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          Sumário Crime de Jacintho
          BR SC TJSC TRRJ-44263 · 1842
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Sumário crime realizado na vila de São José, à época sob a Comarca do Sul da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          João, preto de nação (vítima);
          Luiz José de Carvalho (senhor do João);
          Jacinto, preto forro (réu).

          Resumo:
          O subdelegado abriu um processo de sumário de crime contra Jacintho, um escravizado liberto descrito como "preto", pelo assassinato de João, escravizado descrito como "preto de nação", cativo de Luís de Carvalho. Após uma investigação minuciosa e declarações de várias testemunhas, foi apurado que a vítima, João, estava no telhado da casa de Jacintho, localizada na freguesia do Abraão. Jacinto, ao perceber a presença de João, lançou um tijolo que resultou na morte de João. Durante a investigação, foi revelado que João estava armado com uma faca de cabo branco e que Jacintho acreditava que o falecido tinha a intenção de roubar. O juiz, após analisar todas as evidências e depoimentos, declarou que Jacintho agiu em legítima defesa, evitando um mal maior tanto para si quanto para seus bens. Consequentemente, o réu, Jacintho, foi absolvido das acusações. Consta no processo que o escravizado liberto Jacintho era cativo de Manoel Teixeira de Quadros, que o alforriou quando faleceu.

          Atuaram no processo:
          advogado José Francisco Duarte;
          subdelegado Antônio de Souza Xavier Caldeira;
          juiz municipal João Francisco de Souza;
          juiz municipal João Francisco Cidade;
          juiz municipal de orfãos Luiz Teixeira do nascimento e Mello;
          escrivão Florêncio Gomes de Castro Campos;
          escrivão Joaquim Francisco d’Assis e Passos;
          escrivão Domingos Antonio Guimarães;
          inspetor de quarteirão Antonio da Silva Cascaes.

          Localidade relevante:
          freguesia do Abraão;
          vila de São José.

          Compõem o processo:
          autos de testemunhas,
          autos de custas;
          corpo de delito;
          auto de qualificação;
          libelo crime.

          Variação de nome:
          Réu Jacinto.

          Sumário crime de Jose Marcellino Alves de Sá
          BR SC TJSC TRRJ-28997 · Processo · 1843
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de sumário crime realizados na vila de Lages, à época sob a comarca do norte da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Jose Marcellino Alves de Sá (queixoso);
          Antonio João (réu).

          Resumo:
          O capitão Jose Marcellino Alves de Sá prestou queixa contra Antonio João, que por sua vez é designado como indígena no processo. De acordo com ele, o réu o atacou com uma faca após ser cobrado por uma dívida pendente com o autor. O queixoso afirmou que desviou da tentativa de esfaqueamento e, segundo ele, nesse momento o réu caiu no chão e se machucou com a própria faca. Ainda caído, o suplicado pegou uma espada e tentou novamente feri-lo, sem sucesso.

          Por conta dos ferimentos causados, o réu passou por um exame de corpo de delito. Os examinadores encontraram feridas em sua mão esquerda, no estômago e no peito, causadas por ferro cortante. Eles declararam que nenhuma das feridas lhe seria letal.

          Nos depoimentos, a primeira testemunha afirmou que soube do caso por meio da escravizada de um colega, designada como mulata, que lhe contou sobre uma briga entre o autor e o réu do processo. Os declarantes alegaram ter avistado João ferido, mas não presenciaram a briga, além de terem visto o queixoso dar voz de prisão ao réu.

          Em uma interrogação com o réu, ele afirmou que não se feriu sozinho, mas sim que o capitão Marcelino o agrediu fisicamente, o derrubou no chão e o esfaqueou no estômago e no peito. Ele disse ainda que o queixoso deu voz de prisão a ele, mas que ele não obedeceu por ter medo de que o capitão o matasse no caminho para a delegacia. Ao ser perguntado se ele tinha interesse em prestar parte contra Marcelino, ele afirma que sim.

          As duas partes desistiram das respectivas queixas, e ambas assinaram termo de desistência. Ao final do processo, o queixoso foi condenado a pagar as custas.

          Localidades relevantes:
          delegacia de polícia da vila de Lages;
          vila de Lages (atual município de Lages, Santa Catarina).

          Compõem o processo:
          auto de exame e corpo de delito direto;
          auto de qualificação;
          conta;
          correição;
          depoimentos de testemunhas;
          sentença;
          termo de desistência;
          termo de interrogação;
          termo de juramento.

