Antonio de Oliveira Costa;
          escrivão Cypriano Ramos Martins;
          escrivão de órfãos e ausentes Antonio Ramos Martins;
          escrivão do juízo de paz e partidor Antonio Jose da Porciúncula;
          escrivão do juízo municipal e tabelião Bernardino Antonio de Sena Feltro;
          escrivão interino Domingos Ramos Martins Sobrinho;
          escrivão interino Guilherme Augusto Varella;
          juiz de órfãos José Maria do Valle Junior;
          juiz municipal e de órfãos João Nepomuceno Xavier de Mendonça;
          oficial de justiça e pregoeiro interino Antonio de Souza França;
          partidor major Henrique Etur;
          partidor Pedro Marques Mattozo dos Santos;
          perito Joaquim Jozé de Oliveira Ramos;
          perito Joze Pereira;
          procurador Jose Baptista Pacheco;
          reverendo vigário Macario Cezar d’Alexandria e Souza.

          Localidades relevantes:
          arcebispado de Braga;
          estrada para o Rio;
          freguesia de São Sebastião da Foz de Tijucas Grandes (atual município de Tijucas, Santa Catarina);
          freguesia da Breia de Bornis (atualmente freguesia da Vreia de Bornes, Portugal);
          freguesia de Soutilinho do Monte (atualmente Soutelinho do Monte, parte da freguesia da Vreia de Bornes);
          primeira comarca;
          província de Trás-os-Montes;
          reino de Portugal (atual República Portuguesa);
          Travessão;
          vila de Porto Bello (atual município de Porto Belo, Santa Catarina).

          Compõem o processo:
          auto de alimpação da partilha;
          auto de corpo de delito direto;
          autos de arrematação;
          autos de praça;
          certidões;
          contas;
          correições;
          cópia de carta de édito;
          cópias de edital;
          petições;
          pregões;
          recibos;
          sentenças;
          termo de depósito;
          termo de desistência;
          termo de entrega de bens;
          termos de declaração;
          termos de juramento;
          termos de louvação;
          traslado de testamento.

          Contas de Testamento de Antônio Manoel
          BR SC TJSC TRRJ-8790 · Processo · 1851-1853
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Contas de Testamento realizadas na vila de São Miguel, à época sob a Primeira Comarca.

          Partes do Processo:
          Antônio Manoel (testador);
          Joaquim Jozé Dias de Siqueira (testamenteiro).

          Resumo: O processo se trata de tomada de contas acerca do testamento do falecido Antonio Manoel. Entre os bens do processo são descritas moradas de casas, havendo em sequência declarações, testemunhos e a quitação de contas.

          Atuaram no processo:
          escrivão e tabelião Antonio Francisco de Medeiros;
          signatário Miguel Cardoso da Costa;
          promotor Luis Antonio Gomes;
          oficial de justiça Paulino Jozé de Mello;
          juiz de direito Jozé Christiano Garção Stockler;
          juiz municipal procurador Luiz Coelho Machado;
          juiz e procurador Joaquim José Dias de Siqueira.

          Localidades relevantes:
          vila de São Miguel;
          rio da Tijuca Grande;
          Tijuquinha;
          São Sebastião da Foz do Rio Tijucas;
          reino de Portugal.

          Compõem o processo:
          Petição inicial;
          Declaração;
          Termo de aceite;
          Contas;
          Testemunho;
          Termo de juramento.

          Contas de Testamento de Francisca Clara de Jesus
          BR SC TJSC TRRJ-24969 · Processo · 1853
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Contas de testamento realizadas em Desterro, na época sob a Primeira comarca da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Francisca Clara de Jesus (falecida);
          Antonio Silveira Alves (testamenteiro).

          Resumo:
          Filha legítima de Manoel Silveira Alves e Anna Clara de Jesus, Francisca nomeou para ser seu primeiro testamenteiro Antonio Silveira Alves, seu irmão, que nesta ação prestou contas de sua função como testamenteiro. Antonio informou que as disposições da testamentaria foram cumpridas, portanto a prestação de contas foi devidamente realizada, assim afirmou o promotor dos resíduos, e o juiz julgou o processo por sentença.

          No corpo do processo consta o testamento de Francisca, no qual ela dispôs suas últimas vontades, como doação de dinheiro para o hospital da caridade, bem como deixou liberta a escravizada Lucrécia e seu filho José (ele foi descrito como “aleijado”). Ela deixou determinadas quantias de dinheiro para a Catharina, mulher africana descrita como “preta”, e outros herdeiros/legatários. Além disso, Francisca deixou “esmola” para cada um de seus escravizados.

