Laguna

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            TRPOA-7175 · Processo · 1884
            Parte de II - Tribunal da Relação de Porto Alegre

            Libelo crime realizado na cidade de Laguna, na época sob a comarca de Santo Antônio dos Anjos, na província de Santa Catarina.

            Partes do processo:
            Manoel Dias Baptista (réu);
            Luís Pereira Gomes (réu);
            Miguel Bexiga (réu).

            Resumo:
            Tiros de revólver na rua da Praia na noite do dia 31 de dezembro de 1883. Italiano Henrique Repetto. Fiança. Fiador: o negociante Marcelino Monteiro Cabral.

            Hugo von Frankenberg Ludwigsdorff (agente da Companhia de Navegação São João da Barra e Campos - RJ) foi designado como intérprete que, "achando-se presente declarou que não segue a religião católica. Sobre juramento de sua seita, prometia de bem e fielmente traduzir em português o que o declarante respondesse em italiano, na forma e sob as penas da Lei."

            Henrique tinha 32 anos de idade, era solteiro, nascido em Gênova, trabalhava como agente comissionado do Comendador Pinto, de Paris, para acompanhar imigrantes para a Colônia de Grão Pará, no município de Tubarão. Henrique, na noite em que foi preso, estava reunido com outras pessoas na casa de Hugo von Frankenberg. E quando saiu dessa casa, voltou para o Hotel Lagunense, onde estava hospedado. No caminho para o hotel, ao ouvir foguetes, respondeu com tiros de seu revólver. A entrada do Hotel ficava na rua Direita. Henrique diz ter sido abordados por dois homens. Com a ajuda de um homem negro, Henrique disse ter sido roubado.

            O homem negro a que se referia Henrique era escravo de Dona Francisca Cândida da Silva Reys, de nome Joaquim. Joaquim, que de fato estava com a carteira e cartas de Henrique, disse tê-las encontrado na rua Direita, no chão. Depois disso, caminhou pela rua da Praia até a casa do Tenente Coronel Luiz Pedro e do negociante Antônio Gonzaga, onde estava a lancha do Patacho Alegre. Na popa dessa embarcação encontrou outros papeis, os quais juntou e levou para casa.

            O homem negro forro de nome Miguel Bexiga também foi interrogado. Miguel era marinheiro. Miguel disse ter visto um homem estrangeiro passar pela rua Direita cantarolando e atirando com seu revólver enquanto havia queima de fogos de artifício. Depois disso, apareceu o policial Manoel Dias Baptista e o questionou sobre os tiros. Os dois foram até a rua da Praia e viram o homem estrangeiro que batia na porta do Hotel Lagunense. Miguel disse ter visto o padeiro Lourenço, na rua Direita, em frente ao escritório da Companhia da Estrada de Ferro, questionar os policiais a respeito das pancadas desferidas sem motivos contra o prisioneiro.

            O policial Manoel Dias Baptista também foi interrogado. Manoel era natural da província do Rio Grande do Sul. Disse que ao abordar o italiano, estava acompanhado de seu colega Luís Pereira Gomes. Manoel disse que o italiano resistiu à prisão.

            O policial Luís Pereira Gomes também prestou depoimento ao delegado. Luís era natural da província do Ceará.

            O dono do Hotel Lagunense, Manoel Antônio da Silva Amante, também foi testemunha nesse caso.

            Lourenço Baltazar Maria, padeiro, natural de Portugal, foi a segunda testemunha.

            José Gomes Funchal, também natural de Portugal, foi a terceira testemunha.

            Com o auxílio das testemunhas, o delegado concluiu que o preto forro Miguel Bexiga é quem havia subtraído o dinheiro do italiano. Porém, não foi encontrado nenhum dinheiro na casa de Miguel.

            O juiz municipal deu ordens para prender preventivamente os policiais Manoel e Luís, além do preto forro Miguel. Eles foram presos no dia 2 de janeiro de 1884.

            O carcereiro se chamava Pedro Florentino de Aguiar.

            Diligências.

            No dia 10 de março de 1884 ocorreu a primeira Sessão Ordinária do Júri.

            Sessão do Tribunal do Júri muito bem descrita.

            Segunda Sessão do Tribunal do Júri em 16 de junho de 1884.

            Atuaram no processo:
            delegado de polícia Júlio Caetano Teixeira;
            escrivão Vicente de Paula Góes Rebelo;
            juiz de direito Manoel do Nascimento da Fonseca Galvão;
            juiz municipal Francisco Ferreira de Siqueira Varejão;
            médico Francisco José Luiz Vianna;
            médico Luiz da França Carlos da Fonseca;
            oficial de justiça Manoel Garcia da Conceição;
            promotor público Manoel Carneiro dos Santos.

