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              Inventário de José Budal Arins
              BR SC TJSC TRRJ-82296 · Processo · 1861-1863
              Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

              Inventário realizado na cidade de Nossa Senhora da Graça do Rio de São Francisco Xavier do Sul, na época sob a comarca de Nossa Senhora da Graça da província de Santa Catarina.

              Partes do processo:
              José Budal Arins (falecido);
              Domingos José Prattes (inventariante e testamenteiro).

              Herdeiros instituídos:
              Antonio da Silva;
              Antonio João Vieira;
              Antonio Poncio de Souza;
              Bebianna;
              Carolina;
              Chrispim;
              Cordula Dias da Silveira;
              Domingos Alves Pereira;
              Felisbino José da Silva;
              Fortunata;
              Jacintho José de Souza;
              João;
              João;
              João Francisco Budal;
              Joaquim da Motta;
              Manoel Fernandes de Jesus;
              Miguel de Souza Lopes;
              Salvador de Oliveira.

              Resumo:
              O testamenteiro e inventariante Domingo José Prattes abriu um processo de inventário pelos bens do finado José Budal Arins, que havia falecido viúvo.

              Foi anexado à ação o testamento de José, que revelou não possuir filhos vivos — chamados de herdeiros forçados. Foi pedido que a divisão de seus bens se realizasse entre seus irmãos e sobrinhos, além da doação de uma quantia para a Irmandade do Santíssimo Sacramento.

              Neste documento, foram mencionadas doze pessoas escravizadas, dos nomes: Lourenço, Manoel e Thomaz, descritos como crioulos; Pedro, João, Joanna, Carolina, Bebianna, Ritta e Fortunata, designados como pardos e crioulos; e Catharina e Maria, descritas como pretas e crioulas. José requereu a alforria de todos os citados, deixando parte de suas terras somente para Lourenço, Manoel, Thomaz, Pedro, Catharina, Ritta, Joanna e Maria. Ainda no testamento, o falecido instituiu Carolina, Bebianna, Fortunata e João como seus herdeiros, após serem libertos.

              Os bens descritos na ação foram utensílios de cozinha, objetos de transporte (caixas), um batelão, mobílias, casas e uma casa de engenho, uma prensa de ferro, um forno de barro e sítios. Foram declaradas dívidas ativas e passivas. Apesar das alforrias requeridas no testamento, todas as pessoas escravizadas mencionadas foram adicionadas ao arrolamento; além disso, foram citados Gaspar e Firmina, bebês de um mês e meio de idade.

              Após a avaliação, o juiz reitera que a intenção do testador deve ser observada como lei se de acordo com a legislação vigente. Além disso, ele afirma considerar absurdo o fato de que Gaspar e Firmina continuassem escravizados, escrevendo: “não estamos nos tempos bárbaros de Roma, em que o pai era considerado senhor absoluto do filho” (p. virtual 33). A partir do pedido do juiz, foi nomeado um curador para representar os bebês e dar início aos seus processos de alforria. A liberdade das demais pessoas não foi tratada nesta ação, não sendo possível declarar se suas alforrias foram concluídas.

              Os bens foram repartidos em igualdade entre os legatários e parte do patrimônio foi utilizado para o pagamento das dívidas e taxas. A ação foi julgada por sentença, em o juiz requereu o pagamento das custas da ação de maneira pro rata pelo inventariante. Mais tarde, a coletoria das rendas provinciais, por meio de petição, solicitou o pagamento da “taxa de heranças e legados”; com isso, o processo é concluído com pregões e a arrematação de alguns bens.

              Atuaram no processo:
              avaliador Francisco Vellozo de Linhares;
              avaliador João Vicente Nobrega Dutra;
              coletor das rendas provinciais Francisco Mathias de Carvalho;
              curador major Francisco da Costa Pereira;
              escrivão e tabelião interino Valentim Antonio de Sousa;
              escrivão Leopoldo Justiniano Esteves;
              juiz municipal Tertuliano Teixeira de Freitas;
              juiz municipal quarto suplente capitão Antonio Vieira de Araujo;
              juiz municipal primeiro substituto major Joaquim José de Oliveira Cercal;
              partidor capitão José Luciano de Oliveira;
              partidor tenente coronel Bento Gordiano de Carvalho;
              procurador Salvador Antonio Alves Maia;
              signatário Antonio Pereira da Costa;
              tabelião e signatário João José Machado da Costa.

              Localidades relevantes:
              cidade Nossa Senhora da Graça do Rio de São Francisco Xavier do Sul (atual município de São Francisco do Sul, Santa Catarina);
              comarca de Nossa Senhora da Graça;
              distrito de Ribeira;
              Rio dos Morretes
              rua de São Bento.

              Compõem o processo:
              auto de arrematação;
              auto de partilha;
              avaliação e descrição dos bens;
              contas;
              editais de praça;
              petições;
              pregões;
              sentença;
              termo de louvação;
              termos de juramento;
              traslado de edital;
              traslado de testamento.

              Variação de nome:
              Bibiana;
              distrito de São Francisco;
              Domingo José Prates;
              Francisco Velloso de Linhares;
              São Francisco do Sul.