          Atuaram no processo:
          delegado major Antonio Saturnino de Souza e Oliveira;
          delegado suplente Antonio Caetano Machado;
          escrivão Mathias Gomes da Silva;
          escrivão do subdelegado Felisberto Olimpio Caldeira;
          examinador Ignacio Carneiro Lobo;
          examinador alferes Antonio Fellipe Pessoa;
          juiz de paz suplente Joaquim Rodrigues de Oliveira e Costa;
          signatário Jose Joaquim da Cunha Passos;
          signatário Manoel Jose de Andrade Pereira;
          signatário capitão Jose Manoel Leite.

          Sumário Crime de Manoel Antunes de Sousa
          BR SC TJSC TRRJ-28991 · Processo · 1849-1859
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Sumário Crime realizado na vila de Lages, na época sob a Comarca do Norte.

          Partes do processo:
          A Justiça (autor);
          Manoel Antunes de Sousa (réu);
          Pedro Manoel de Aguessa Ayres (vítima).

          Resumo: Neste processo o acusado Manoel Antunes de Sousa teria cometido homicídio contra a pessoa de Pedro Manoel, que foi atacado com cinco facadas e tiros de pistola. Há também uma pessoa escravizada citada no processo, de nome Benedito, que prestou testemunhos sobre o ocorrido. A sentença define que o réu foi incurso no rol de culpados.

          Atuaram no processo:
          escrivão Mathias Gomes da Silva;
          escrivão Antonio Ricken de Amorim;
          escrivão Constâncio Xavier de Souza;
          escrivão Generoso Pereira dos Anjos;
          escrivão José Luis Pereira;
          juiz/delegado Antônio Saturnino de Souza e Oliveira;
          juiz/delegado Guilherme Ricken;
          juiz José Marcelino Alves de Sá;
          juiz José Nicolau Pereira dos Santos;
          juiz municipal Laurentino José da Costa;
          juiz municipal Manoel Rodrigues de Souza;
          juiz corregedor Joaquim Joze Henriques;
          promotor público José Francisco de Souza.

          Localidades relevantes:
          Campos Novos;
          Picada Nova;
          Distrito de Coritibanos;
          Cidade de Sorocaba;
          Vila de Itapetininga;
          Ponta Grossa;
          Campos Guarda-mór.

          Compõe o processo:
          Corpo de delito;
          Libelo crime acusatório;
          Mandado de prisão.

          Variação de nome:
          Pedro Agueira Aires.

          Sumário Crime de Manoel da Motta
          BR SC TJSC TRPOA-30677 · Processo · 1884
          Parte de II - Tribunal da Relação de Porto Alegre

          Sumário Crime na cidade de Lages, à época comarca da Capital, província de Santa Catarina.

          Partes do processo: Manoel da Motta (réu, ex-escravizado); José Paes de Farias (vítima).

          Resumo: Na cidade de Lages, o promotor local acusou Manoel da Motta, homem pardo e ex-escravizado, morador da região chamada Fachinal do Gado, por ter causado ferimentos graves em José Paes de Farias.
          Segundo auto de corpo de delito, José apresentava ferimentos visíveis, que teriam sido provocados por um cabo de arreador.
          Durante a investigação, testemunhas foram ouvidas e relataram que houve uma briga entre Manoel e José. O conflito teria começado por causa de uma acusação de roubo de gado. A discussão evoluiu com troca de ofensas e acusações até que Manoel teria agredido José com o objeto contundente.
          O juiz solicitou que novas testemunhas fossem ouvidas, mas elas não compareceram na data marcada. Diante disso, o juiz encerrou o inquérito e não há confirmação do indiciamento de Manoel da Motta.

          Atuaram no processo: advogado Pedro José Leite Junior; delegado de polícia Tenente Joaquim Morato do Canto; escrivão José Luiz Pereira; juiz Mauricio Ribeiro de Cordova; juiz Joaquim Fiuza de Carvalho; oficial de justiça Salidonio Vicente da Costa; perito Antônio dos Santos; perito José Augusto de Arruda; promotor público José Joaquim de Cordova Passos.

          Localidades relevantes: Faxinal do gado; cidade de Lages.

          Compõem o processo: Auto de corpo de delito; auto de sanidade; depoimento de testemunhas.

          Variação de nome: Faxinal do Gado.