            Localidades relevantes:
            Hotel Lagunense;
            rua da Praia (antiga rua em Laguna, Santa Catarina);
            rua Direita (antiga rua em Laguna, Santa Catarina);
            cidade de Gênova (na época pertencente ao reino da Itália);
            cidade de Laguna (atual município em Santa Catarina);
            cidade de Tubarão (atual município em Santa Catarina);
            comarca de Santo Antônio dos Anjos da província de Santa Catarina.

            Tribunal da Relação de Porto Alegre
            Libelo cível de João Ignacio Rachadel
            BR SC TJSC TRRJ-58245 · Processo
            Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

            Ação de libelo cível realizada na vila de São José, na época sob a segunda comarca da província de Santa Catarina.

            Partes do processo:
            João Ignacio Rachadel (autor);
            Antonio Pereira de Carvalho (réu).

            Resumo:
            João Ignacio Rachadel abriu um libelo cível para tratar de dívidas pendentes, nas quais Antonio Pereira de Carvalho é o devedor. A esposa do autor herdou de seu falecido pai um crédito com o réu; mas, mesmo após o prazo de pagamento vencer, o suplicado ainda não havia pago a quantia prometida.

            Ao decorrer do processo, o procurador do réu negou a existência da dívida pedida, alegando que ela já havia sido satisfeita por meio de serviços que o suplicado prestou à família do autor, ao trabalhar como agente de negócios e cirurgião assistente do falecido, quando ele esteve enfermo. Além disso, foi afirmado que o valor e o tempo gastos nesses auxílios transformaram o falecido em devedor do réu, superando o valor devido pelo réu. Foi mencionado um homem escravizado, descrito como “preto velho”, que também auxiliava com os cuidados do doente.

            Em contraposição por parte do procurador do autor, é questionado se o réu realmente era cirurgião, ou se era apenas “um simples curandeiro”. Também foi alegado que o suplicado não tinha título escrito, nem testemunhas para comprovar a existência de dívidas provenientes dos materiais usados nos cuidados.

            Após réplica e tréplica da reconvenção, o autor desistiu de dar continuidade à ação. Foi assinado um termo de desistência com a parte interessada, e o juiz julgou o processo por sentença, requerendo pagamento das custas e dízimas para o autor.

            Atuaram no processo:
            coletor Gaspar Xavier e Neves;
            escrivão David do Amaral e Silva;
            escrivão de órfãos Francisco Xavier d’Oliveira Camara;
            escrivão de paz Duarte Vieira da Cunha;
            escrivão e tabelião Joaquim Francisco de Assis e Passos;
            juiz Francisco Honorato Cidade;
            juiz municipal João Francisco de Souza;
            oficial de justiça Domingos José da Silva;
            pregoeiro Joaquim Affonço Pereira;
            procurador Bernardo Joze Pereira;
            procurador Domingos Antonio Guimaraens;
            procurador Manoel de Freitas Sampaio;
            procurador Manoel do Nascimento Ramos.

            Localidades relevantes:
            Barreiros (atual bairro do município de São José);
            Serraria (atual bairro do município de São José);
            freguesia de Vila Nova;
            vila de São José (atual município de São José, Santa Catarina);
            cidade de Laguna (atual município de Laguna, Santa Catarina);
            segunda comarca.

            Compõem o processo:
            certidão do formal de partilha;
            contas;
            correição;
            declaração;
            procurações;
            reconvenção;
            réplica;
            réplica à reconvenção;
            requerimento de audiência;
            termo de desistência;
            termo de obrigação;
            termo de substabelecimento;
            tréplica.

            Variações de nome:
            João Ignacio Raxadel;
            freguesia de Villa Nova.

            Libelo cível de Custodio Martins Lourenço
            BR SC TJSC TRRJ-57942 · Processo · 1850
            Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

            Libelo cível realizado na cidade de Laguna, na época sob a segunda comarca da província de Santa Catarina.

            Partes do processo:
            Custodio Martins Lourenço (autor);
            Felippe José da Souza Lião (réu).

            Resumo:
            Neste libelo cível, o autor Custodio Martins Lourenço requereu que o suplicado Felippe José da Souza Lião fosse citado para uma audiência, a fim de tratar de uma dívida. O suplicante afirmou que o réu era seu devedor por conta de um crédito e que, como a data de pagamento havia expirado, deveriam ser adicionados juros ao pagamento.

            O oficial de justiça responsável pela ação citou o réu para uma audiência pública conciliatória. Porém, o suplicado não compareceu às audiências e foi considerado revel, sendo sentenciado a pagar as custas do processo.