          Atuaram no processo:
          juiz municipal suplente e comendador Agostinho Leitão de Almeida;
          promotor dos resíduos Francisco José de Oliveira;
          signatário Cândido Gonçalo de Oliveira;
          secretário Anastácio Silveira de Souza;
          signatário Alexandre Correia de Mello;
          signatário José de Oliveira Bastos;
          signatário Francisco Antonio de Lima;
          tabelião/escrivão João Antonio Lopes Gondim.

          Localidades mencionadas:
          Desterro (atual Florianópolis, Santa Catarina);
          freguesia da Lagoa (bairro em Florianópolis, Santa Catarina);
          Mampituba (município do estado do Rio Grande do Sul).

          Compõem o processo:
          testamento;
          termo de aceite.

          Variação de nome:
          tabelião João Antonio Lopes Goudim.

          Contas de Testamento de Laurinda Severina de Souza
          BR SC TJSC TRRJ-17298 · Processo · 1852
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Contas de testamento realizadas na vila de São Miguel, na época sob a primeira comarca da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Joaquim Machado da Luz (testador);
          João Ferreira da Silva (cabeça de casal);
          Laurinda Severina de Souza (testamenteira).

          Resumo:
          Neste processo, foram prestadas as contas relativas ao testamento com que faleceu Joaquim Machado da Luz. O prestador foi João Ferreira da Silva, cabeça de casal de sua esposa Laurinda Severina de Souza. Laurinda era viúva de Joaquim.

          No testamento, Joaquim constata que não teve filhos com Laurinda; portanto, não tinha herdeiros. Joaquim era filho de Francisco Machado e de Maria Catharina; era natural da vila de São Miguel, e residia nas Tijucas. Por não ter herdeiros “forçados” (diretos), Joaquim elege sua esposa e os “enjeitados” (menores órfãos) Maria, Manoel e Anna.

          O testador também descreveu seus bens: terras; um sítio com uma casa coberta de telhas, e outro sítio localizado na Tijuca; animais de criação, trabalho e transporte (duas vacas, quatro bois, um novilho, um cavalo e uma mula); engenhos de açúcar e farinha, com caldeira para produção do açúcar e demais aparatos. Além disso, constam quatro pessoas escravizadas (dois homens e duas mulheres, diferenciados no processo como “machos” e “fêmeas”); seus nomes eram Antonio e Francisco (africanos, ambos de nação Monjolo); Victoria (africana, de nação Rebolo); e Angelica (descrita como “mulata”).

          Além de sua esposa Laurinda, Joaquim nomeou Vicente Francisco Pereira e José Joaquim Dias como segundo e terceiro testamenteiros, respectivamente. O testador declarou seu desejo de ser sepultado na Igreja Matriz da vila de São Miguel, e pediu por uma missa para si no dia de sua morte. Por fim, deixou esmolas a diversos parentes, na forma de uma dobla para cada (antiga moeda) para cada um.

          Em seguida, Laurinda entrou com uma petição para prosseguir ao inventário de seu falecido marido. Foram revisados pagamentos aos legatários e comprovantes de recebimento, referentes aos gastos pendentes do testamento.

          Por sentença, o juiz julgou que as contas do processo foram devidamente tomadas e prestadas; e cobrou que as quitações pendentes fossem sanadas e as custas do processo fossem pagas por Laurinda.

          Compõem o processo:
          contas;
          imposto de taxa de heranças e legados;
          mandado de intimação;
          pagamentos do auto de inventário e partilhas;
          recibos;
          sentença;
          termo de juramento de promotor;
          testamento.

          Localidades relevantes:
          Bobos;
          Tijuca;
          Tijucas (atual município em Santa Catarina);
          Tijuquinhas (localidade do município de Biguaçu, Santa Catarina);
          vila de Porto Belo (atual município em Santa Catarina);
          vila de São Miguel (atual município de Biguaçu, Santa Catarina);
          primeira comarca.

          Atuaram no processo:
          coletor de rendas Antonio Ignacio Pereira;
          escrivão Antonio Carlos de Carvalho;
          escrivão interino Antonio Francisco de Medeiros;
          escrivão de órfãos e promotor Amancio José Ferreira;
          juiz Coelho Machado;
          juiz de direito Joze Christiano Garção Stockler;
          juiz municipal Joaquim da Rocha Linhares;
          juiz municipal 1º suplente Thomé da Rocha Linhares;
          oficial de justiça João dos Santos M.;
          signatário José Joaquim Dias;
          tabelião e signatário José Manoel d’Araujo Roslindo;
          vigário Joaquim Serrano.

          Variação de nome:
          juiz de direito José Christiano Garção Stockler.