          Tribunal da Relação de Porto Alegre
          Sumário Crime de Mathias Alves dos Santos
          BR SC TJSC TRRJ-29729 · Processo · 1854-1863
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Sumário Crime realizado na vila de Lages, na época sob a segunda comarca da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Mathias Alves dos Santos (réu);
          A Justiça (autora).

          Resumo:
          Mathias Alves dos Santos, designado como pardo, foi preso na Cadeia Pública da vila de Lages por ameaçar Maria Borges e seu irmão de morte, com o objetivo de “desinquietar” uma mulher escravizada por Maria.

          Testemunhas foram chamadas para depôr, onde foi alegado que o réu costumava ameaçar Maria durante a noite enquanto rodeava sua casa, invadindo o seu quintal com “intenções criminosas”.

          O delegado de polícia, considerando os depoimentos, condenou o réu a dois meses de prisão simples e a pagar uma multa correspondente às custas da ação. Por esse motivo, foi nomeado um árbitro para realizar a liquidação da multa.

          O processo foi visto em correição, requerendo que a sentença fosse realizada pelo juiz municipal, contando com a presença de um promotor público. O pedido foi atendido, e a sentença foi apelada pelo promotor, com o argumento que o “crime inteiramente particular” não cobriu a denúncia de Maria, de forma com que se julgue nesta ação seu crime a partir de outro artigo da Lei.

          O juiz julgou a apelação, determinando que não iria produzir efeito algum a anulação da ação após o réu ter cumprido a sentença. Após isso, ele requereu o pagamento das custas.

          Atuaram no processo:
          árbitro Generoso Pereira dos Anjos;
          delegado de polícia Guilherme Ricken;
          escrivão Generoso Pereira dos Anjos Junior;
          juiz de direito Joaquim José Henriques;
          juiz municipal José Nicolau Pereira dos Santos;
          promotor público Antonio Ricken de Amorim;
          signatário Antonio Rodrigues Lima;
          signatário Carlos Rodrigues Lima;
          signatário major Antonio Saturnino de Sousa e Oliveira.

          Localidades relevantes:
          fazenda do Cajurú;
          segunda comarca;
          vila de Lages (atual município de Lages, Santa Catarina).

          Compõem o processo:
          contas;
          correição;
          petição;
          qualificação;
          sentença;
          termo de apelação;
          termo de juramento.

          Sumário Crime de Nicolau Antônio de Medeiros
          TRPOA-30646 · Processo · 1888
          Parte de II - Tribunal da Relação de Porto Alegre

          Sumário Crime na cidade de Lages, à época comarca da Capital, província de Santa Catarina.

          Partes do processo: A Justiça por seu promotor (autor); Nicolau Antônio de Medeiros (réu).

          Escravizada: Anna.

          Resumo: A Justiça, por meio do promotor, abriu um processo criminal contra Nicolau Antônio de Medeiros, morador de Lages. Ele se envolveu numa briga com João Borges do Amaral e Castro, que estava acompanhado de sua escravizada chamada Anna no momento da confusão.
          Testemunhas contaram que o delegado foi chamado, mas Nicolau fugiu. A polícia foi atrás dele, e durante a tentativa de prisão, ele estava com um facão e acabou reagindo, ferindo um dos policiais.
          Depois que foi preso, foi aberto um inquérito. Nicolau foi interrogado, assim como as testemunhas, e também foi feito um exame de corpo de delito. Com o inquérito concluído, o caso foi encaminhado para julgamento pelo júri, garantindo o direito à defesa.
          Entre os crimes que Nicolau foi acusado, os principais foram resistência à prisão e agressão ao policial.