            Localidades relevantes:
            lugar de nome Araranguá (atual município de Araranguá, Santa Catarina);
            Município de Laguna.

            Compõem o processo:
            citação;
            contas;
            sentença;
            termo de conciliação.

            Atuaram no processo:
            escrivão Francisco Pacheco dos Reis;
            escrivão Vicente Jose de Gois Rebello;
            juiz municipal suplente Manoel Joaquim da Costa;
            meirinho e oficial de justiça e pregoeiro João Fernandes de Almeida;
            procurador Manoel José de Bessa;
            signatário Bernardino Antonio Soares Simas;
            signatário João Thomas de Oliveira.

            Variação de nome:
            Costodio Martins Lourenço.

            Laguna
            Séries · 1856
            Parte de Comarcas de Santa Catarina

            Criação: Lei n. 411, de 17 de abril de 1856
            Instalação: 9 de maio de 1857
            Primeiro juiz da Comarca: Luiz Barbosa Acioli de Brito
            Denominação do Fórum: Des. Waldyr Pederneiras Taulois
            Circunscrição: 8ª Laguna
            Entrância: Final
            Composição da Comarca: Laguna e Pescaria Brava
            Vara: 1ª Vara Cível, 2ª Vara Cível e Vara Criminal
            Localização da comarca: Litoral sul

            Tribunal de Justiça de Santa Catarina
            Justificação de Capacidade de José Rabello
            BR SC TJSC TRRJ-10602694 · Processo · 1830
            Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

            Auto cível de justificação de capacidade realizado na vila de Lages, na época sob a Comarca de Santa Catarina.

            Partes do processo:
            José Rabello (justificante);
            João Rabello (justificado).

            Resumo:
            O menor justificante requer a justiça um complemento de idade afim de regir os bens e negócios do falecido pai que estavam sendo inventariados.

            Atuaram no processo:
            juiz ordinário de orfãos Antonio Caetano Maxado;
            escrivão Camillo Justiniano Dias.

            Localidades relevantes:
            vila de Laguna.

            Inventário Maria Joaquina da Conceição
            BR SC TJSC TRRJ-57975 · Processo · 1863
            Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

            Inventário e partilha amigável realizados na cidade de Santo Antonio dos Anjos de Laguna, na época sob a segunda comarca da província de Santa Catarina.

            Partes do processo:
            Maria Joaquina da Conceição (falecida);
            Marcellino Fernandes Rodrigues (inventariante e herdeiro).

            Herdeiros:
            Albina Maria da Conceição;
            Anna Joaquina d’Jesus;
            João da Silva Lessa (co-herdeiro);
            Jose Fernandes Rodrigues;
            Manoel Lourenço Pereira (co-herdeiro);
            Manoel Luis Fernandes (co-herdeiro);
            Manoel Mauricio Nunes (co-herdeiro);
            Manoel Vicente Cardoso (co-herdeiro);
            Maria Joana d’Jesus;
            Maria Roza d’Jesus;
            Merencianna Rosa d’Jesus.

            Resumo:
            Marcellino Fernandes Rodrigues abriu um inventário dos bens de sua mãe, Maria Joaquina da Conceição. Além disso, foi anexada uma petição entre todos os outros herdeiros, concordando com a realização do processo de forma amigável, para a repartição do patrimônio.

            Os bens deixados pela finada foram terras, casas, casas de paiol (armazém de ferramentas e produtos agrícolas), engenhos de cana de açúcar, engenhos de farinha descritos como “farinha do sertão”, fornos de cobre, utensílios de cozinha, um automóvel descrito como carro, canoas, um banco, mesas, um oratório, marquesas, uma cama, caixas, um armário e animais. Foram mencionadas dez pessoas escravizadas, dos nomes: Serafim, descrito como de nação (africano); José, Bento e Maria, designados como crioulos; Manoel, Justino, Custodia e Joana, designados como pardos; e Adão e Salvador, que não foram descritos.

            Após a avaliação, os bens foram separados igualmente entre os herdeiros. O processo foi julgado por sentença, em que o juiz requereu o pagamento das custas do processo de maneira pro rata.

            Atuaram no processo:
            avaliador Joaquim Fernandes Lima;
            avaliador Jose Cardoso Duarte;
            escrivão Vicente José de Gois Rebello;
            juiz municipal João Coelho Bastos;
            partidor João Serafim Barbosa;
            signatário Domingos Carlos de Souza Francisco;
            signatário Germano Luis Fernandes;
            signatário João Cardoso de Aguiar;
            signatário Joaquim Francisco de Couto;
            signatário Manoel José Cardozo;
            signatário Marcos Luciano de Souza;
            signatário Pedro Fernandes Rodrigues.