          Atuaram no processo:
          Anna, escrava de João Borges do Amaral e Castro; informante;
          Amancio Moreira de Souza;
          Albino dos Santos Pereira;
          Benedito Soares Aranha, cidadão, perito;
          Candido José Pereira de Andrade, delegado de polícia;
          Candida Bruna de Camargo;
          Cezario Guilherme Sens;
          Domingos Leite;
          Daniel Antonio d’Oliveira;
          Etelvina Borges do Amaral e Castro;
          Francisco Ribeiro dos Santos, cabo policial, testemunha;
          Francisco Ferreira Cavalcante Lins, juiz;
          Fortunato Dias Baptista, carcereiro;
          Geraldo da Silva F.;
          João Trueter, testemunha;
          João C. dos Santos Barreto;
          João Antonio de Moraes;
          Joaquim Bernardo de Souza Brito;
          João Borges de Amaral e Casto, proprietário da escrava Ana, testemunha;
          José Augusto Alves, guarda policial, vítima, testemunha;
          José Baltazar de Oliveira, oficial de justiça;
          José Henrique de Amorim;
          José Luiz Pereira, escrivão;
          José Jordino de Mello;
          José Pedro Wellas;
          José Pereira dos Anjos;
          Lourenço Dias Baptista;
          Manoel Mariano Vieira;
          Manoel Machado de Ramos;
          Maurício Ribeiro de Córdova, promotor interino;
          Nicolau Antonio de Medeiros;
          Pedro José Leite Júnior, capitão;
          Policarpio Pereira de Andrade;
          Roberto Guilherme Sanford Cogoy, cidadão, perito;
          Rodolfo Schmidt;
          Saturino Gonçalves Pereira da Silva, delegado de polícia, testemunha;
          Thomas Antonio d’Oliveira
          Vidal José Pereira de Andrade.

          Localidades relevantes: cidade de Lages; Paraguai; comarca da Capital.

          Compõem o processo: testemunhas; lista de jurados; corpo de delito.

          Variação de nome: faca; facão.

          Tribunal da Relação de Porto Alegre
          Sumário Crime de Pedro Paulino dos Santos
          BR SC TJSC TRRJ-29519 · Processo · 1868
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Sumário Crime realizado na cidade de Lages, na época sob a comarca da capital da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Luis Martins de Brito (autor);
          Pedro Paulino dos Santos (réu).

          Resumo:
          Luis Martins de Brito atuou como o autor desta ação de Sumário de Crime, ao acusar Pedro Paulino dos Santos por furtar gado de sua propriedade.

          A ação contou com testemunhas, assim como o depoimento do réu, para a exposição dos detalhes do crime. Foi revelado que o autor da ação havia perdido cinco reses há pelo menos três anos, e após receber uma notícia sobre a localização de uma vaca e uma novilha, as reconheceu como suas.

          Ao levar as vacas para a cidade, o autor deixou-as sob cuidados do filho de uma das testemunhas convocadas, chamado de José. Após esse momento, o réu teria se dirigido ao local e colocado as duas reses em sua própria mangueira, a retirando da posse do menino.

          Pedro Paulino contestou a acusação do informante José, declarando que as vacas já estavam marcadas com ferro por ele e que não haviam sido levadas para sua mangueira à força. Outra testemunha afirma que sabia, por ouvir dizer, que as reses haviam sido compradas pelo réu a partir de um negócio com Candido, homem escravizado por Senhorinha Dias Baptista.

          Ainda nos depoimentos, é afirmado que Candido havia recebido essas duas reses de um homem chamado Gravé, que as arrecadou; o valor da arrecadação teria sido destinado à esmola para a Nossa Senhora do Rosário.

          Em interrogatório, o réu confirma que comprou publicamente as duas reses de Candido e, após isso, as vendeu para João Luiz de Andrade. Também foi afirmado que o processo não poderia ser vigorado em juízo, já que o furto de gado só seria passível de denúncia quando realizado em campos e pastos de fazendas de criação; porém, disse que se houve furto, ele foi praticado por Candido e não pelo acusado.

          Desta forma, Pedro Paulino defendeu que a ação deveria ser julgada improcedente e que o autor seria o responsável pelo pagamento das custas. Por este motivo, Candido foi intimado para depor; em sua descrição, é afirmado ser pardo e ter o ofício de pedreiro. Durante seu testemunho, ele explicou ser verdade a venda de duas reses ao réu a cinco anos atrás.

          Como Gravé havia sido chamado para testemunhar mas estava de viagem, Gabriel Velloso depôs em seu lugar: ao contrário do que declarou Candido, a testemunha disse que não vendeu nenhum gado a ele, mas que havia emprestado uma novilha a ele e uma mulher escravizada — designada como crioula —, sendo acordado que ele deveria dar duas novilhas em troca; este acordo não foi realizado, segundo a testemunha.

          O juiz julgou procedente a queixa através dos depoimentos das testemunhas, assim como pelo fato das datas não serem as mesmas — as reses haviam desaparecido há apenas três anos, e a transação com Candido teria sido feita há cinco. Por fim, o réu foi julgado culpado e colocado no rol dos culpados, sendo requerido o pagamento das custas da ação.