            Localidades relevantes:
            cidade de Santo Antonio dos Anjos de Laguna (atual município de Laguna, Santa Catarina);
            freguesia de São João d’Imaruhy (atual município de Imaruí, Santa Catarina);
            rio de Aratingauba;
            segunda comarca.

            Compõem o processo:
            contas;
            partilha amigável;
            petições;
            sentença.

            Variação de nome:
            Marcelino Fernandes Rodrigues;
            Merenciãna;
            Merenciana Rosa d’Jesus;
            João Seraphim Barbosa.

            Inventário do capitão Januário Garcia Leal
            BR SC TJSC TRRJ-85249 · Processo · 1808
            Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

            Partes:
            Januário Garcia Leal (falecido); Marianna Lourença de Oliveira (viúva e inventariante)

            Vila de Nossa Senhora dos Prazeres de Lages; comarca de Paranaguá; capitania de São Paulo; juiz ordinário o capitão Joaquim José Pereira; escrivão Francisco José de Santana Souza. A morte do capitão Januário Garcia Leal ocorreu, com violência, na localidade de Lavatudo (fl. 3), durante viagem entre a vila de Laguna e a vila de Lages (possivelmente pelo Caminho dos Conventos). De acordo com auto de corpo de delito (fl. 3), o capitão faleceu em decorrência de forte pancada desferida por um cavalo, na altura da orelha direita, ao tentar passar uma porteira.

            Nas canastras que trazia de Laguna havia ferramentas para trabalho rural (pregos, enxada), tecidos (de algodão, musseline, linho), peças de roupa (paletó de caxemira, colete) e instrumento para sapateiro. Entre os bens deixados pelo capitão constam mulas, cavalos, bestas, gado, couros (inclusive couro de tigre pintado), cargas de sal, equipamentos de montaria, feijão, tecidos variados, linhas, botões e diversas peças de vestuário.

            Destacam-se, nos autos, pessoas que lhe deviam quantias em espécie, por conta de animais (burros, mulas e cavalos), produtos (sal, pregos), e em diferentes localidades: Vacaria, Ilha de Santa Catarina e Laguna.

            O porteiro do auditório da Câmara de Lages foi Marcello Alves Pinto, responsável pelo pregão dos bens em praça pública e posterior arrematação. O ex-escravizado Antonio Preto, de nação Congo, apresentou nos autos sua carta de alforria. Nela se lê: "[...] o capitão, de sua livre vontade, deixa forro ao negro Antonio, isento de todo e qualquer cativeiro, por lhe ter servido e aturado as suas impertinências sempre com paciência, e em tudo ter servido como bom escravo, ficando daí para todo o sempre liberto e forro, e nem em tempo algum os seus herdeiros, avaliadores, poderão ir contra esta carta, pois é vontade do dito falecido que, por sua morte, ficasse forro o dito preto Antônio" (fl. 39). A carta de alforria, assinada em abril de 1803 (fl. 41), encontra-se em papel com marca d’água e foi autenticada pelo juiz ordinário tenente Balthazar Joaquim da Silveira. Antonio Carlos Cardoso atuou como procurador da viúva e inventariante.

            A documentação menciona ainda a vila de São Carlos (comarca da cidade de São Paulo), o Arraial de Jacuhy (onde residia a viúva), termo da vila da Campanha da Princesa, na capitania de Minas Gerais, além do continente da vila de Lages (fl. 87), vila de Mogi-Mirim (fl. 89) e a comarca do Rio das Mortes. Consta também declaração de Bernardo José de Lorena (quinto conde de Sarzedas, fidalgo e administrador colonial português), nas folhas 123 e 124.

            Identificado em parte da tradição oral e literária como o personagem “Sete Orelhas”, Januário Garcia Leal foi capitão de Ordenanças com atuação documentada em Minas Gerais e, mais tarde, estabeleceu-se como tropeiro entre Laguna e Lages. A associação entre sua figura histórica e o personagem lendário tem sido objeto de debate historiográfico, havendo interpretações que apontam para a construção literária do mito a partir do século XIX.

            Seu inventário revela um mundo de circulação ativa de bens e créditos, com devedores registrados desde Vacaria até a Ilha de Santa Catarina. Entre os documentos, destaca-se a carta de alforria de Antônio Preto, na qual se evidencia não apenas a prática de libertação em vida, mas também a valorização da lealdade e do serviço prestado.

            Tribunal da Relação do Rio de Janeiro