          Atuaram no processo:
          delegado de polícia Claudeano de Oliveira Rosa;
          escrivão José Luis Pereira;
          escrivão Francelisio Arbelio;
          juiz municipal suplente capitão e tenente coronel Henrique Ribeiro de Cordova;
          juiz municipal suplente capital Ignacio Coelho d’Avila;
          oficial de justiça Cypriano Joaquim Lins;
          promotor público Roberto Sanford;
          signatário Constancio Carneiro Barbosa de Brito;
          signatário Domingos Leite;
          signatário Pedro Henrique Daw.

          Localidades relevantes:
          campos Esperança;
          cidade de Lages;
          comarca da capital;
          quarteirão do portão.

          Compõem o processo:
          auto de qualificação;
          contas;
          petição;
          sentença;
          termo de juramento.

          Sumário crime de queixa de Severino Pereira dos Santos
          BR SC TJSC TRRJ-28988 · Processo · 1846 - 1850
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Sumário crime de queixa realizado na vila de Lages, na época sob a comarca do norte da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Severino Pereira dos Santos (queixoso);
          Antonio Rodrigues Lima (réu).

          Resumo:
          Severino Pereira dos Santos abre o processo para denunciar Antonio Rodrigues Lima, por tentativa de homicídio. O queixoso afirmou que o réu deu uma facada embaixo de seu peito, causando graves danos físicos, e requereu um corpo de delito, onde se confirmou o ferimento feito e a arma utilizada.

          O processo contou com testemunhas. Nos depoimentos, três pessoas escravizadas e uma pessoa indígena são mencionadas, pois estavam na cena do crime e presenciaram o ocorrido. É afirmado também que a violência ocorreu em Morro Grande, onde o queixoso trabalhava como carpinteiro, e se iniciou com insultos proferidos ao autor e às outras pessoas que ali estavam, seguido do réu o esfaqueando no terreno e fugindo. Todos os declarantes confirmaram a ação do crime, por ver ou ouvir falar.

          Os testemunhos foram dados como procedentes pelo juiz. Com isso, foi publicado um mandado para a captura do réu e seu nome foi colocado no rol dos culpados. Ele foi localizado em Tubarão, mas foi solto por fiança.

          Em contradição ao libelo acusatório realizado e durante interrogatório, o réu e promotor público representante pontuaram outras versões do ocorrido: ao chegar de viagem, foi convidado a entrar no local do acontecimento pela caseira da casa, Felisbina. Ele aproveitou a ocasião para tratar de um possível furto de bois que teria acontecido e, quando tocou no assunto, os homens na casa se alteraram. Quando o suplicante apareceu no ambiente, disse palavras ofensivas e perseguiu o suplicado pelo terreno o agarrando pelas costas, e o denunciado tendo como defesa pegou uma faca de cortar fumo e atingiu o autor.

          Durante o júri popular, foi decidido que por mais que o queixoso tenha sofrido graves danos físicos, a ação do réu foi em legítima defesa e objetivou evitar males maiores. A pena do suplicado, que antes era máxima, foi reelaborada juntamente com o pagamento de multa calculada pelos árbitros. Ao decorrer dos dias, o suplicado pagou o valor e cumpre a sentença. Com isso, o juiz ordenou que fosse dada baixa na culpa do réu e retirado o seu nome do rol dos culpados, e que também fosse publicado um alvará de soltura em seu favor.

          Atuaram no processo:
          árbitro e perito Claudiano de Oliveira Rosa;
          árbitro José Antonio Botelho;
          delegado Antonio Caetano Machado;
          delegado Joaquim e Antunes de Oliveira;
          escrivão e tabelião Mathias Gomes da Silva;
          escrivão Manoel Antonio de Azevedo;
          examinador Guilherme Ricken;
          examinador manoel Jose de Andrade Pereira;
          fiador Jorge Trueter;
          inspetor do quarteirão João da Silva Ribeiro;
          juiz de distrito Firmino Rodrigues Silva;
          juiz municipal e perito delegado Guilherme Ricken;
          juiz municipal e vereador Lourenço Dias Baptista;
          juiz municipal Matheus Jose de Souza;
          porteiro do tribunal Domingos Leite;
          presidente do tribunal Antonio Saturnino de Souza e Oliveira;
          procurador da câmara Antonio Benedicto dos Santos;
          procurador e signatário José da Silva Ribeiro;
          procurador Joaquim Manoel de Oliveira;
          promotor público Antonio Carlos de Carvalho;
          signatário Manoel Joze de Santa Anna.

          Localidades relevantes:
          comarca do norte;
          distrito de Costa da Serra;
          distrito de Tubarão (atual município de Tubarão, Santa Catarina);
          Morro Grande;
          vila de Lages (atual município de Lages, Santa Catarina).

          Compõem o processo:
          alvará de soltura;
          arbitramento;
          auto de qualificação;
          carta precatória;
          certidão de pagamento de fiança;
          convocação do júri;
          contas;
          cópia da convocação do júri;
          cópia do libelo crime acusatório;
          corpo de delito;
          correição;
          interrogatório;
          libelo crime acusatório;
          mandado de prisão;
          procuração;
          sentença;
          termo de comparecimento;
          termos de juramento;
          testemunhos.

          Variação de nome:
          Seberino Pereira dos Santos.

          Sumário crime do escravizado Militão
          BR SC TJSC TRRJ-10332281 · Processo · 1845
          Parte de I - Tribunal da Relação do Rio de Janeiro

          Autos de sumário crime realizado na vila de Lages, à época sob a comarca do norte da província de Santa Catarina.

          Partes do processo:
          Justiça (autora);
          Militão (réu).

          Resumo:
          O inspetor Luciano da Silva Palhano abre um processo de Sumário Crime a fim de realizar um corpo de delito em Militão, escravizado de Izaias Pacheco de Quadros. O crime cometido foi uma castração, e o principal suspeito foi Antonio Rodrigues de Andrade, denunciado pelo escravizado em uma inquirição.

          Os examinadores do corpo de delito acharam feridas em sua genitália e em sua cabeça, ambas feitas com faca. O réu encontrava-se em um estado em que não conseguia executar tarefas básicas do dia-a-dia, como montar a cavalo.

          Militão foi avistado com dois escravizados de Antonio Rodrigues de Andrade nos campos, e no caminho foi pego pelo senhor. De acordo com seu depoimento, Andrade colocou uma faca em cima de sua cabeça, o ameaçando de morte se ele reagisse. Após isso, ele deu ordens para que Militão fosse castrado; todavia, os depoimentos divergem sobre quem efetivamente executou as ordens de Andrade. O escravizado conseguiu fugir, mas em estado grave de debilitação.

          O processo contou com testemunhas, em que algumas souberam das violências cometidas contra Militão por ver ou ouvir, e outras disseram não ter conhecimento sobre o ocorrido. Em um dos depoimentos, é alegado que o filho de Andrade culpou outro escravizado pela castração de Militão.

          Foi anexado ao processo o mandado de prisão a Antonio Rodrigues de Andrade. No documento, é mostrado que ele estava em Pelotas na primeira tentativa de prisão.

          O delegado e o juiz municipal responsável pelo processo alegaram que a ação tinha provas insuficientes, e que as testemunhas eram improcedentes por não levarem a uma conclusão. O escravizado Militão foi dado como ausente da província de Santa Catarina, e a municipalidade foi condenada a pagar metade das custas da ação.

          Localidades relevantes:
          Cruz Alta;
          Ilha;
          Pelotas;
          freguesia de Passo Fundo das Missõens (região onde hoje se encontra o atual município de Passo Fundo, Rio Grande do Sul);
          província do Sul (atual estado do Rio Grande do Sul).

          Compõem o processo:
          auto de corpo de delito direto;
          contas;
          correição;
          mandado de prisão;
          sentença;
          testemunhas.

          Atuaram no processo:
          delegado sargento mór Antonio Saturnino de Souza e Oliveira;
          escrivão Constancio Xavier de Souza;
          escrivão de polícia Mathias Gomes da Silva;
          examinador Antonio Jose Vieira;
          examinador tenente coronel Manoel Rodrigues de Sousa;
          inspetor do quarteirão da ilha Luciano da Silva Palhano;
          juiz corregedor Joaquim Jose Henriques;
          juiz municipal primeiro suplente alferes João Thomas Silva;
          juiz de paz e subdelegado Joaquim Rodrigues de Oliveira e Costa;
          signatário Francisco Propicio de Souza;
          signatário Laurentino Jose da Costa;
          signatário Mauricio Jose Pereira da Silva.

          Variação de nome:
          freguesia de Passo Fundo das Missões.